Meus Queridos! Estava com uma dor ciática daquelas que nos põem de lado e, por isso, não me foi possível ir às comemorações realizadas na Horta pelos cinquenta anos da Autonomia. Certamente estiveram por lá muitos políticos, desde Deputados a antigos Presidentes da Assembleia Legislativa, e não terão faltado presenças importantes, tanto de quem ainda está no activo como daqueles que, ao longo destes cinquenta anos, exerceram funções e deram o seu contributo à nossa Autonomia. Naturalmente, também se terá sentido o vazio daqueles que, infelizmente, já partiram para a grande viagem do Além.
As cerimónias dos cinquenta anos da Autonomia não ficam por aí e, certamente, ainda teremos muitas ocasiões para recordar estes cinquenta anos de história, com os seus bons e maus momentos, os seus protagonistas, as suas conquistas e também as suas maleitas. Porque, meus Queridos, cinquenta anos dão para muita história e, como bem sabemos, nesta terra há sempre quem tenha alguma coisa para contar… e alguma coisa para acrescentar!
Ricos! Então não é que os Açores conseguiram cumprir as metas do PRR e ainda acabaram com 918 milhões de euros mobilizados, mais 221 milhões do que estava inicialmente previsto? Eu, que não percebo nada destas contas de milhões, percebo pelo menos que, quando se dizia que isto não ia dar certo, havia muita gente já a preparar o caixão para enterrar o PRR antes de ele morrer. Agora que chegou ao fim e dizem que os marcos e as metas foram cumpridos, alguns ficaram tão caladinhos que até parece que perderam a voz! Ricos, eu cá acho que quando se faz uma previsão e ela sai ao lado, o mínimo que se pode fazer é reconhecer o erro. Não custa nada e ainda fica bem. Porque isto de estar sempre à espera que as coisas corram mal para depois dizer “eu bem avisei”…e como é sabido trata-se de uma cantiga velha e estafada… E quando afinal corre bem, há quem desapareça mais depressa do que queijo numa mesa de festa!
Meus Queridos! Entretanto a SATA continua a dar-nos assunto e, pelos vistos, ainda vai dar muito mais que falar, depois de ter sido anunciado que a Azores Airlines teve 37,1 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre deste ano, embora em nome da verdade tenha conseguido reduzir as perdas em cerca de 3,9 milhões face ao mesmo período do ano passado. Mas é preciso não esquecer que os custos com combustível aumentaram 29% e o número de passageiros transportados caiu 7%. Ora, meus Queridos, isto das companhias aéreas é uma coisa muito complicada…. Quando o prejuízo diminui, há quem diga que é uma boa notícia… mas quando os passageiros diminuem, há quem diga que é uma má notícia. Ou seja, quando o combustível aumenta, todos dizem que é uma péssima notícia, e eu cá por mim fico a pensar que, a SATA está a emagrecer ou está apenas a fazer uma dieta que custa milhões! O que eu sei pela “boca” da minha amiga que é sabida nessas coisas da aviação, é que os açorianos precisam de aviões, precisam de lugares e precisam de preços que não nos façam pensar duas vezes antes de sair da ilha. Porque viajar para o continente não pode continuar a parecer uma excursão para a Lua!
Meus Queridos! Os problemas não ficam por aqui, porque logo vem a história do leite, que é uma coisa séria, porque aqui não estamos a falar de políticos a discutir quem disse o quê, mas de gente que acorda cedo, para tratar dos animais e trabalha todos os dias para pôr comida na mesa…. As notícias desta semana voltaram a dar conta de novas descidas no preço do leitinho pago aos produtores açorianos, levando vários produtores da Terceira,… a lamentarem pelos quatro cantos da Ilha de Jesus, porque consideram que o preço de venda que lhes é oferecido é o “preço mais baixo conhecido na Europa”. Meus queridos… eu cá não percebo como é que o leite consegue sair da vaca com um preço e chegar depois à prateleira com outro que parece vindo de outra galáxia! O produtor aperta o cinto, a vaca dá o que pode, e o consumidor continua a pagar… Meus Queridos, qualquer dia ainda temos de começar a perguntar à vaca se também está a perceber estas contas, porque eu da minha parte, “juro” que já não consigo perceber. E olhem que, quando não se gosta da conversa, ainda de repente uma vaca pode dar um coice que vaia longe. Ricos… Talvez fosse bom que alguns políticos e responsáveis dos sectores que se apresentam castigados por falta de condições para venderem em condições os produtos do seu trabalho aprendessem com os animais que são importantes para a vida das pessoas. Tenham tino, que é coisa que vai faltando!
Meus Queridos! Como certamente se lembram, ainda foi há pouco tempo que a “Covid” andou a espalhar por todos os lados por onde passava deixava os aromas da doença, depois denominados por “Covid” muitos deles que iam até à morte… de milhares de pessoas que partiram desta para o além sem pedirem e muitos sem idade para tal. Agora, chegou a vez do surto da diagnosticada gastroenterite que anda por vários cantos das ilhas, … e desta feita, depois de ter estado no Faial, ela chegou a São Miguel, e quase ia dando cabo da grandiosa festa do Senhor Bom Jesus da Pedra, em Vila Franca do Campo… Na segunda-feira, por exemplo, o arraial esteve mesmo por um fio, dado que o grupo folclórico da Casa do Povo da Ponta Garça, que estava anunciado para animar a noite, teve de cancelar a actuação porque uma boa parte dos seus elementos foi atacada pelas famosas “corridas à casa de banho”. E diga-se de passagem: não é preciso ser médico para perceber que, quando o rancho começa a correr… mas é para outro lado, não há folclore que aguente. No caso, valeu o belíssimo grupo Vozes do Mar do Norte, que veio de Rabo de Peixe e salvou o arraial da segunda-feira, com aquelas vozes afinadinhas, pois estavam salvaguardados dos desarranjos, dos males de barriga e outras melancolias intestinais. E assim, a majestosa escadaria da Matriz de São Miguel Arcanjo voltou a encher-se de gente, com centenas de pessoas sentadas, outras a passear pelas barraquinhas, enquanto locais, turistas e emigrantes se juntavam numa bonita noite de convívio. Porque festa do Senhor Bom Jesus da Pedra sem gente, música e alegria não é festa, mas sim, apenas um ajuntamento à espera que alguém toque o sino. O Senhor da Pedra voltou a mostrar que é feito de boa fibra e as suas grandiosas festas continuam com todo o seu esplendor, afirmando-se, ano após ano, como uma das maiores e mais bonitas festas dos Açores. Agora é só pedir ao Bom Jesus da Pedra uma coisa: que para o ano haja muita música… e pouca gastroenterite, e tenho de lembrar que a missa dominical que foi transmitida na RTP/Açores e que chegou a Portugal foi uma missa de “peso” como se diz cá nas Ilhas!
Ricos! O presidente do Chega tinha dito terça-feira passada, que o seu partido ainda não tinha tomado uma decisão sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo, e ao mesmo tempo voltou a acusar o ministro da Administração Interna eivado de “arrogância”, contestando as declarações no Funchal, do Ministro Luís Neves que as considerou “inqualificáveis… Para André Ventura tentar arranjar novas matérias para atirar ao Ministro e mas parece que durante a noite, André Ventura “andou aos zigue zagues sem ter tido respostas capazes durante as entrevistas que foi dando nas Televisões…. e acabou por fim remeter o anúncio para confirmar (ou não) a intenção do seu partido avançar com a moção de censura na quarta-feira. Porém, e tal como está registado, antes de ter esgotado a matéria da entrevista, terminou alegando que “Ainda não tomámos uma decisão sobre isso”, depois de André Ventura ter estado em todas as televisões que o convidaram para… em tempo de férias, terem matéria para de certo modo conseguirem que as televisões transmitissem de televisão em televisão incluindo a RTP, qual seria o “combate que iria acontecer entre o Chega e o Ministro da Administração Interna. Nada teve o fim que era esperado por muita gente e “sua” excelência do Chega depois acabou por remeter “para uma quarta-feira” uma posição sobre a matéria… e na sexta-feira, depois do Chega ter “espalhado” por todo o sitio que iria apresentar uma moção de censura se o Ministro Luís Neves, que tem andado “encalhado” nos “ossos que ele juntou quando era o Inspector da Policia Judiciária”, e se não viesse a sair do Governo, o Presidente do Chega no final da “romaria” que fez pelas televisões e à falta de melhor anunciou que ainda queria antes, voltar a falar com o Presidente da República, e ouvir as explicações que o ministro tinha prometido dar, e não deu… André Ventura aproveitou a “ vaga” anunciando nas televisões…que iria reunir-se com os Deputados e os órgãos do partido Chega, para tomar a decisão…. e depois dos espectadores terem aguardado o desfecho, da “carochinha” vão agora aguardar o debate na Assembleia da República entre o “Chega” e o Ministro da Administração Interna para saber-se quem tem razão.
Ricos: A minha sobrinha-neta levou-me à Feira de Santana e, quando lá cheguei, deparei-me com o recinto tão apinhado de gente de todas as raças e feitios, que mais parecia a própria Babilónia. Entre bancas, compras e muita animação, gostei imenso de ver os novos comunicadores das redes sociais a fazerem livres para a nossa diáspora e para o mundo. É bonito ver a nossa terra e os nossos produtos a chegarem tão longe. E para além do vinho doce, tão característico desta época, que também não deixei escapar, fiquei encantada com os bolos lêvedos feitos à moda antiga, ali na sertã. Posso garantir-vos: o sabor é muito melhor do que o daqueles que agora se fabricam industrialmente. E convém lembrar que os bolos lêvedos já não são exclusivos das Furnas: fazem-se em muitas outras localidades, cada uma com a sua maneira e sem necessidade de patente…. Foi uma manhã muito bem passada na Feira de Santana… Até uma jovem americana, cujo nome infelizmente não fixei, teve a gentileza de me oferecer uma das lindas flores que tinha na sua banca. Saí de lá feliz, de mãos e olhos cheios, e já com vontade de voltar. É que os produtos estavam mesmo fresquinhos, bonitos e com aquele ar apetitoso de quem está pronto para ir direitinho para uma refeição à moda antiga. Aconselho-vos: vão à feira… mas levem a carteira e algum autocontrolo. Porque vontade de trazer tudo para casa não falta…..
Ricos: Sabem muito bem que não sou mulher de me meter em políticas, mas não levo à paciência o facto de tanto se badalar que o Governo Regional não teria pedalada para cumprir as metas do PRR e eis senão quando chega o fim do prazo para a execução dos 900 milhões de euros em investimentos, distribuídos por todos os Açores, e aparecem agora a berrar os mesmos profetas da desgraça. Em vez de se congratularem pelo facto de os Açores terem conseguido chegar até aqui, estão alarmados e com fortes dúvidas em relação ao impacto real do Plano de Recuperação e Resiliência falhando na transformação estrutural e na inovação da economia. Vêm até duvidar da nossa capacidade para manter os novos equipamentos, dizer que ainda faltam cumprir reprogramações e sei lá mais o quê. Ricos, tenham dó, ao menos haja um bocadinho de tino e bom senso ,em vez de andarem sempre no bota-abaixo do costume… ricos! Saibam reconhecer e congratular-se quando as coisas correm bem, porquanto uma coisa é fazer política; outra é não conseguir dar o braço a torcer quando há motivos para dizer: afinal, conseguiram. Não sou mulher de andar nas políticas nem nas politiquices, mas também não sou mulher de ficar calada perante tanta má vontade e sobretudo má-língua … está meus queridos?
Ricos! E agora até a rede móvel resolveu entrar na conversa! Os partidos que sustentam o Governo Regional querem um levantamento actualizado da cobertura de rede móvel nas estradas regionais e municipais dos Açores, com identificação das zonas onde o sinal é insuficiente. E eu acho muito bem, porque há sítios nesta terra onde o telemóvel tem mais dificuldade em encontrar rede do que certos políticos têm em encontrar entre eles os consensos que cabe à politica fazer-se! Uma pessoa vai pela estrada, pega no telefone e fica ali a olhar para o ecrã como quem espera por uma aparição: uma barrinha, duas barrinhas… e depois nada! Mas olhem que isto tem o seu lado positivo. Há zonas onde o sinal é tão fraquinho que até os problemas ficam sem conseguir chegar a quem de direito…. O pior é quando precisamos mesmo de telefonar… Aí já não há santo que nos valha… Por isso, Ricos, tratem da rede, porque nos Açores já temos ilhas suficientes… e o que não precisamos é de ter também ilhas dentro do telemóvel!