A EuroDefense-Portugal publicou um estudo prospectivo intitulado “Capacidades das Forças Armadas e Economia de Defesa em 2035”, no qual defende um reforço da participação de Portugal em iniciativas da NATO ligadas à inovação e destaca o potencial estratégico dos Açores neste domínio.
No relatório, os Açores são referidos como um activo relevante no contexto da segurança e defesa do Atlântico. Segundo a EuroDefense, Portugal deve “envolver-se activamente” no Defence Innovation Accelerator for the North Atlantic (DIANA) e no Fundo de Inovação da NATO, criados recentemente para promover o desenvolvimento de tecnologias emergentes com aplicação na defesa.
O documento refere que a Lei de Programação Militar (LPM) já contempla projectos ligados ao DIANA e a centros multinacionais de treino, como o Multinational Helicopter Training Centre, demonstrando “alinhamento com estas iniciativas”.
Neste contexto, a EuroDefense recomenda que Portugal aprofunde essa participação, propondo, por exemplo, a instalação no país de testbeds (plataformas físicas ou virtuais dotadas de equipamentos avançados que permitem a PME e startups testar, demonstrar e validar novos produtos ou serviços inovadores antes da sua entrada no mercado) ou a organização de desafios tecnológicos da NATO em áreas onde Portugal detém vantagens competitivas, como o domínio marítimo, a segurança atlântica, a climatologia e o sector militar.
O estudo considera ainda que a cooperação com os aliados através de centros de excelência “também é uma via”. Tendo em conta que Portugal já acolhe o Atlantic Centre, nos Açores, dedicado à capacitação para a defesa no Atlântico com apoio multilateral, a EuroDefense defende que a expansão e internacionalização desta estrutura poderá posicioná-la como um hub NATO/União Europeia para a segurança marítima e para o estudo do impacto das alterações climáticas na segurança, considerados “temas prioritários” no Atlântico médio.
Em paralelo, a EuroDefense sustenta que deve ser promovida uma maior ligação entre a indústria e as startups portuguesas e os programas da NATO, facilitando, por exemplo, o acesso das PME nacionais ao Fundo de Inovação da Aliança Atlântica, que financia o desenvolvimento de tecnologias emergentes.
“Essa internacionalização tecnológica aumentará a competitividade da economia de defesa portuguesa e trará know-how avançado para as nossas Forças Armadas”, defende a EuroDefense.
A Associação EuroDefense-Portugal tem como principal missão “promover o estudo, a reflexão e o debate sobre a política europeia de segurança e defesa e as suas implicações para Portugal”, incluindo as questões relacionadas com o desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa europeia e a sua articulação com os utilizadores finais, as empresas e os centros nacionais de investigação e desenvolvimento tecnológico.
O estudo pretende identificar, no horizonte de 2035, as possibilidades e limitações dos requisitos militares nacionais, através de uma “leitura conjunta coerente” da evolução do Sistema de Forças Nacional e das capacidades da economia portuguesa, tendo como referência o domínio da indústria de defesa nacional.
A elaboração do relatório contou com um contributo multidisciplinar de várias entidades, entre as quais a AED Cluster Portugal, a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, a ANI – Agência Nacional de Inovação, a DGPDN – Direcção-Geral de Política de Defesa Nacional, a DGRDN – Direcção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, o EMGFA – Estado-Maior-General das Forças Armadas, a idD – Portugal Defence, o IDN – Instituto da Defesa Nacional, o IUM – Instituto Universitário Militar e o PLANAPP – Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas.
JHA
