E porque existem patamares competitivos diferenciados, o director técnico da Associação de Futebol de Ponta Delgada diz, que “nunca será possível anular por completo as goleadas”.
Está nos seus planos alterar o modo de competição nos campeonatos de Sub-15, de Sub-17 e de Sub-19, por forma a evitarem-se as fortes goleadas nas primeiras fases?
“Temos feito primeiras fases com apenas uma volta, por forma a diminuir o número de goleadas e encontrar com maior rapidez os níveis competitivos de cada equipa, mas nunca será possível anular por completo as goleadas, que existem em todos os patamares competitivos e em todas as realidades, inclusive nacionais e internacionais”.
Porque não há uma fase experimental para aquelas categorias etárias, com as melhores quatro equipas do “ranking” dos últimos cinco anos, por exemplo, jogando a quatro voltas, descendo o último e subindo o primeiro do grupo formado pelas equipas mais fracas?
“Todos os anos procuramos e estudamos soluções para equilibrar as competições, mas também temos de ter cuidado para não criar elites quase estanques e criar ainda maiores desequilíbrios e desníveis entre os clubes. Todos os anos reunimos e ouvimos os clubes e procuramos encontrar soluções para as nossas competições, que as tornem mais justas, equilibradas, mas também acessíveis a todos e que promovam a equidade”.
Em seu entender, porque a base é muito participada com centenas de crianças e de adolescentes, mas no meio e no topo da pirâmide há um acentuado decréscimo, ao ponto de os clubes com equipas seniores terem de requisitar jogadores do exterior dos Açores?
“Eu penso que esta situação é normal e transversal a todas as realidades, não só nos Açores. A partir de determinada idade vêm as tecnologias, outros interesses, etc. Relembro que a oferta competitiva alternativa e lúdica atual é muito maior do que a que havia há 20 anos atrás e essa é uma realidade que temos de aceitar. No caso dos juniores e seniores, temos cada vez mais alunos em cursos de ensino superior, sobretudo para fora da Região, e que também empobrecem as nossas competições. O importante será continuar a trabalhar no sentido de tornar o futebol uma prática desportiva saudável e benéfica para o desenvolvimento dos jovens, por forma a que estes não abandonem a mesma”.
“Estudamos a nova época sénior”
O campeonato da ilha de São Miguel sénior vai contar com sete equipas. Sendo certo que há cinco clubes no campeonato açoriano e um no campeonato de Portugal, é um aviso de crise de jogadores ou da incapacidade dos clubes face aos custos com equipas seniores que não contam com apoios oficiais?
“Honestamente, penso que o número médio de equipas seniores (nos diferentes campeonatos) nos últimos anos está de acordo com a nossa realidade”.
Se nesta época não há necessidade de alterar o início do campeonato, geralmente em novembro, como irá proceder no apuramento das três melhores equipas do campeonato de 2027/28 de forma a encaixar, talvez 18, 20 ou 22 jornadas entre meados de setembro e as duas primeiras semanas de dezembro, para o “regional” arrancar em Janeiro?
“É uma situação que tem toda a nossa atenção e estamos a estudar e a trabalhar em soluções, também em função dos possíveis clubes que teremos na próxima época, e que a seu tempo serão discutidas e trabalhadas com os clubes nas reuniões técnicas”.
“Abolição de resultados em futsal”
O futsal tem apresentado melhorias…
“Em relação ao futsal, gostaria de ressalvar a melhoria dos resultados nos torneios interassociações nacionais, nomeadamente com os Sub-13 a vencerem a Liga Prata, sub15 em segundo lugar do bronze e as meninas (Sub-17) a conseguirem uma boa prestação na liga Prata também.
Há um caminho a percorrer, mas pensamos que também no futsal tem havido a preocupação de analisar as características próprias da modalidade e encontrar estratégias específicas em articulação com os clubes, nomeadamente a introdução dos “playoff” nas competições e a abolição de resultados no escalão de benjamins.
Um bom indicador é o aumento do número de equipas seniores para a época que se avizinha: nove.
Há sempre espaço para melhorias, mas acima de tudo temos procurado reflectir e encontrar soluções, com a participação activa dos clubes, nas muitas reuniões técnicas que temos realizado nos últimos dois anos, procurando encontrar soluções que permitam que a evolução da prática desportiva do futebol e futsal nas ilhas de São Miguel e Santa Maria, apesar de todas as dificuldades inerentes à nossa realidade”.
José Silva
“Não foi uma decisão técnica”
O Campeonato de Futebol dos Açores mantém o mesmo modelo competitivo nesta época e em 2027/28, contrariamente ao que tem sido dito e escrito. A diferença é que em vez de 10 serão oito as equipas participantes. Continuarão a jogar todas contra todas a pontos e em duas voltas. Outra diferença, que já motivou criticas, é de baixarem todos os clubes, excepção do primeiro que ascende ao Campeonato de Portugal. Antes o número de descidas variava entra dois e até cinco clubes como aconteceu.
A principal novidade, que não está relacionada com disputa do campeonato açoriano, é a fórmula de apuramento. Passa a anual, contando com três equipas da Associação de Futebol de Ponta Delgada, o mesmo número da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e duas da Associação de Futebol da Horta.
As declarações de Pedro Bermonte são elucidativas quanto à desejada melhoria da prova.
Concorda com a redução de 10 para 8 clubes no Campeonato de Futebol dos Açores?
Aquilo que posso dizer, enquanto Diretor Técnico, é que essa redução não teve como principal objectivo melhorar o enquadramento competitivo da prova.
E com o método de apuramento, com nove equipas nesta época e sete nas seguintes a descerem, retirando entusiasmo, interesse e até a verdade desportiva?
É como digo, não foi uma decisão técnica, mas estamos atentos e vamos procurar soluções para a realidade que nos aguarda.
E um campeonato açoriano com 12 clubes não seria o ideal?
Percebo a pergunta, mas não me parece realista, nesta fase em que passamos de 10 para 8 equipas, falarmos em campeonato com 12 equipas.
“Equipa feminina compete nos masculinos”
Sobre o futebol feminino no âmbito da Associação de Futebol de Ponta Delgada, Pedro Bermonte apontou as dificuldades para as atletas a partir dos 15 anos de idade e deixou uma novidade.
– O futebol feminino tem sido uma aposta da Federação e na ilha de São Miguel há uma tentativa de o promover. As praticantes com menos idade vão jogando nas equipas mistas, mas, depois, tem havido dificuldade em formar equipas seniores. Que estratégia para surgirem mais equipas do último nível etário?
Eu acho que a preocupação maior é com a fase intermédia. O misto é uma tremenda mais valia para a evolução das meninas, mas após o misto há uma espécie de hiato onde as meninas não têm espaço competitivo real entre os 15 e os 17 anos. Este ano vamos ter uma equipa de juvenis (totalmente feminina) a competir no campeonato de sub14. Parece-me o nível competitivo adequado para potenciar a sua evolução. Vamos continuar a procurar soluções para a evolução das nossas jovens, por forma a não se “perderem” no seu percurso desportivo e conseguirmos ter mais meninas a chegar ao escalão sénior e dessa forma também termos mais equipas seniores.
– Parece que nesta época não há equipas seniores para as provas locais e apenas na IV divisão nacional. Justifica-se andar na última divisão?
Penso que esta época vamos ter duas equipas no campeonato de ilha e outras duas na IV divisão. É uma divisão recém-criada, na lógica de pensamento das selecções penso que é benéfico termos equipas a competir de forma regular a nível nacional.
