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Márcia Dutra, responsável pelo projecto AURAMAR, sente limitações devido a depender de fornecedores ou de materiais provenientes do exterior, o que obriga a um planeamento rigoroso para garantir os projectos

A AURAMAR – Eventos e Design é um projecto de São Jorge, criado em 2025 por Márcia Dutra. O projecto reúne as áreas da organização e dinamização de eventos e o design e a comunicação. O Correio dos Açores esteve à conversa com a responsável, que, apesar dos desafios logísticos próprios da Ilha e das mudanças trazidas pela Inteligência Artificial, vê o espaço para crescer e ambiciona levar, no futuro, a AURAMAR a outras ilhas dos Açores.

Correio dos Açores – Consegue explicar o projecto da AURAMAR, bem como e quando surgiu a ideia de o criar?
Márcia Dutra- Ao longo do meu percurso profissional fui tendo oportunidade de trabalhar em diferentes iniciativas e eventos, desenvolvendo também vários materiais de comunicação e design. Com o tempo, percebi que eram áreas com as quais me identificava bastante e onde me sentia realmente realizada, surgindo assim a vontade de desenvolver um projecto próprio. No entanto, fui adiando essa ideia, talvez à espera da altura certa para avançar.
Em 2025, durante um período de férias, tive mais tempo para parar, pensar e reflectir sobre aquilo que realmente queria fazer. Foi então que percebi que, se continuasse à espera do momento ideal, talvez nunca desse esse passo e decidi avançar, criando a AURAMAR – Eventos e Design.
O projecto agrega duas áreas que sempre fizeram parte do meu percurso e com as quais me identifico bastante: por um lado, a organização, apresentação e dinamização de eventos e, por outro, o design e a comunicação. A ideia é poder trabalhar estas áreas em conjunto, quando faz sentido, mas também de forma independente, adaptando cada serviço às necessidades de cada cliente e de cada projecto.
AURAMAR resulta da união de duas palavras: “aura”, que representa a essência, a energia e aquilo que procuro colocar em cada projeto, e “mar”, que representa não só uma forte ligação aos Açores e ao mar, que faz parte da nossa realidade, mas também uma referência ao meu próprio nome, Márcia.

A criação surge da necessidade de um projeto assim na ilha de São Jorge?
A ilha de São Jorge tem cada vez mais eventos de diferentes dimensões e existe também uma procura crescente por serviços personalizados, quer ao nível da organização e dinamização de eventos, quer na área do design e da comunicação.
Quando alguém organiza um evento, muitas vezes tem uma ideia daquilo que pretende, mas depois precisa de procurar diferentes pessoas ou serviços para conseguir concretizá-la. A AURAMAR surgiu também da vontade de simplificar esse processo. A ideia é que alguém possa chegar até mim, explicar aquilo que idealizou e que, a partir daí, possamos trabalhar em conjunto para tornar essa ideia realidade, sem que tenha de se preocupar com todos os pormenores envolvidos.
Naturalmente, nem todos os clientes procuram um serviço completo e é precisamente por isso que valorizo essa flexibilidade. Há quem precise apenas de um convite ou de um logótipo, quem procure apoio na organização de um evento, mas também quem pretenda que seja eu a fazer a apresentação e a condução do próprio evento perante o público.

De que forma é que a sua formação em Relações Públicas e Comunicação influencia o trabalho que desenvolves atualmente?
A minha formação em Relações Públicas e Comunicação deu-me ferramentas importantes para compreender melhor a comunicação, a relação com diferentes públicos, a construção de uma imagem e a forma como uma mensagem pode ser transmitida.
Na organização de um evento, por exemplo, não basta pensar apenas na decoração ou na logística. É importante perceber quem é o público, qual é o objectivo do evento e de que forma podemos criar uma experiência coerente com aquilo que se pretende transmitir.Também na área do design existe essa ligação. Um convite, uma identidade visual ou uma publicação não devem ser apenas visualmente apelativos, devem, acima de tudo, comunicar algo e estar alinhados com a identidade e os objetivos de quem os procura.Por isso, considero que a minha formação está presenteem praticamente tudo aquilo que desenvolvo.

Como tem sido a evolução da empresadesde o início?
Tem sido uma evolução gradual, mas muito positiva. Como é um projeto relativamente recente, a AURAMAR encontra-se ainda numa fase de crescimento, aprendizagem e consolidação da sua própria identidade.
No início houve muito trabalho de preparação, desde a criação da marca e da presença nas redes sociais até à definição dos serviços e à organização de toda a estrutura do projeto. Aos poucos, têm surgido diferentes trabalhos e desafios, que também me têm permitido perceber melhor aquilo que os clientes procuram e identificar áreas onde posso continuar a crescer e a melhorar.
Acredito que esta é uma área em que estamos sempre a aprender. Cada projeto é diferente, cada cliente tem necessidades e expectativas próprias e isso obriga-me a procurar constantemente novas soluções.

Quais são os principais clientes e áreas que trabalhas?
Neste momento, trabalho tanto com clientes particulares como com empresas e outras entidades, procurando adaptar-me às necessidades de cada projeto. Acho que é precisamente essa diversidade que mais me motiva. Quando termino um projeto, nunca sei exatamente qual será o próximo, e isso faz com que o trabalho seja constantemente diferente e desafiante. Cada cliente traz uma ideia, uma necessidade ou um objectivo diferente, obrigando-me também a sair da minha zona de conforto e a procurar novas soluções.
Ao nível dos eventos, posso trabalhar desde aniversários, baptizados e casamentos até eventos empresariais ou institucionais, dependendo das necessidades de cada cliente. Na área do design, desenvolvo, por exemplo, convites, identidades visuais, logótipos, materiais para eventos e outros conteúdos de comunicação.

Estando num meio mais pequeno, como São Jorge, sente que está um pouco limitada?
Um meio mais pequeno tem, naturalmente, algumas limitações, mas também acredito que existem vantagens.Vivemos numa realidade onde as relações são mais próximas e onde o contacto direto com as pessoas acaba por ser uma mais-valia. Isso permite-me conhecer melhor os clientes e criar relações de maior proximidade e confiança.
Além disso, na AURAMAR conto também com a colaboração de alguns parceiros locais em áreas específicas, como o alojamento, o catering, a música ou a decoração. Essa colaboração permite criar uma verdadeira rede entre diferentes profissionais e serviços da ilha, valorizando aquilo que temos localmente e dando também uma identidade própria a cada evento.Por outro lado, o facto de estarmos numa ilha não significa necessariamente que tenhamos de trabalhar apenas para essa ilha. Muitas áreas, nomeadamente o design e a comunicação, podem ser desenvolvidas à distância, o que abre outras possibilidades.

Qual é o maior desafio na organização de um evento em São Jorge?
Acho que um dos maiores desafios é, sem dúvida, a logística. Por estar numa ilha, muitas vezes dependo de fornecedores ou de materiais provenientes do exterior, o que obriga a um planeamento ainda mais rigoroso e a antecipar situações que, noutros locais, poderiam ser resolvidas com maior facilidade.No entanto, acredito que esses desafios também nos obrigam a ser mais criativos e a procurar soluções diferentes. Ao mesmo tempo, fazem-nos valorizar ainda mais os recursos, os serviços e os profissionais que temos na ilha.

Com a “febre” da Inteligência Artificial, sente que o trabalho dos designers/organizadores de eventos poderá estar em risco?
Não vejo a inteligência artificial como uma ameaça. No que diz respeito à organização de eventos e à comunicação, não acredito que a Inteligência Artificial consiga substituir o trabalho de um profissional. São áreas que exigem contacto direto com as pessoas, capacidade de adaptação e uma presença humana que considero essencial.
Relativamente ao design, já se nota cada vez mais um recurso à InteligênciaArtificial e, em alguns casos, talvez até uma utilização excessiva, mas acredito que estamos a viver uma fase de novidade.
Na minha opinião, não se trata de ignorar esta realidade, mas de aprender a adaptar-nos e a perceber de que forma estas novas ferramentas podem ser integradas no nosso trabalho.

O que é que a suaempresa pode dar que a Inteligência Artificial não?
A Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta útil, mas não consegue estar presente, ouvir, interpretar, adaptar-se a cada situação e acompanhar uma ideia desde o primeiro contacto até ao momento em que se torna realidade.
Na AURAMAR,existe uma relação direta com cada cliente, a capacidade de ouvir aquilo que pretende, compreender as suas necessidades e transformar uma ideia em algo pensado especificamente para aquela pessoa ou projeto.

Pensa em expandir o trabalho para outras ilhas?
Sim, sem dúvida. Gostava que, gradualmente, a AURAMAR pudesse chegar a outras ilhas e trabalhar com clientes fora de São Jorge.
Na área do design, isto poderá acontecer com relativa facilidade, uma vez que muitos projetos podem ser desenvolvidos à distância. Já no que respeita à organização de eventos, naturalmente que existe uma logística diferente, mas é também uma possibilidade que gostaria de explorar no futuro.
Neste momento, a AURAMAR nasceu e está a dar os primeiros passos em São Jorge, mas não gosto de pensar no projeto com limites geográficos. Gostava de continuar a crescer, ganhar experiência e, se surgirem oportunidades, levar o meu trabalho a outros locais.

O que lhe motiva a continuar a apostar nesta área?
O que mais me motiva é a possibilidade de criar e de transformar ideias em algo verdadeiro, e de cada projeto ser diferente, mas, acima de tudo, motiva-me o resultado final e aquilo que ele representa para as pessoas.
A AURAMAR é ainda um projeto em crescimento, e saber que há ainda tanto para aprender, desenvolver e conquistar é também uma grande motivação. Poder continuar a evoluir nesta área e construir algo com a minha própria identidade é, sem dúvida, o que me faz querer continuar a apostar neste caminho.
Vasco Blayer

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