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Apoiar quem vive um luto é uma responsabilidade de todos e sem prazo de validade

O luto entra, mais cedo ou mais tarde, na vida de todos, mas continua a ser um dos momentos em que as pessoas mais se sentem sozinhas. Apoiar quem sofre uma perda não é uma responsabilidade exclusiva de especialistas, nem termina depois das primeiras semanas: é um compromisso de todos, sem prazo de validade.
Ser família, amigo, colega, vizinho ou simplesmente ser humano implica saber estar ao lado de quem vive uma ausência. Para a Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções (SPTFE), isso passa por: Dar espaço à dor, permitindo que a pessoa fale da sua perda, saudade e sofrimento sempre que sentir essa necessidade – hoje, daqui a um mês ou daqui a cinco anos; Respeitar o tempo de cada pessoa, porque o luto não segue calendários nem cumpre prazos; Evitar frases como “segue em frente”, “sê forte” ou “pensa pelo lado positivo”, que, mesmo bem-intencionadas, podem fazer sentir que a dor é um peso ou um incómodo; Estar presente sem tentar resolver, ouvindo, permitindo o silêncio, acolhendo as lágrimas e perguntando simplesmente: “Como estás, hoje, com isto?”; Manter a atenção ao longo do tempo, porque muitas vezes é a presença continuada, e não apenas o gesto das primeiras semanas, que faz a diferença.
“Apoiar verdadeiramente alguém em luto não exige ter as palavras certas. Exige disponibilidade”, afirma Daniela Nogueira, psicóloga clínica, membro da SPTFE e directora da Comissão Organizadora Local do European Grief Conference 2026, citada em nota enviada à redacção.
“Exige capacidade para permanecer presente quando não há nada para dizer e para compreender que a necessidade de falar sobre quem morreu não desaparece necessariamente com o passar dos meses ou dos anos.”
O apelo é dirigido às famílias, locais de trabalho, escolas, comunidades e a cada pessoa individualmente: criar espaços onde a dor possa ser expressa sem julgamento e sem cronómetro. Perguntar, escutar, voltar a perguntar semanas ou meses depois e não desviar o olhar quando o assunto é difícil são gestos simples, mas fundamentais.
Acolher o luto é reconhecer que não há prazo para chorar uma perda e que essa dor continua a ser legítima sempre que surgir.

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