A preservação das tradições culturais e religiosas continua bem viva no sul do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Em Vila Nova, antiga Freguesia de Sant’Ana, fundada por açorianos em 1749, a devoção a Sant’Ana e ao Divino Espírito Santo atravessa gerações e assinala, em 2026, 274 anos de celebrações ininterruptas.
Descendente de açorianos, Ronaldo Augusto, juntamente com a esposa, Roberta, assumiu a responsabilidade de dar continuidade a este legado como Primeiro Casal Mordomo da 274.ª Festa de Sant’Ana e do Divino Espírito Santo. A ligação familiar reforça ainda mais este compromisso, pois a tradição foi herdada dos seus avós, trisavós e tetravós, mantendo viva a cultura levada dos Açores para o litoral de Santa Catarina no século XVIII.
Ao longo de um ano de preparação, o casal, em conjunto com numerosos voluntários, liderou diversas iniciativas, entre as quais actividades comunitárias e novenas, reforçando a fé e o espírito de união da comunidade local.
O programa festivo decorreu entre os dias 22 e 26 de Julho de 2026, reunindo fiéis e visitantes em cinco dias de celebrações religiosas e momentos de convívio no Centro Social Sant’Ana. Entre os principais momentos destacaram-se as celebrações eucarísticas com a entrada das bandeiras das comunidades vizinhas, a entrega do Troféu do Divino — na sua primeira edição —, bem como a transladação e a procissão com a Corte Imperial e a imagem de Sant’Ana.
O ponto alto teve lugar no dia 26 de Julho, data dedicada a Sant’Ana, tradicionalmente assinalada como o «Dia dos Avós». A missa solene em honra da padroeira ficou marcada pela tradicional coroação do Imperador, um ritual cuja origem remonta ao século XIII, durante o reinado de D. Dinis e de Rainha Santa Isabel, em Portugal. Esta tradição foi posteriormente levada para os Açores e, daí, transmitida para o Brasil pelos emigrantes açorianos.
Para Ronaldo Augusto, historiador açor-brasileiro e devoto do Divino Espírito Santo, participar activamente na organização da festa constituiu uma experiência única. «É uma grande alegria poder servir, através da fé, uma tradição com quase 300 anos. Dar continuidade à festividade mais antiga de Imbituba e da região é manter viva a história e honrar o legado deixado pelos nossos antepassados», afirma.
Mais do que um acontecimento religioso, a Festa de Sant’Ana e do Divino Espírito Santo reafirma a importância da união da comunidade e da preservação do património cultural, demonstrando que a fé e as tradições continuam vivas entre as novas gerações.
António Pedro Costa
