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Janela Indiscreta: As palavras que vos deixo

Para:
Isabel
Benedita
Maria Gabriela
Caetana
João
Lucas
João Maria

Talvez porque a música arrastou-me, nesta manhã, carregada de incertezas e de saudades, dou-vos as palavras do meu pensar:
Todos os dias olho para os vossos retratos que me fazem companhia nos meus silêncios prolongados, permitindo-me pensar e delinear os meus dias, na incerteza, na incógnita das horas. Olho-vos nos olhos e falo-vos para que a alegria não me fuja.
Vejo nos meus 91 anos o futuro que vos espera: o mundo será muito diferente de agora.
Vejo-vos seguindo o exemplo dos vossos pais: honestos, trabalhadores e generosos.Vejo-vos despidos de egoísmos, bem preparados para enfrentarem os dias exigentes que aí vêm, num mundo de grandes confrontos: uma tecnologia de ponta, avançadíssima, com a inteligência artificial a predominar: uma linguagem para o vosso tempo, mas por ela não deveis escravizar-vos.
Não deveis nunca desistir dos vossos sonhos; eles alimentam-vos e iluminam-vos.
Viver é um grande privilégio. Não deveis desperdiçar a vida com emoções inúteis; é preciso guardar as emoções para os momentos certos.
Deveis afastar os ódios e as raivas dos vossos percursos e pensar que o mundo
só é bonito porque está habitado por seres humanos. Cada um deles tem a sua
história, por isso merecem respeito e compreensão.
Ajudem-nos a serem dignificados e admirados.
Quanto à Madeira, não se esqueçam de que os vossos antepassados, madeirenses com a alma bem mergulhada na terra, verdadeiros heróis, fizeram das rochas a ilha que somos.
Os vossos avós, com as mãos calejadas, sangrando tantas vezes, construíram os degraus que sobem as montanhas, desafiando o céu que vos cobre, o que vos deve encher de orgulho, porque vos honra.
Cabe-vos defender acerrimamente este valiosíssimo património, epopeia gigantesca e nobre de um povo que regou com o suor cada pedra transformada. Não vos esqueçais de que apenas estais aqui de passagem; nesta certeza deveis refletir sempre para que enriqueçam as vossas almas.
O grande investimento que deveis fazer é na bondade, o único que não falha nunca! Afastai de vós os orgulhos mal colocados, são altamente prejudiciais na vida.
Ovídio: «Despoja-te do teu orgulho, se logo queres ser amado.»
O amor deve presidir a todos os vossos atos; o diálogo és sempre a melhor via para esclarecer. Só devem discutir com pessoas inteligentes; os ignorantes têm sempre razão. A verdade e a coragem devem acompanhar-vos em todos os momentos.
A esta distância dos anos, são muitos, acredito que o sucesso acompanhar-vos-á sempre.
Não podem fracassar nunca. Ponham nas vossas mentes que não há situações desesperantes, nós é que desesperamos perante as situações.
Amem com toda a força os vossos pais, eles são os vossos melhores amigos e conselheiros. Não temais: contem-lhes tudo.
Eles não só compreenderão, como também vos ajudarão. O amor cura quem dá e quem recebe. Não se impacientem: para quê desesperar? O que não
tem solução está solucionado.
Tratem bem os animais. Eles têm direito, como vós, a gozarem as suas vidas.
Confúcio ensinou-nos: «Não faças aos outros o que não queres que façam a ti.»
O mundo não é feito de átomos, mas sim de seres humanos, cujas almas nunca devem estar à venda.
Na vida, o otimismo da vontade tem de sobrepor-se sempre ao pessimismo da razão. «A esperança é o sonho do homem acordado.»
Não tenhais medo. O que não se resolve hoje, amanhã encontra-se a solução justa.
Tal como se cultivam as terras para que as sementes cresçam férteis e resistentes, cultivai também os vossos espíritos, com diferentes estudos.
Quanto mais versáteis forem, melhor entenderão o mundo que vos rodeará.
Cito-vos o Profeta Isaías: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz sobre os que habitavam a terra de sombras, da morte resplandeceu uma brilhante luz.
Se por acaso a escuridão vos invadir, não a temais, haverá sempre um raio de luz que vos iluminará e vos conduzirá, de novo, ao caminho da luz e da esperança.»
Poderia deixar-vos mais ideias, porém sei que, futuramente, como pessoas de bom senso, os vossos pais, seres humanos maravilhosos, amando-vos, orientar-vos-ão a descobrirem a beleza da vida, na sua verdade e plenitude. Quando forem crescidos, tenho a certeza de que os vossos pais mostrar-vos-ão este meu testemunho no «Correio dos Açores».
Não tenho bens materiais (partirei como cheguei), deixo-vos estas palavras cheias de muito amor e esperança.
E se um dia, por um acaso, com saudades chorarem por mim, reguem com as vossas lágrimas a alegria, para que essa floresça sempre e não vos abandone nunca.
Queridos Isabel, Benedita, Maria Gabriela, Caetana, João, Lucas e João Maria, claro que tenho pena de não vos ver, alunos brilhantes, nas Faculdades por vós escolhidas, mas não tenho dúvidas de que vós sereis capazes e ajudareis a construir um Mundo melhor.
Amo-vos muito.
O Avô João Carlos

A COLOCAÇÃO DOS CARTAZES POLÍTICOS FORA DAS CAMPANHAS ELEITORAIS
De repente, o cidadão entra na cidade e encontra nos postes de iluminação pública dezenas de cartazes políticos, o que, naturalmente, indigna os que têm com a urbe uma relação familiar. É como se tivéssemos em plena campanha eleitoral.
Não há dúvidas de que esta espécie de poluição visual, em nada beneficia a cidade, cujo Município tem procurado, todos os dias, alindá-la para que os munícipes e forasteiros possam dela desfrutar, nas suas ruas, praças e jardins.
Não acredito que esta espécie de propaganda tenha resultados benéficos. O que sei é que muitos portugueses estão cansados deste bombardear propagandístico constante.
Em muitos países da Europa, mesmo na altura de eleições, já não se fazem campanhas através de cartazes nas ruas. Passa-se tudo nas televisões: debates esclarecedores que muito ajudam os eleitores.
Em Portugal, temos a sensação de estarmos sempre em campanha eleitoral! Não há muito a fazer nesta situação; a lei permite que se possam colocar nos postes de eletricidade e em outros locais públicos este tipo de propaganda política.
São muitos os cidadãos que põem a pergunta: por que é que as Câmaras Municipais não retiram os cartazes?!
Infelizmente, os Municípios não podem ir contra a lei que permite que, mesmo fora das campanhas eleitorais, se possa inundar os locais públicos com propaganda política.
Por: João Carlos Abreu

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