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Farmácias de Ponta Delgada admitem constrangimentos e rupturas de stock devido ao surto de gastroenterite

O surto de gastroenterite que teve início na ilha do Faial, no final de Julho, já se alastrou a outras ilhas da Região. Com a presença de norovírus confirmada em amostras biológicas de São Miguel, as farmácias de Ponta Delgada registam uma elevada procura por medicamentos e outros produtos, com alguns estabelecimentos a reportarem constrangimentos e rupturas de stock.
Os casos de gastroenterite têm aumentado na ilha de São Miguel. Após um primeiro surto que levou mais de 400 pessoas às urgências nas ilhas do Faial e do Pico, os casos de gastroenterite chegaram ao grupo Oriental.
Tal como referido no comunicado da Delegação de Saúde da Horta, a 15 de Agosto do presente ano, os dados do Serviço de Urgência confirmaram um aumento de casos de gastroenterite aguda na ilha do Faial, a partir de meados de Julho, chegando mesmo a representar um quarto dos atendimentos na Ilha.
Já na passada segunda-feira, a Autoridade Regional de Saúde confirmou a presença de norovírs na ilha de São Miguel, fruto de análises a produtos biológicos. A presença do vírus está ligada ao aumento de casos de gastroenterite na Ilha.
Carlos Comédias, Director técnico da Farmácia Central, em Ponta Delgada, revela detalhes dos constrangimentos causados pelo surto de gastroenterite.
“Temos tido um pico de afluência. O surto tem se vindo a manter nestes dias. Temos imensos estrangeiros a vir à procura de uma solução e mesmo pessoas de cá. É praticamente todo o dia nisso. Começou devagarinho, se calhar há duas semanas, mas o pico foi agora”.
O director garante que no Verão é normal que aconteçam alguns distúrbios intestinais, mas “como este nunca tivemos, está fora do normal”.
Apesar disso, Carlos garante que não há escassez de medicamentos, apenas de soluções para hidratação.
“Não temos falta de medicamentos, apenas falta de algumas soluções para a hidratação, que nunca tinham esgotado. É uma recomendação que costumamos fazer, a hidratação com os sais, como os electrólitos. Tem havido alguma falha de stock nessas soluções ricas em sais”.
Esta não é um acontecimento único da Farmácia Central. O surto de gastroenterite tem exigido à Farmácia Moderna um planeamento acrescido.
“Tem havido algumas falhas de stock, de alguns produtos. Vamos tentando alterar de uma marca para a outra, de laboratório para laboratório, a ver se nunca há falha. Mas mesmo assim tem havido constrangimentos. Às vezes não conseguimos uma encomenda logo na hora, temos que esperar um dia ou dois, mas até agora temos conseguido resolver”, explica Isabel Resendes, farmacêutica adjunta.
Apesar das falhas de stock, a farmacêutica afirma que o tratamento de primeira linha está assegurado, havendo apenas falhas em marcas específicas de sais de rehidratação e de lactobacilos.
A Autoridade Regional de Saúde revelou ainda que aguardam os resultados das análises efectuadas nas ilhas do Faial e Pico, de forma a poderem confirmar, ou não, a presença de norovírus nas primeiras ilhas afectadas pelo surto de gastroenterite.
Rita Serpa, farmacêutica adjunta da Farmácia Popular, explica que a afluência aumentou e que as queixas são sempre semelhantes.
“Sem sombra de dúvidas que o movimento aumentou e as queixas são sempre as mesmas: Cólicas, muita diarreia e desidratações. São queixas que têm acontecido diariamente”.
Rita garante também que foi necessário um reforço de stock para colmatar a elevada procura por medicamentos e soluções de reidratação.
A gastroenterite pode causar vómitos, diarreia e desidratação, mas as autoridades de saúde garantem que não há motivo para alarme, tratando-se, na maior parte dos doentes, de um quadro clínico ligeiro e recuperável em poucos dias.
Na Farmácia Vasconcelos Raposo, também em Ponta Delgada, a Directora Adjunta, Elsa Morgado, revelou ao Correio dos Açores que há mesmo falta de medicamentos específicos para esta situação.
“Há uns três, quatro medicamentos que já estão esgotados no armazém. Como há muita coisa semelhante para tratar a diarreia ou os vómitos, conseguimos fazer a substituição e não há falha de tratamento, mas há várias marcas que já se nota uma ruptura de stock”.
A Autoridade Regional de Saúde recomenda o reforço da higiene das mãos, da limpeza e desinfecção de superfícies de utilização frequente, bem como a vigilância activa do aparecimento de sintomas.
Também os estabelecimentos de restauração, cafés e actividade similares foram alertados para a necessidade de reforçar o cumprimento das boas práticas de higiene e segurança alimentar.
Não há evidência que permita associar os casos de gastroenterite à água da rede pública de abastecimento em nenhuma ilha com casos confirmados, mantendo-se a vigilância e articulação entre a Autoridade de Saúde e as entidades gestoras dos sistemas de abastecimento de água.
O norovírus é um agente de elevada propagação, podendo ser transmitido por via fecal-oral, contacto com superfícies contaminadas e, ocasionalmente, por alimentos ou água.
Vasco Blayer

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