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Abates em matadouros nos Açores registam uma quebra de 15%

De acordo com informações do Observatório Agro-alimentar dos Açores, os abates realizados nos matadouros da Região registaram uma quebra de 15% até ao mês de Maio, em relação ao mesmo período de 2025. O recuo mais acentuado verificou-se nas carcaças destinadas ao processo de desmancha, que sofreram uma redução de 24%.
Segundo o comunicado emitido pela Federação Agrícola dos Açores (FAA), a persistência de custos de produção elevados em Portugal, conjugada com a retracção do poder de compra, tem gerado um cenário de excedente de oferta. Contudo, este desequilíbrio ainda não se reflectiu numa diminuição dos preços cobrados ao consumidor final.
Na 28.ª semana do ano (16 de Julho de 2026), a cotação da Bolsa do Montijo manteve-se inalterada na generalidade das categorias, prolongando a tendência de estabilidade observada nos períodos anteriores.
Os preços de referência por quilograma de carcaça fixaram-se nos seguintes valores: 7,02 € para o novilho (Classe R3), 7,00 € para a novilha (Classe R3), 6,76 € para a vitela e 4,50 € para a vaca (Classe O3).
Em contraste, comparando com os valores registados em Maio deste ano, as cotações nos Açores para a mesma semana sofreram uma redução de aproximadamente 40 cêntimos.
Relativamente à 28.ª semana, os preços por quilograma de carcaça situaram-se nos seguintes montantes: 6,12 € para o novilho (Classe R3), 5,98 € para a novilha (Classe R3), 5,84 € para a vitela e 4,74 € para a vaca (Classe O3).
Portugal continua a enfrentar um défice produtivo estrutural, conseguindo assegurar apenas metade das necessidades de consumo interno. Adicionalmente, a mitigação dos efeitos da seca tem decorrido de forma bastante lenta, condicionada pela retenção de fêmeas.
Perante a lentidão com que a capacidade produtiva recupera, o mercado português tem encontrado equilíbrio através do recurso à importação de carne e à exportação de animais em pé.
Actualmente, Portugal exibe uma dependência do exterior superior à registada há meia década, com destaque particular para a aquisição de carne oriunda de Espanha.
As cotações mais recentes divulgadas pela Lonja Agropecuaria de Binéfar (Espanha) revelam reduções de 6 cêntimos nos machos e de 3 cêntimos nas fêmeas, gerando paralelamente uma maior pressão no que diz respeito à urgência de escoamento do produto.
A introdução de carne de bovino estrangeira a preços mais reduzidos no território continental poderá intensificar a pressão sobre as cotações pagas aos produtores locais. Por via da sua posição excedentária, os Açores também deverão sentir os reflexos desta conjuntura. A Federação Agrícola dos Açores diz em nota que continua a acompanhar de perto a evolução do mercado. Se a trajectória decrescente nos preços persistir ou se intensificar, poderá vir a ser imperativa uma intervenção institucional para salvaguardar a produção pecuária regional e estabilizar o sector.

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