A Autoridade Veterinária Regional revela que o vírus da Doença de Newcastle apenas foi confirmado laboratorialmente, até à data, em aves selvagens recolhidas nas ilhas Graciosa e Terceira, contrariando informações relativas à alegada presença do vírus em aves encontradas mortas no Faial. A entidade, através de comunicado, garante que os resultados das amostras recolhidas nesta ilha, bem como os referentes a aves de capoeira suspeitas, foram negativos, mantendo-se a vigilância epidemiológica em todo o arquipélago.
Na sequência de informações divulgadas publicamente relativas à alegada identificação do vírus da Doença de Newcastle em aves encontradas mortas na ilha do Faial, a Autoridade Veterinária Regional vem esclarecer que, reportando à data de 26 de Agosto, a presença do vírus apenas foi confirmada laboratorialmente em amostras de aves selvagens recolhidas nas ilhas Graciosa e Terceira.
Segundo a Autoridade Veterinária Regional, todos os restantes resultados laboratoriais concluídos até à presente data, incluindo os referentes a amostras recolhidas na ilha do Faial, revelaram-se totalmente negativos para o vírus em causa.
De acordo com o comunicado enviado ao Correio dos Açores, a entidade sublinha que, até ao momento, o vírus foi detectado de forma exclusiva em aves selvagens, designadamente em pombos-da-rocha e rolas-turcas.
Adicionalmente, todas as amostras provenientes de aves de capoeira suspeitas apresentaram resultado negativo, não existindo, por isso, “qualquer confirmação da doença em aves de capoeira em todo o território da Região Autónoma dos Açores”.
A vigilância epidemiológica mantém-se, contudo, activamente em curso em todas as ilhas, prosseguindo a recolha regular de amostras e a realização das respectivas análises laboratoriais no âmbito do acompanhamento permanente por parte das entidades competentes.
“A informação agora divulgada reflecte, com rigor, os resultados conhecidos e validados até à presente data, garantindo a Autoridade Veterinária Regional que continuará a acompanhar atentamente a evolução do quadro epidemiológico e a divulgar publicamente informação actualizada sempre que os resultados da vigilância assim o justifiquem”, explica a nota.
Bloco de Esquerda/Açores quer mais esclarecimentos sobre “aparecimento
anormal de aves mortas” na Região
Para o Bloco de Esquerda/Açores, os esclarecimentos prestados pelo Governo Regional sobre o aparecimento anormal de aves mortas “deixam ainda muitas dúvidas”, tendo o partido enviado um novo requerimento sobre o assunto.
Segundo uma nota publicada pelo partido, o Bloco quer que o Governo confirme se a Doença de Newcastle foi a causa da morte dos pombos e das rolas, se foi investigada e excluída a hipótese de envenenamento e qual foi a causa da morte das aves de capoeira que não tinham a Doença de Newcastle.
No documento enviado ao Executivo, o Bloco pede também esclarecimentos sobre a actuação das autoridades no caso de uma pessoa que apresentou sintomas compatíveis com a Doença de Newcastle depois de ter estado em contacto com aves encontradas mortas.
“No início do mês de Agosto, perante relatos de mortalidade anormal de pombos e outras aves em diferentes ilhas dos Açores, o Bloco dirigiu ao Governo Regional um requerimento solicitando informação sobre a dimensão da mortandade, as espécies afectadas, as análises realizadas, as hipóteses de diagnóstico em investigação e as medidas de acompanhamento adoptadas”, explica o partido.
Para o deputado único, António Lima, as respostas do Governo deixaram “muitos aspectos por esclarecer, por isso, o Bloco volta hoje a enviar um novo conjunto de perguntas”.
“Perante relatos públicos de mortalidade de outras espécies e referências à eventual utilização de substâncias tóxicas, o Bloco quer saber se foi estudada a hipótese de morte por envenenamento. Até porque o Governo revela que todos os pombos e rolas analisados tinham o vírus da Doença de Newcastle – uma situação muito comum por toda a Europa, como refere uma recente nota informativa da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária – mas não o aponta como causa de morte. Além disso, a DGAV não identifica os Açores como zona com surto de Doença de Newcastle, e as aves de capoeira que foram analisadas não tinham o vírus da Doença de Newcastle. Logo, nestes casos, a causa de morte terá sido outra”, refere o comunicado.
Em relação às aves domésticas, o BE indica que, embora todos os resultados laboratoriais concluídos nestas aves tenham sido negativos para a Doença de Newcastle, importa esclarecer “quantos animais foram analisados, em que ilhas e explorações ocorreram essas mortalidades e se foram determinadas as respectivas causas de morte”.
O Bloco pede ainda esclarecimentos sobre a forma como o Governo lidou com este assunto desde o início, tanto ao nível da comunicação como das respostas técnicas:
“Tendo em conta que os primeiros relatos de aves mortes ocorreram em Junho, mas só em Agosto o governo comunicou institucionalmente e publicamente o problema, o Bloco quer conhecer a cronologia da investigação desde Junho, quando foram realizadas as primeiras recolhas e análises, quando surgiram os primeiros resultados laboratoriais e de que forma a ocorrência se foi estendendo às restantes ilhas”.
