MUITA VEZES a pressão não nasce dentro das quatro linhas. Nasce nas bancadas, nos grupos de mensagens e nas comparações permanentes entre clubes, equipas e gerações. Nasce, frequentemente, na ansiedade dos adultos relativamente ao futuro das crianças.
OS PAIS querem ver os filhos jogar, evoluir e vencer. É natural. O problema surge quando cada convocatória, cada substituição ou cada resultado passa a ser interpretado como decisivo para o futuro. A formação exige tempo, paciência e capacidade para compreender que o desenvolvimento raramente segue uma linha reta.
A HISTÓRIA DO FUTEBOL mostra-nos que o talento não evolui ao mesmo ritmo para todos. Jovens que se destacam cedo nem sempre chegam mais longe, enquanto outros revelam o seu potencial mais tarde. Por isso, avaliar atletas apenas pelos resultados imediatos, continua a ser um erro frequente.
TAMBÉM OS TREINADORES vivem um dilema difícil. Sabem que devem preparar jogadores para o futuro. Mas continuam, muitas vezes, a serem avaliados através da classificação.
E QUANDO UM TREINADOR é avaliado pelos resultados, tende naturalmente a tomar decisões orientadas para ganhar. Não porque seja menos competente, ou menos comprometido com o desenvolvimento. Simplesmente porque é humano.
É AQUI QUE SURGE uma das maiores responsabilidades da liderança. Os dirigentes devem criar culturas que valorizem o desenvolvimento acima do resultado imediato. Devem definir critérios claros sobre aquilo que consideram sucesso, e garantir que toda a organização compreenda essa visão (continua).
Por: Rogério Oliveira
Gaia/Vila do Paraíso,
Agosto de 2026