A Associação de Voleibol de São Miguel viveu 42 anos com reduzidos períodos de instabilidade. A normalidade foi interrompida com a demissão da direcção presidida por Carlos Silveira, dois anos após ser eleita.
A saída deveu-se à moção de censura apresentada por dois dos clubes mais antigos da ilha de São Miguel, a Associação dos Antigos Alunos e o Internacional Volei Açores, e pelo Atlético de Rabo de Peixe.
A saída de Carlos Silveira motivou eleições antecipadas para serem cumpridos os dois anos em falta, coincidentes com o ciclo olímpico. Concorreram Arsénio Medeiros, repetindo a candidatura de 2024, e Hélio Ormonde, que presidiu ao organismo entre 1994 e 2002 e vice-presidente entre 2004 e 2019. É o actual coordenador regional da arbitragem; foi árbitro regional, nacional e internacional.
Nesta longa entrevista, Hélio Ormonde abordou os temas candentes do voleibol e do processo eleitoral. Foi dividida em duas partes. A primeira sobre os motivos da demissão, do processo eleitoral, da composição do seu elenco e a segunda parte sobre o momento da modalidade.
A candidatura à presidência da direcção foi uma necessidade face a eventuais perigos oriundos da outra lista?
“Em primeiro lugar importa contextualizar o enquadramento temporal deste ato eleitoral. Ele acontece precisamente a meio de um ciclo de mandato de quatro anos dos órgãos sociais eleitos em 2024 e que, por razões de ordem pessoal, levou à demissão do anterior presidente da direcção.
Quando fomos abordados no sentido de apresentar um projeto alternativo, liderado pela minha pessoa, nem tão pouco sabíamos da existência de outra lista concorrente. Face a isso, e quando nos propusemos candidatar, o nosso propósito não era concorrer contra quem quer que seja, mas sim apresentar uma solução credível para a vacatura dos órgãos sociais, com ideias e projectos próprios, sabendo que, numa ou noutra situação, temos, em termos imediatos, de fazer a ligação com o que vem de trás.
Este grupo de trabalho não concorreu contra a outra lista, concorreu para dar um contributo sério, competente e honesto ao desenvolvimento da modalidade de voleibol na ilha de S. Miguel”.
Se não fosse a emergência com a demissão de Carlos Silveira e restante elenco directivo, estava nas suas cogitações voltar a ser presidente?
“Naturalmente que nunca podemos dizer nunca em algumas circunstâncias da nossa vida, mas confesso que esse regresso à presidência não estava nas minhas previsões pessoais. Contudo, este novo contexto, e em prol da modalidade, daquilo que ela necessita na ilha de S. Miguel, tornou-se necessário e obrigatório avançar com um projecto que garanta alguma sustentabilidade e seja desenvolvido por uma equipa de trabalho experiente, competente e, acima de tudo, comprometida com a causa”.
“Os radicalismos nunca foram solução”
A moção de censura à anterior direcção, resultando na ruptura, considera ter surgido de forma inesperada e injustificável, escondendo outros interesses?
“Confesso que não conheço com precisão o texto dessa moção de censura, nem tão pouco tive a preocupação de o ler.
Não tenho dúvidas que o “timing” foi completamente extemporâneo, que não é justificável a meio de um mandato e, para além disso, as pessoas que o subscreveram, ou pelo menos algumas delas, não se podem esquecer e demitir-se da responsabilidade que é que encontraram esta solução governativa em 2024, liderada pela Carlos Silveira, precisamente pelas mesmas razões que agora estavam em cima da mesa, ou seja, o aparecimento de uma lista que poderia colocar em causa a normal operacionalização de projectos de desenvolvimento desportivo, atendendo a alguns antecedentes e perfis individuais de alguns dos elementos que a compunham.
Por outro lado, na minha opinião, os radicalismos nunca foram solução para resolver problemas. Se se tivesse privilegiado o diálogo, seguramente ter-se-ia encontrado um mecanismo de acção que fosse de encontro e sanasse as divergências existentes.
Não consigo opinar se efectivamente havia interesses pessoais latentes, mas a sua questão deixa sempre a dúvida no ar”.
Ao mudar 90% dos elementos que acompanharam Carlos Silveira foi por questões operacionais ou porque pretende nova vitalidade?
“Precisamente pelas duas razões que questionou. Em termos associativos, estou convicto, até pela experiência que tenho de ter sido, durante 8 anos presidente da direcção e 15 como vice-presidente desta instituição, que nenhuma direcção funciona se não tiver a acompanhá-la um corpo técnico dinâmico e competente e se, simultaneamente, não tiver um corpo dirigente empenhado e, mais do que isso, comprometido com um plano de acção devidamente definido e enquadrado temporalmente.
Por outro lado, parece-me que nesta direcção a inclusão de pessoas com muita experiência na gestão associativa com outras mais jovens e que estão a começar a vivenciar um projecto desta natureza vai ser um factor determinante para levarmos a bom porto o nosso plano de acção nos próximos dois anos. Penso que estão reunidas todas as condições para que essa vitalidade possa ser um dos nossos motores operacionais”.