Quase três em cada dez jovens açorianos dizem ter experimentado álcool pela primeira vez aos 13 anos ou menos, enquanto este ano já foram registados 99 internamentos por dependência alcoólica nas Casas de Saúde de São Miguel e São Rafael. Os dados foram divulgados pelo Governo Regional em resposta a um requerimento do CHEGA, que alertou para o aumento da dependência entre os jovens e para a diminuição da idade dos utentes.
O Governo Regional dos Açores afirmou que tem monitorizado de perto a situação do consumo excessivo de álcool na Região, mantendo uma estratégia contínua de prevenção e articulação com as entidades competentes.
No documento, os deputados questionaram o Executivo sobre o agravamento da dependência alcoólica entre os jovens açorianos, apontando para alertas recentes dos profissionais da Unidade de Alcoologia da Casa de Saúde de São Rafael quanto ao internamento de jovens entre os 24 e os 28 anos, à diminuição da idade dos utentes e ao acentuar dos consumos entre as mulheres. O partido defendeu que, apesar dos sucessivos programas anunciados, persistem sinais preocupantes de consumo precoce e dependência, exigindo saber a dimensão real do fenómeno, a eficácia das políticas públicas, os recursos disponíveis e as medidas para inverter a tendência até 2030.
Em resposta, o Governo Regional detalhou os dados mais recentes relativos aos internamentos, revelando que no presente ano registaram-se 57 internamentos por dependência alcoólica na Casa de Saúde de São Miguel e 42 na Casa de Saúde de São Rafael, dos quais dois utentes com menos de 30 anos na instituição de São Miguel e seis na de São Rafael, contrastando com os números de 2025, que totalizaram 128 e 74 internamentos respectivamente.
No plano do acompanhamento nos serviços públicos de saúde nos últimos cinco anos, o Executivo apontou que: a Unidade de Saúde de São Jorge acompanhou 14 indivíduos com consumo excessivo no ano passado e que a ARRISCA contabilizou 56 utentes no Programa de Desabituação do Álcool e 44 no Programa de Tratamento com Antagonista do Álcool.
Por sua vez, a Associação Alternativa identificou 77 pessoas com dependência, mantendo 16 em acompanhamento clínico farmacológico, sendo que se verificaram ainda 96 entradas de jovens em serviços de urgência por consumo excessivo levando à existência de dez episódios de intoxicação e um acidente de viação associado.
Governo investiu 853.010,59€
entre 2021 e 2025 em
acções de prevenção
Relativamente aos programas de apoio e recursos afectos, o Governo sublinhou que a prevenção é assegurada pela Direcção Regional de Prevenção e Combate às Dependências (DRPCD) através de um modelo transversal, destacando iniciativas como: o programa “Eu e os Outros”, que dinamizou cerca de 70 sessões com 257 participantes no ano lectivo 2025/2026, asseguradas por 34 profissionais.
Destaque ainda para as três Equipas de Prevenção Regionais como o “Haja Saúde”, o “Mais Saúde” e o “Mais Consciente”. Segundo o Executivo, estas equipas realizaram 20 acções em contexto recreativo, nomeadamente em festivais e eventos de Verão ao longo de 47 dias de intervenção.
O Governo dos Açores também destaca a iniciativa “Se te consomes, Desliga!” e o “Sem g/L”, além disso de informar que estão a ser preparados projectos relacionados com desporto e ambiente.
No contexto escolar, o Executivo afirmou terem sido realizadas 426 acções e 4.383 sessões ao abrigo do Plano Regional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências (PRRCAD) 2021-2024, destacando que no primeiro trimestre de 2026 se realizaram 101 intervenções e 222 sessões (incluindo 46 focadas exclusivamente no álcool, com 102 sessões em 12 escolas das ilhas Terceira, Faial, Graciosa, Pico e São Miguel, abrangendo 983 alunos).
O Governo Regional revelou ainda que estas sessões permitiram chegar a 34.045 participantes, sendo que 18.498 estão integrados em acções de prevenção direccionada, correspondendo na sua maioria a crianças e jovens em contexto escolar.
Todo este esforço foi sustentado por um montante global investido de 853.010,59€ entre 2021 e 2025, distribuídos da seguinte forma: em 2021 foram 135.050,05€, em 2022 foram 132.471,86€, em 2023 foram 134.848,15€, em 2024 foram 231.961,11€ e no ano passado o valor foi de 218.679,42€.
No plano estatístico da saúde, o custo suportado pelo Serviço Regional de Saúde com internamentos, consultas, tratamentos e cuidados relacionados com o alcoolismo nos últimos cinco anos ascendeu a 3.390.273,67€.
O Executivo acrescentou ainda que a DRPCD conta com uma equipa de 9 profissionais competentes nas áreas da psicologia, sociologia, serviço social e farmácia. Por sua vez, os grupos de prevenção contam com 14 elementos especializados em nutrição, ciências sociais e humanas, reinserção social, serviços administrativos e de apoio, enquanto que as que as equipas de tratamento contam 95 profissionais com competências nas mesmas áreas.
29,1% dos jovens
açorianos consumiram álcool
pela primeira vez com 13 anos
Questionado sobre o perfil de iniciação, o Executivo apontou com base no Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e Outros Comportamentos Aditivos e Dependências, que, não existindo uma idade média fixa, 29,1% dos jovens açorianos referem ter iniciado o consumo aos 13 anos ou menos e 7,3% indiciam ter experienciado embriaguez nessa idade ou inferior.
Em matéria de fiscalização, foram efectuadas 3.305 acções à venda de bebidas alcoólicas a menores nos últimos cinco anos, resultando em 82 processos de contra-ordenação e 14.730,00 euros em coimas.
Por fim, perante o desafio do rejuvenescimento das dependências, o Governo Regional garantiu que o tema assume prioridade estratégica no novo Plano Regional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências 2026-2030, estruturado em três eixos (aumentar a informação e sensibilização, produzir materiais pedagógicos e promover acções para grupos específicos).
O Governo Regional dos Açores fixou metas claras para o futuro, ambicionando: reduzir o consumo nos jovens dos 13 aos 18 anos no último ano (de 44,7% para 39,7%) e ao longo da vida (de 52,2% para 48,2%), baixar o início precoce antes dos 13 anos de 29,1% para 26,1% e diminuir em 5% as reentradas em internamento associadas ao consumo de álcool.
Diogo Simões Pires
