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‘Capitão Fausto’ recordam público micaelense “atento e acolhedor” e um festival “no meio da beleza”

O Porto Formoso vai acolher este Sábado a actuação de uma das bandas mais emblemáticas da música portuguesa recente: os Capitão Fausto. Em entrevista ao Correio dos Açores, Domingos Coimbra, baixista do grupo, recorda as anteriores passagens por São Miguel e antecipa o regresso ao arquipélago para actuar no Azores Burning Summer. Com o último álbum, “Subida Infinita”, a marcar o mais longo período de concertos da carreira do grupo, os Capitão Fausto preparam agora a banda sonora de uma longa-metragem, projecto que dá continuidade a este último ciclo criativo.

Correio dos Açores – Mais uma vez nos Açores, que recordações guardam dos concertos anteriores no arquipélago? Há alguma memória ou episódio que se destaque?
Domingos Coimbra (baixista dos Capitão Fausto) – No Tremor toquei uma pandeireta no estádio do Santa Clara. Foi num concerto dos Modernos, outra banda que temos, a seguir a um concerto de Capitão Fausto no Coliseu. É o nosso único momento de estádio até à data – e que estádio!

Depois do lançamento do vosso último álbum, em 2024, como tem sido a vida dos Capitão Fausto, de um modo geral, em termos de concertos, digressões e produção musical?
Muito intensa, mas ainda bem! Há sempre desafios quando se está constantemente em movimento, longe de casa, mas é algo que com o tempo tentamos a afinar. A Subida Infinita originou o mais longo período de concertos da nossa carreira – não só no país, mas fora dele. E isso deixa-nos muito gratos. Em termos de produção musical, durante este período, compusemos uma banda sonora para o filme que irá sair. Foi mesmo questão de encontrar espaço nas entrelinhas. No entanto, concordamos os quatro que está a chegar um fim de ciclo, e estamos com vontade de abrandar para pensar em música nova.

Vão estar no grande ecrã em conjunto com Zeca Medeiros, um dos grandes nomes da cultura açoriana. Como surgiu esta colaboração e como foi a experiência de trabalhar neste projecto?
Conhecemos o Zeca em 2014, quando ele cantou connosco num concerto celebratório dos 40 anos do 25 de Abril, no Terreiro do Paço. Adorámos a colaboração. A voz do Zeca é especial, e ele tem uma presença e uma imagem fortes. Quando o filme começou a ganhar forma, para nós foi evidente a sua participação – e ainda bem que entrou!

Há algum artista ou banda que vos desperte particular curiosidade na presente edição do Azores Burning Summer? Há algum concerto que não queiram perder?
O nosso amigo Zé Ibarra, com quem tocámos em São Paulo no ano passado! O Afim é um álbum maravilhoso.

Quais são as expectativas para a vossa actuação no Burning Summer?
É a primeira vez que levamos a Subida Infinita a São Miguel, e este regresso já peca por tardio. Vamos dar primazia a este álbum, embora queiramos revisitar a restante discografia. O grande desafio, para nós, está em organizar um alinhamento que case as diferentes épocas e estilos que temos vindo a abraçar ao longo dos anos. A nossa memória é a de um público atento e acolhedor e de um festival no meio da beleza, o que ajuda muito a ambientes especiais.

O ambiente de um festival como o Burning Summer é muito diferente do de uma sala de concertos. Há alguma diferença na forma como preparam e pensam um espectáculo para um festival?
Para nós a grande diferença na preparação de um concerto é se este for para pessoas em pé ou sentadas. Se for um concerto curto também obriga a mais preparação e corte e costura de alinhamentos. Para o Burning Summer temos tempo e público de pé: duas condições favoráveis!

Os Capitão Fausto têm vindo a atravessar diferentes fases sonoras ao longo da carreira. Sentem que ainda estão a descobrir novas possibilidades enquanto grupo?
Temos desenvolvido hábitos de trabalho em grupo, ao longo dos anos, que já nos dão uma certa forma de fazer as coisas. Também sabemos melhor do que gostamos e do que não gostamos. No entanto, canções novas que não despertam em nós um instinto de descoberta e de aventura são um mau presságio. Tentamos por isso ser uma banda em movimento com algumas ferramentas criativas e de organização que ligam diferentes fases e experiências.

Estão já a trabalhar em novo material ou preferem, nesta fase, concentrar-se nos concertos e deixar que as próximas canções surjam naturalmente?
A banda sonora da longa metragem será o nosso próximo projecto musical, embora ainda faça parte deste ciclo da Subida Infinita. Tanto o filme como a música são indissociáveis destes últimos anos. 2027/2028 trará uma nova fase!

Se tivessem de descrever o actual momento dos Capitão Fausto numa frase, que frase escolheriam?
O nome da nossa empresa, que foi gerado automaticamente: “Rigor Boémio”.
José Henrique Andrade

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