Intervindo na conferência “Relações Transatlânticas: o Papel dos Açores”, na ilha Terceira, o Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, defendeu a necessidade de reconhecer e valorizar a centralidade geoestratégica dos Açores, como centro geoestratégico do espaço e do mar profundo, por ocasião
Segundo o Vice-Presidente, citado no Portal do Governo, “é necessário acrescentar às três dimensões dos Açores – terra, mar e ar – os domínios do espaço e a extensão da plataforma submarina, o mar profundo, onde estão naturalmente os cabos submarinos”.
Artur Lima sublinhou que o arquipélago “é o centro destes desenvolvimentos” e que, nesse sentido, esta é uma realidade geoestratégica que “tem de ser valorizada pelo Governo português, em primeiro lugar, e depois pela União Europeia e pelos Estados Unidos, além de todos os parceiros da NATO, que têm nesta ilha, e nesta Região, uma base estratégica e importante para a defesa da Europa”.
Durante a sessão de encerramento, o governante salientou que a Base das Lajes foi decisiva para o convite dirigido a Portugal para ser membro fundador da NATO, facto que “é bom lembrar ao Portugal continental e ao Portugal Europeu”.
O papel determinante e histórico da Base das Lajes será “aprofundado através do Centro Interpretativo da Base das Lajes”, afirmou, acrescentando que “a Base foi a garantia de paz na Europa durante 70 anos”.
O Vice-Presidente do executivo referiu-se à relevância histórica e à dimensão transatlântica dos Açores no Oceano Atlântico, destacando a “coragem e a determinação do povo açoriano.
“A história da nossa emigração é a prova viva da nossa vocação atlântica. a relação transatlântica dos Açores não começou nos gabinetes nem nos tratados modernos, começou na ousadia e coragem das nossas gentes e pela vocação marítima do nosso povo, estreitando a relação atlântica”, vincou.
Artur Lima lançou também um repto aos eurodeputados presentes, instando a que “reivindiquem para os Açores investimentos importantes no âmbito de infraestruturas e equipamentos de uso dual e do programa SAFE”.
O Vice-Presidente do Governo deixou ainda uma garantia: “os Açores continuarão a ter, como tiveram no passado, um papel decisivo nas relações transatlânticas”.
“No passado, fomos a ponte transatlântica através dos nossos emigrantes e somos, no presente e no futuro, o pilar de ligação entre a Europa e as Américas, materializados não só pelas rotas aéreas e marítimas, mas também pelo conhecimento do oceano profundo, pela conectividade digital tornada possível pelos cabos da Google Nuvem e SOL, e pelos desenvolvimentos no acesso ao espaço”, vincou.
Artur Lima terminou, segundo a nota publicada no Portal do Governo, referindo-se à celebração dos 50 anos da Autonomia, realçando que se continuará “em conjunto e com determinação, a defender a Região, a Autonomia e a voz dos Açores no projecto europeu e no espaço transatlântico”.
Praia da Vitória deve afirmar-se
“Praia da Vitória deve afirmar-se como plataforma estratégica aberta ao Atlântico”. Esta é a opinião defendida por Vânia Ferreira.
A Presidente da Câmara entende que a posição geográfica dos Açores, e em particular da Praia da Vitória, deve ser encarada como uma responsabilidade, uma oportunidade e uma dimensão essencial da identidade da Região Autónoma dos Açores, defendeu, esta Quinta-feira, dia 27, a Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, durante a sua intervenção na conferência “Relações Transatlânticas e o Papel dos Açores”, ocorrida em Angra do Heroísmo.
Neste encontro, a responsável municipal alertou para necessidade de cooperação entre os Governos Regional e da República e as instituições europeias e internacionais para alavancar as potencialidades da Cidade e, por sua vez, da Ilha ao nível geográfico e estratégico, dotando-a de meios, de infraestruturas e condições para o desenvolvimento socioeconómico local e regional.
“É de inegável importância a localização do arquipélago, que continua a assumir particular relevância num contexto internacional marcado por profundas transformações geopolíticas, competição económica, alterações climáticas e necessidade de reforço das redes de transporte e comunicação”, referiu a autarca.
“A Praia da Vitória tem de afirmar-se como um espaço de ligação entre o arquipélago e o mundo, apostando na economia do mar, na logística, na inovação, nas energias renováveis, no turismo sustentável e na cooperação internacional”, afirmou.
Segundo Vânia Ferreira, a centralidade do Porto e da Baía da Praia da Vitória, além das infraestruturas afectas à Base das Lajes, constitui uma oportunidade que deve ser projetada para o futuro, através de uma estratégia capaz de transformar a localização geográfica em desenvolvimento económico, atracção de investimento e criação de emprego qualificado.
“Somos conhecidos mundialmente pela nossa posição geográfica, mas não necessariamente pelo potencial estratégico que detemos, pelo que é essencial”, concretizar novas oportunidades para a cidade e para a Região” reforçou.
Entre as prioridades apontadas estão a modernização do Porto e das suas infraestruturas, criando melhores condições para o comércio, a logística e o transporte de bens, bem como a valorização da economia do mar, através da sua Zona Económica Exclusiva, e da posição dos Açores nas redes internacionais.
“Pedimos investimento, planeamento e diplomacia, mas, acima de tudo, pedimos ambição. Ambição em fazer mais, em fazer melhor, em marcar pela diferença”, afirmou.
“Este é um desafio político e estratégico que nos envolve a todos e que deverá passar por uma estratégia integrada que transforme a localização dos Açores numa verdadeira vantagem competitiva, reforçando o papel da Praia da Vitória enquanto suporte logístico e plataforma estratégica aberta ao Atlântico”, concluiu.
O encontro envolveu, além da presença do Eurodeputado Paulo Nascimento Cabral, na qualidade do promotor do evento, a participação de Devin Nunes, Presidente do Conselho Consultivo de informações do Presidente dos Estados Unidos; Sebastião Bugalho, Eurodeputado; João Aguiar Machado, Antigo Embaixador da União Europeia junto da Organização Mundial do Comércio, em Genebra, contando igualmente com Fátima Amorim, Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
