Ouvidor eclesiástico do Pico presidiu à festa do Senhor Bom Jesus Milagroso, que voltou a reunir
no Santuário de São Mateus, milhares de fiéis por estes dias. Já o Cónego João António Bettencourt das Neves insistiu que a fé não pode limitar-se às palavras ou aos símbolos exteriores.
O cónego João António Bettencourt das Neves afirmou na homilia da Missa de festa do Senhor Bom Jesus Milagroso, no Pico, que o grande desafio do mundo atual é “escutar” Jesus e “caminhar com Ele”.
“Vivemos num tempo em que muitos conhecem Jesus, mas poucos O escutam. Talvez este seja o maior desafio da nossa época: escutá-Lo acima das redes sociais, acima das opiniões, acima dos interesses, do dinheiro, da ideologia e do orgulho.”
O ouvidor eclesiástico do Pico presidiu à celebração em substituição do bispo auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz, que, por motivos de doença, não pôde deslocar-se à ilha para presidir às festividades conforme estava anunciado.
“Um cristão que, em vez de escutar Cristo, escuta outras vozes perde a sua identidade”, enfatizou numa reflexão com sucessivos apelos a uma fé autêntica e coerente, que vá para além da participação nas celebrações e tradições religiosas.
O cónego João António Bettencourt das Neves insistiu que a fé não pode limitar-se às palavras ou aos símbolos exteriores.
“Não basta dizer ‘eu acredito’. É preciso viver como quem acredita. Não basta ter um crucifixo pendurado ao pescoço; é preciso ter o Evangelho no coração. Não basta caminhar na procissão; é preciso caminhar todos os dias com Cristo.”
Depois realizou-se a tradicional Procissão do Senhor Bom Jesus Milagroso, um dos momentos mais aguardados das festas e uma das maiores expressões públicas de fé dos Açores, terminando assim no dia 7 as festividades.
Este ano, a imagem regressou ao chamado “giro primitivo”, recuperando o percurso histórico que desceu até ao Passo, percorrendo as ruas da Boa Vista e do Passo Branco e regressando ao Santuário.
O Santuário do Senhor Bom Jesus Milagroso assinala este ano o seu 64.º aniversário como santuário diocesano, embora a devoção remonte a 1862, quando a imagem do Ecce Homo chegou do Brasil, dando origem a uma tradição que continua profundamente enraizada na identidade religiosa da ilha do Pico.
Reconhecendo a dimensão religiosa, histórica e social desta celebração, o Governo Regional voltou a conceder tolerância de ponto aos trabalhadores da Administração Pública Regional sediados na ilha do Pico durante o dia da festa.
