A ilha de São Jorge recebe, entre 31 de Julho e 9 de Agosto, a residência artística da Orquestra Nacional Moderna, que culmina com a apresentação do espectáculo “As Imortais Ilhas Encantadas”. O projecto combina música, dança, narração e imagem, promovendo a ligação entre a criação contemporânea e o território açoriano.
A Orquestra Nacional Moderna está a realizar uma residência artística na ilha de São Jorge, onde prepara o espectáculo “As Imortais Ilhas Encantadas”.
A iniciativa começou a 31 de Julho e prolonga-se até dia 9 de Agosto, no concelho de Velas e conta com visitas aos ensaios e à produção do evento, abertas à população.
Fernando Costa, responsável pela Orquestra Nacional Moderna, explicou que o projecto, sediado no Porto, procura desenvolver trabalhos orquestrais fora das grandes cidades.
“Não fazemos os projectos nas grandes cidades. Fazemos, por exemplo, no interior do país, porque é aí que a orquestra não chega. É aí que as pessoas precisam de ter conhecimento e contacto com uma orquestra”, referiu.
A escolha da Ilha de São Jorge para a realização da residência artística nasceu, segundo Fernando, da ligação especial que tem pela ilha do grupo central.
“Conheço e sou fã das ilhas todas. São Jorge encantou-me com as fajãs, as montanhas e a vista para o Pico. Depois, há a parte técnica. Tínhamos de ter um lugar que nos pudesse acolher em termos técnicos. O Auditório das Velas tem uma estrutura muito boa e está bem preparado tecnicamente”.
O responsável explicou também que a ideia da realização de uma residência artística teve início há 3 anos, quando a propuseram ao Município de Velas. Posteriormente, foi feita uma candidatura à DG Artes, que foi aprovada.
Segundo um comunicado publicado na página da Direcção-Geral das Artes, não existem registos públicos da realização de uma residência musical nas Velas. Assim, esta iniciativa, segundo a organização, “inaugura uma nova relação entre criação contemporânea e território, posicionando Velas como um exemplo possível para outras autarquias”.
Ainda segundo a mesma fonte, um dos objectivos deste projecto prende-se por “mostrar o que uma Residência Artística pode ser quando a criação se mistura com o território, quando a música se deixa transformar pelo lugar e pelas pessoas que o habitam”.
Fernando Costa refere que a escolha do título “As Imortais Ilhas Encantadas” nasceu da relação entre as nove ilhas dos Açores e as nove sinfonias de Beethoven. Para além disso, a denominação serve para recordar “o encantamento que as ilhas nos deixam”.
A residência artística termina com um concerto, no dia sete de Agosto do presente ano, no Auditório Municipal de Velas.
O espectáculo conta com um guião poético sobre a história dos Açores, falando da sua importância, dos seus valores e das suas tradições. Esta narrativa irá acompanhar o desenrolar do evento, juntando várias ferramentas artísticas.
“Não é meramente a apresentação de um concerto. É um evento cénico-musical. Preparámos um concerto num formato mais alargado, introduzindo dança, narração, imagem e voz. O concerto é baseado em canções açorianas, mas a matriz é a junção de todas essas características”.
Integração com a comunidade local
A iniciativa conta com a participação de apenas três músicos locais, algo que Fernando admite ser uma desilusão.
“A nossa intenção foi a de integrar gente de cá. Levámos algumas negas de músicos jorgenses, mas conseguimos juntar estes três. Esperávamos uma maior participação, mas é um começo para a próxima oportunidade. Além disso, vamos ter a colaboração da Sociedade Filarmónica Nova Aliança que vai abrir o concerto no exterior do edifício”.
O responsável pela Orquestra admitiu também que a colaboração com os locais é “muito importante para entender os territórios como recurso”, explicando que a participação dos locais foi precisamente o motivo para a realização da residência artística.
O projecto, promovido pela Orquestra Nacional Moderna, tem o apoio da Direcção-Geral das Artes e da Direcção Regional da Cultura dos Açores, além do apoio de instituições locais, como o Município de Velas e a Orquestra Padre Manuel Azevedo da Cunha.
Vasco Blayer
