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Luís Neves diz que só deixará o Governo quando “o primeiro-ministro entender”

Segundo a notícia da “Euronews”, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou ontem que a sua permanência no Governo dependerá da decisão do primeiro-ministro, durante a audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
Questionado pelo deputado do Chega Pedro Pinto sobre quando pretende abandonar o cargo, depois de o parlamentar considerar que o ministro “não tem condições nem credibilidade” para liderar a Administração Interna, Luís Neves respondeu: “Quando é que me vou embora? Quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender”.
De acordo com a “Euronews”, o ministro reiterou estar disponível para prestar esclarecimentos “em local próprio” e recusou antecipar o resultado dos inquéritos e investigações relacionados com as polémicas que envolvem o período em que dirigiu a Polícia Judiciária (PJ).
Durante a audição, Luís Neves começou por fazer um balanço dos últimos meses à frente do Ministério da Administração Interna, defendendo a necessidade de colocar “mais segurança no terreno”, modernizar os instrumentos de segurança e reforçar a capacidade do Estado.
Sobre a segurança em Lisboa e no Porto, reconheceu que os cidadãos reclamam mais meios policiais e considerou que “isso é legítimo”. Contudo, sublinhou que a PSP enfrenta falta de efectivos e defendeu uma reorganização dos recursos disponíveis. Só em Lisboa, pretende libertar 400 polícias de funções administrativas, num total de 500 agentes que deverão ser colocados no trabalho operacional.
“Não se trata de reduzir a presença, mas concentrar recursos para garantir uma melhor resposta”, afirmou.

“Nunca haverá zero crimes”

A “Euronews” refere que o ministro abordou também os fenómenos criminais que têm suscitado preocupação, nomeadamente o denominado “gang do Rolex”. Luís Neves afirmou que os problemas de segurança “não devem nunca ser desvalorizados”, mas defendeu que os dados não sustentam um cenário de insegurança generalizada.
“Nunca haverá zero crimes”, afirmou, acrescentando que um aumento da criminalidade pode também resultar de uma maior proactividade das forças de segurança.
Relativamente aos aeroportos e às fronteiras, Luís Neves disse ter encontrado uma situação de “grande instabilidade”, que, segundo afirmou, é actualmente substancialmente diferente. O ministro garantiu que, desde domingo, a recolha de dados biométricos está a ser realizada a 100%, sem perturbações, graças ao reforço dos recursos humanos e da cooperação, tendo os tempos de espera diminuído significativamente.
Na área da segurança rodoviária, destacou a aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária 2030, destinada a reduzir o número de mortos e feridos graves, que recebeu mais de 60 contributos de diferentes instituições. Salientou ainda o regresso da Brigada de Trânsito da GNR.

Área ardida 74% abaixo de 2025

Segundo a “Euronews”, no combate aos incêndios rurais, Luís Neves destacou o reforço do dispositivo e afirmou que a área ardida até ao momento é 74% inferior à registada no mesmo período de 2025. Cerca de 95% dos incêndios, acrescentou, foram dominados na fase inicial, resultado que atribuiu ao trabalho dos bombeiros.
Sobre o SIRESP, o ministro afirmou que, após o apagão de 2025, foi nomeada uma nova direcção e está em curso uma renovação técnica do sistema, num investimento de 35 milhões de euros. Segundo Luís Neves, a rede teve este ano um desempenho “notável” durante os grandes incêndios, sem queixas dos utilizadores.
Para os próximos anos, defendeu um planeamento plurianual dos meios da GNR e da PSP e destacou que 2026 é o primeiro ano, nos últimos 15, em que a PSP abriu dois concursos, numa tentativa de rejuvenescimento dos efectivos.

Ministro garante disponibilidade
para escrutínio

A “Euronews” diz que Luís Neves abordou ainda as polémicas relacionadas com a sua passagem pela direcção da Polícia Judiciária, afirmando estar “inteiramente disponível para o escrutínio”.
O ministro admitiu que alguma decisão possa vir a ser considerada errada, mas sublinhou que caberá às autoridades competentes fazer essa avaliação. Garantiu, contudo, a lisura da sua conduta e afirmou que nenhuma das decisões tomadas teve como objectivo o enriquecimento próprio ou de terceiros, nem prejudicar o interesse público.
Entre os casos sob investigação estão suspeitas de irregularidades em obras realizadas numa propriedade de Luís Neves, em Odemira, por um empreiteiro que venceu 17 contratos de obras para a PJ. Está também em causa a entrega ao mesmo empreiteiro de um atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga, bem como a utilização, pelo actual ministro, de um veículo apreendido num processo relacionado com o traficante conhecido como “Xuxas”.
Os três casos estão a ser investigados pelo Ministério Público. Existem ainda processos no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja e no Tribunal de Contas relacionados com a actividade de Luís Neves enquanto director nacional da PJ.
A audição parlamentar decorreu antes do debate e votação da moção de censura apresentada pelo Chega ao Governo. O chumbo da iniciativa está garantido, sendo esta a terceira moção de censura enfrentada pelo executivo de Luís Montenegro. A situação política ocorre num contexto marcado pelas polémicas em torno do ministro, que deram origem a três inquéritos-crime, um processo no Tribunal de Contas e uma investigação administrativa.

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