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Encontro Nacional deixou alertas contra rubricismos e excessos nas celebrações

O 50.º Encontro Nacional da Pastoral Litúrgica encerrou na passada Quinta-feira, após quatro dias de trabalhos, em Fátima, nos quais vários especialistas deixaram alertas contra rubricismos e excessos nas celebrações.
“Nós não somos donos da liturgia da Igreja, somos seus servos”, alertou o cónego João a Silva Peixoto, vogal do Secretariado Nacional de Liturgia (SNL).
O especialista apresentou uma conferência sobre ‘A ressecção da reforma litúrgica em Portugal. Os 50 Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica’, advertindo para o comportamento dos “rubricistas, autómatos, mecânicos” focados em regras superficiais, bem como os responsáveis por um “criacionismo inventivista” que desvirtua as cerimónias.
Segundo o sacerdote da Diocese do Porto, a aplicação concreta da renovação promovida pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) enfrenta ainda desafios institucionais, com o orador a assumir publicamente que os especialistas não estão “satisfeitos com a última edição do Missal”.
“Temos, de certeza, muita coisa a aperfeiçoar”, admitiu o docente universitário, perante a assembleia presente na Basílica da Santíssima Trindade.
O responsável sublinhou que a simples publicação de documentos oficiais é insuficiente para transformar a realidade das comunidades cristãs, vincando que a “Liturgia não é escritura, é vida”, exigindo “formação, iniciação e uma verdadeira participação no mistério celebrado”.
A urgência de cativar os mais novos, acrescentou o orado, pede uma adaptação contínua da linguagem, sustentando que “em cada geração é preciso nascer de novo”.
O evento formativo de quatro dias decorre sob o lema ‘A Liturgia, vida da Igreja’, evocando simultaneamente a passagem do centenário sobre a realização do Primeiro Congresso Litúrgico em Vila Real.
Noutra das conferências, o cónego Mário Sousa alertou para abusos no espaço litúrgico, muitas vezes transformado num local de promoção pessoal.
“O ambão não é um palco, onde deve subir o presidente da junta em dias de festa, ou meninos, porque é o dia da sua primeira comunhão e dizem os catequistas a festa é deles”, disse o biblista, numa intervenção subordinada ao tema ‘A Palavra da vida numa liturgia viva’.
“A Missa nunca é de ninguém, a não ser de Jesus, e o ambão é o lugar onde o protagonista é exclusivamente o Senhor”, acrescentou o sacerdote da Diocese do Algarve.
O responsável criticou ainda as pregações focadas em “considerações moralizantes”, sublinhando a importância da introdução histórica às leituras bíblicas, uma vez que a ausência de contexto retira “parte da compreensibilidade” aos textos.
A exigência de uma “plena, consciente e activa participação” dos leigos dominou a conferência de Isabel Alçada Cardoso, coordenadora do Serviço de Arquitectura e Artes para a Liturgia do SNL.
A responsável apresentou a exposição que documenta a ressecção do Concílio em Portugal no que diz respeito à Liturgia, envolvendo “todos os sentidos”.
Além das conferências e celebrações, a edição deste ano contou com a formação por grupos, sobre “Os mistagogos dos Encontros Nacionais de Liturgia” e sobre “Os compositores”.
Esta última esteve a cargo do professor Emanuel Pacheco, que classificou estas jornadas como um “laboratório” que ajudou à democratização coral em Portugal.
“A música litúrgica que hoje rezamos jamais teria a qualidade e a eficácia que tem se não fossem os compositores que por aqui têm passado”, declarou.
O formador enalteceu o dinamismo criativo actual, comprovado pela colaboração de “18 compositores” contemporâneos na preparação das pautas da edição deste ano.
As intervenções no Encontro Nacional da Pastoral Litúrgica são disponibilizadas online.

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