Edit Template

Comandante do NRP Sagres admite que a embarcação é “uma boa escola do mar, mas também da vida” por transmitir valores de autoconfiança e coragem

O imponente Navio-República Portuguesa (NRP) Sagres atracou no Cais das Portas do Mar, em Ponta Delgada, marcando a recta final de uma longa viagem atlântica que cruzou o oceano e trouxe a bordo uma vibrante missão de diplomacia, cultura e formação militar. Integrado nas comemorações de Ponta Delgada como Capital Portuguesa da Cultura 2026, o emblemático veleiro da Marinha Portuguesa transforma-se nos próximos dias num palco flutuante de portas abertas à comunidade. Ao ‘Correio dos Açores’, o Comandante do NRP Sagres, José Sousa Luís, e o cadete de 1.º ano Lucas Luz falaram sobre a vivência a bordo para detalhar os bastidores desta viagem atlântica, que agora traz o emblemático veleiro a Ponta Delgada no âmbito da Capital Portuguesa da Cultura 2026.
O imponente Navio – (NRP) Sagres encontra-se atracado no Cais das Portas do Mar, em Ponta Delgada, integrando-se na programação oficial de Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026.
Durante a escala na ilha de São Miguel, o emblemático veleiro da Marinha Portuguesa transforma-se num verdadeiro palco cultural flutuante. A estadia inclui a abertura da embarcação para visitas públicas e iniciativas artísticas, como a apresentação da peça de teatro “Os Sonhos do Infante” e eventos literários em parceria com o Festival Utopia. Esta passagem pelos Açores marca a recta final de uma longa viagem atlântica que levou o navio a cruzar o oceano e a marcar presença em celebrações internacionais nos Estados Unidos.
O NRP Sagres conta actualmente com um total de 152 pessoas a bordo, englobando a guarnição permanente e um grupo bastante diversificado de pessoas. Entre eles encontram-se cadetes portugueses e de países parceiros como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, além de cadetes internacionais da Roménia e da Colômbia. A bordo seguem também dez alunos da Casa Pia, que tiveram a oportunidade de conhecer as dinâmicas e a vida no mar, bem como dez alunos da Escola Náutica, futuros oficiais da Marinha Mercante, que embarcaram em Ponta Delgada para realizar a travessia de regresso até Lisboa e aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula.

Embarcação permite aos
emigrantes “matar saudades do país”

O Comandante do NRP Sagres, José Sousa Luís, descreveu a chegada a Ponta Delgada após uma longa travessia atlântica como um momento de enorme satisfação. Destacando que esta é a 26.ª vez que o veleiro, que soma 89 anos de história, dos quais 64 sob a bandeira nacional, visita a ilha de São Miguel, o responsável sublinhou que este é o porto açoriano mais frequentado pelo navio.
A título pessoal, o Comandante confessou o carinho especial que nutre pelo arquipélago, afirmando conhecer todas as nove ilhas e sentir “muito gosto em trazer o navio aqui e num momento especial”. A escala em Ponta Delgada insere-se nas celebrações da cidade como Capital Portuguesa da Cultura 2026, permitindo à tripulação associar-se activamente às comemorações locais através de uma programação cultural diversificada.
À semelhança do que aconteceu na Praia da Vitória, o navio acolhe a apresentação da peça de teatro “Os Sonhos do Infante”, pela Companhia de Teatro Alpendre, além de conversas integradas no Festival Utopia.
Questionado sobre os principais desafios desta viagem em particular para os cadetes e para a guarnição, o Comandante lembrou que “os desafios são sempre no mar, portanto, fazem parte da formação de marinheiro”.
A missão actual desenha-se em função dos cadetes do 1.º ano, que embarcaram em Boston e navegam até Lisboa. Durante a travessia os cadetes do 2.º ano da Escola Nava, prestes a tornarem-se oficiais, embarcaram na jornada a bordo do NRP Sagres.
Independentemente de eventuais tempestades ou momentos mais difíceis que seja necessário ultrapassar, o responsável destacou que o “navio é uma boa escola de mar, mas também da vida, porque desenvolve os valores de autoconfiança, de coragem, de espírito de equipa e de sacrifício”, acrescentando que estes valores são fulcrais para a formação de marinheiros e líderes.
Abordado sobre as transformações visíveis nos cadetes entre o início e o fim da viagem, o Comandante confirmou que a mudança é total. Explicou que, vindos de um contexto puramente académico, os jovens chegam com muita teoria aprestada, mas encontram-se “um pouco enferrujados”.
No entanto, “rapidamente, conseguem, de facto, colocar esses conhecimentos em prática e evoluir como marinheiros, e evoluir como líderes também”. Para o responsável, esta experiência revela-se óptima para consolidar competências práticas, funcionando a bordo como “uma plataforma excelente para sentir e conhecer o mar e para, de facto, se tornarem realmente bons marinheiros”.
Relativamente ao significado de integrar as comemorações de Ponta Delgada como Capital Portuguesa da Cultura, o Comandante explicou que a missão do NRP Sagres assenta em três grandes vectores.
O primeiro é o de navio-escola e instrução, servindo para que os cadetes, neste momento, os do 1.º ano, coloquem em prática a teoria aprendida durante o ano lectivo.
O segundo vector passa pelo apoio à diplomacia, sendo o veleiro reconhecido como o “embaixador itinerante de Portugal”. O Comandante destacou que esta vertente abrange três áreas principais: o âmbito político, recordando a deslocação propositada a Nova Iorque, no final de Maio, para apoiar a bem-sucedida candidatura de Portugal a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, além do apoio regular a embaixadas e consulados.
Uma outra área é a cultural, onde a promoção da cultura nacional através da gastronomia, concertos de fado, ranchos folclóricos e de viola da terra típica dos Açores.
A presença da embarcação contribui ainda para o âmbito empresarial, garantindo parcerias com empresas nacionais, como a José Maria da Fonseca e a Favais, para recriar a tradição do vinho Torna Viagem, cujo envelhecimento é potenciado pelo balanço, variações térmicas e ar salino a bordo.
Por fim, o terceiro vector centra-se no acolhimento à diáspora. Considerado um verdadeiro pedaço de território nacional, o navio abre as portas em portos estrangeiros para que as comunidades emigrantes possam “matar saudades do país e fortalecer a ligação com Portugal”.
Foi com base nesta matriz que, ao atracar em Ponta Delgada, fez “todo o sentido associar-nos a estas comemorações no sentido de promover a cultura”.
Sobre a imagem que o NRP Sagres transmite de Portugal e da sua marinha para o exterior, José Sousa Luís destacou o papel do navio na promoção da cultura e da maritimidade nacional.
Explicou que a embarcação projecta a imagem de Portugal e da Marinha Portuguesa além-fronteiras, gerando um profundo sentimento de orgulho nas comunidades emigrantes. Para o Comandante, esse impacto é particularmente visível “quando nos visitam e quando nos vêem a entrar num porto, com uma bandeira portuguesa bem grande, a flutuar”.

“Tem sido uma aventura incrível”

O cadete Lucas Luz, natural de Torres Vedras e a frequentar o 1.º ano da Escola Naval, explicou que o maior desafio desta nova etapa foi a adaptação à mudança radical de rotina e ao afastamento da vida familiar. Segundo o jovem, o início desta grande aventura começa logo com o internato e com um regime muito próprio, onde os cadetes ficam a dormir na escola de forma contínua e dispõem apenas de uma licença às quartas-feiras para poder sair. Para Lucas Luz, este choque inicial constitui o maior impacto para quem está habituado ao convívio diário com a família e com os amigos, embora reconheça que faz parte do processo de crescimento e integração.
Questionado sobre o que o motivou a enveredar por esta carreira, o cadete revelou que a vida no mar “sempre me fascinou. Sempre tive algo que me puxou nesse sentido”, explicando que, desde pequenino, nutria o sonho de ser médico, descobrindo na Marinha a oportunidade perfeita para juntar as duas paixões: “assim que soube que a marinha oferecia a possibilidade de ser médico, foi juntar o útil ao agradável e cá estou eu”.
“Até agora tem sido uma aventura incrível. Acho que é uma honra e um prestígio estar neste navio tão emblemático. As expectativas são que o resto da viagem corra bem e que seja possível chegar bem a casa e voltar às famílias, que já temos todos saudades”, concluiu cadete Lucas Luz.
Entre os dias 13 e 17 deste mês, no Cais Portas do Mar, no porto de Ponta Delgada, realizam-se diversas actividades abertas ao público. No dia 13, o navio estará aberto a visitas das 15h00 às 18h00 e das 20h00 às 22h00. No dia 14, as visitas decorrem entre as 10h00 e as 12h00. No dia 15, o navio pode ser visitado das 10h00 às 12h00, das 14h00 às 18h00 e das 20h00 às 22h00, havendo também a apresentação da peça de teatro “Os Sonhos do Infante”, pelo grupo Alpendre, às 20h30. Por fim, no dia 16, o navio estará aberto a visitas das 10h00 às 12h00, das 14h00 às 18h00 e das 20h00 às 22h00, estando ainda programadas as mesas redondas do Festival Utopia – Viajar para contar às 11h00 e às 21h30.
Diogo Simões Pires

Edit Template
Notícias Recentes
Governo dos Açores anuncia reforço da conservação da floresta com pomar de espécies endémicas
Município de Angra do Heroísmo disponibiliza Agenda Conversacional com inteligência artificial
“Vários estudos científicos mostram que aprender através de jogos pode melhorar a aprendizagem, a motivação e o desenvolvimento dos alunos”, afirma Paulo Santos
Hospital CUF Açores anuncia reforço da proximidade com profissionais de saúde e população do Grupo Central
UAc acolhe workshop sobre clima espacial e os seus riscos para a Região
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2026 Correio dos Açores