A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo informou ontem que tem vindo a reforçar as acções de limpeza e remoção de algas nas zonas balneares e de banhos do concelho, na sequência do elevado volume de arrojamento registado ao longo da presente época balnear, com particular incidência nas zonas costeiras de menor profundidade.
O tema é particularmente relevante nesta época balnear. A acumulação de algas no areal pode afectar a experiência dos banhistas, gerar mau cheiro, obrigar a operações de limpeza urgentes, criar custos adicionais para os municípios e prejudicar a imagem das zonas balneares. Para além disso, estas espécies invasoras podem ter impacto na biodiversidade marinha, nos habitats costeiros, na pesca e em várias actividades ligadas ao mar.
Desde o início da época balnear, a 15 de Junho, conforme nota divulgada, já foram realizadas mais de duas dezenas de intervenções, prevendo-se um número semelhante até ao seu término. A Salga e o Negrito são as duas zonas balneares que mais têm exigido estas intervenções. Estes trabalhos são efectuados com recurso a meios humanos e equipamento mecanizado, complementando a limpeza e manutenção diária dos solários, que se mantém assegurada.
Em nota, a autarquia refere que importa salientar que este fenómeno, que afecta transversalmente todas as ilhas dos Açores, está directamente relacionado com fatores naturais, nomeadamente os ciclos de maré, a ondulação e a direcção das correntes marítimas. Por esse motivo, a acumulação de algas pode voltar a ocorrer poucas horas após as operações de limpeza.
A Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Fátima Amorim, citada no documento, salienta que “a Câmara Municipal está plenamente consciente da importância das nossas zonas balneares para a população e para quem nos visita, sobretudo nesta altura do ano, e estamos a fazer um esforço muito significativo para garantir que estes espaços se mantêm limpos, seguros e preparados para a sua utilização”.
O Município diz que continuará a acompanhar permanentemente a situação e a realizar as intervenções necessárias sempre que o volume de algas depositadas o justifique, procurando assegurar as melhores condições possíveis de utilização das zonas balneares para residentes e visitantes.
Recorde-se que o Governo dos Açores, através da Directo Regional das Políticas Marítimas (DRPM), em parceria com a Universidade dos Açores (UAc), apresentou o “Estudo multidisciplinar para o conhecimento da alga invasora Rugulopteryx okamurae na Região Autónoma dos Açores”.
Este projecto pioneiro surgiu como uma resposta científica urgente e coordenada àquela que é hoje consensualmente classificada como a bioinvasão marinha mais agressiva nas ilhas desde que há registo, tendo sido detectada pela primeira vez na Região em 2019.
A rápida proliferação da Rugulopteryx okamurae tem gerado impactos severos na degradação dos ecossistemas costeiros e na salubridade das praias, afectando directamente sectores vitais da economia açoriana, como o turismo, o lazer e a pesca local.
Para travar e gerir este fenómeno complexo, a academia açoriana desenvolveu uma investigação integrada em três grandes pilares. Entre as medidas previstas estão a remoção mecânica da alga em zonas críticas, o estudo da sua valorização para fins industriais ou agrícolas, a mobilização de equipas regionais de resposta rápida, e a criação de uma base de dados nacional com registo geo-referenciado da evolução da espécie.
