As Festas em honra da Nossa Senhora dos Anjos, na Vila de Água de Pau, decorrem até ao dia 17 de Agosto e reúnem a religião à cultura. O Correio dos Açores falou com o Padre João Martins Furtado, Pároco da Paróquia de Nossa Senhora dos Anjos, que admitiu que, apesar de estar na Vila há mais de 20 anos, ainda se impressiona com a participação da população na procissão, que acontece este Sábado, dia 15 de Agosto.
Correio dos Açores- Pode falar um pouco sobre a Festa de Nossa Senhora dos Anjos e sobre a sua organização?
Padre João Martins Furtado- Este ano, uma vez mais, vamos realizar as festas em honra da Nossa Senhora dos Anjos, na Vila de Água de Pau. É mais um momento lindíssimo da nossa comunidade da Vila de Água de Pau, que já conta com 511 anos. Temos um programa bem elaborado. A nossa comissão de festas está envolvida em todo este trabalho e no desenvolvimento das festas.
Devo dizer também que todos os movimentos catequistas, as famílias que vão decorar os andores, toda a equipa de electricistas e os lavradores que contribuem com a arrematação do gado cuja receita reverte para a Comissão de Festas, também estão envolvidos na organização.
Não me posso esquecer da nossa Banda, a Sociedade Filarmónica Fraternidade Rural de Água de Pau, que é muito importante, da Câmara Municipal da Lagoa, da Junta de Freguesia, da Casa do Povo e de todos os movimentos culturais e eclesiais. Todos estão a contribuir.
O programa da festa é bastante diversificado e relaciona a religião com a cultura. Essa foi uma das prioridades?
Temos um programa bem elaborado que contempla uma parte espiritual, com as celebrações da eucarística e a procissão, no dia 15 de Agosto. O programa também tem a parte cultural, com os arraiais e os momentos de convívio, que também fazem parte da nossa vivência cristã. Temos que fazer um programa que contempla todas as idades, por isso temos filarmónicas e alguns conjuntos musicais. Também é importante referir que o dia 16 é importante. Vamos ter a celebração eucarística, com três baptismos e uma celebração da eucaristia destinada para os nossos emigrantes.
Em relação aos emigrantes, a sua presença é especial para as Festas?
Os emigrantes que vêm, e vêm muitos, são bem-vindos. Os emigrantes vêm de longe, do Canadá ou da América. A presença deles, para nós, é um dom, porque a presença física é uma dádiva e marca o ambiente. É muito bonito estarem todos juntos. Nestes 43 anos de Padre, penso que fui 12 vezes às festas dos nossos emigrantes. Eles estão em terras distantes, mas pensam sempre na sua terra natal, nas suas raízes e nas suas origens”.
Do programa da festa, que começou dia 2 e termina dia 17, destaca algum dia em particular?
Penso que os dias que marcam muito esta festa são os dias 14, 15, 16 e 17. O dia 15 de Agosto, no contexto destas festas, é a jóia da Coroa, com várias celebrações. É o dia principal, é o dia da Assunção de Nossa Senhora aos Céus. No dia 17 temos também o adeus à imagem, perto da meia noite, que foi um ritual que eu criei há perto de 20 anos. Tem sido muito bom, vem muita gente à cerimónia.
A procissão no dia 15 é um dos momentos mais importantes da festa. O que pode registar neste dia maior?
A procissão este ano conta com 10 bandas filarmónicas e 18 andores. Demora cerca de 3 horas a percorrer as ruas da Vila. Eu tenho a incumbência de colocar a procissão na rua. Cada imagem representa um Santo. Eu tento fazer uma resenha histórica de cada Santo, por exemplo. Depois vou por ordem a colocar a procissão na rua. Fui eu que comecei a fazer isto e as pessoas estão com muita atenção ao texto que estou a ler. Falo de maneira rápida, mas explicando tudo, às vezes com mais emoção. É bonito.
E a procissão atrai muita gente?
Atrai multidões. Têm-se mantido multidões a ver a procissão. Quando saímos da igreja já estamos a ver uma multidão, de um lado e do outro. Principalmente na rua principal da Vila de Água de Pau, aquilo tem sempre muita gente de um lado ao outro da praça para ver a procissão. É uma coisa que me impressiona.
Quanto à Comissão de Festas da Paróquia de Nossa Senhora dos Anjos reúne muitas pessoas?
A Comissão de Festas penso que tenha 15 pessoas. Esta Comissão já está a trabalhar há muito tempo, há cerca de 20 anos. Tem feito um trabalho impecável. Temos tido o cuidado de introduzir colaboradores jovens, para eles se familiarizarem naquela dinâmica para que, no futuro, possam tornar-se elementos da comissão.
Já se encontra há bastante tempo como Padre em Água de Pau. Pode falar um pouco sobre o seu percurso até lá chegar?
Estive 11 anos na Fazenda Nordeste. Depois ainda acumulei as Feteiras do Nordeste, Feteira Grande e Feteira Pequena. Em 1994, Dom Aurélio Granada Escudeiro quis que eu fosse para Santa Cruz da Lagoa. Fui para a Matriz de Santa Cruz, onde estive 14 anos.
Fui ainda professor na Escola da Lagoa. Depois o senhor Bispo quis que eu fosse para Água de Pau e, então, saí da escola. Fiquei 4 anos em Santa Cruz e Água de Pau. Em 2017 pedi ao Senhor Bispo que gostava de ficar aqui em Água de Pau.
Em 2018 fazia Bodas de Prata e então entreguei Santa Cruz e Remédios. Portanto, já estou em Água de Pau há 22 anos. O ambiente é muito agradável, gosto muito do povo, tenho muito carinho pelo povo. Já fizemos muitas obras e criámos vários movimentos.
Vasco Blayer
