29 jovens, 14 de São Miguel e 15 de Cascais, iniciaram a sua participação no projeto-piloto de empregabilidade “VAIVÉM”, através do qual vão ter a oportunidade de desenvolver uma experiência de aprendizagem em contexto de trabalho, neste caso de estágio, e em mobilidade.
Este projeto destina-se a jovens entre os 18 e os 29 anos de idade que não estejam a estudar, trabalhar ou a frequentar formação e é promovido pela TESE – Associação para o Desenvolvimento pela Tecnologia, Engenharia, Saúde e Educação, no âmbito da iniciativa Gulbenkian EMPREGAR, e co-implementado na Região Autónoma dos Açores pela APPJ – Associação de Promoção de Públicos Jovens em Risco, com o apoio do Governo dos Açores.
Durante o encontro com os jovens, que decorreu ontem na freguesia da Relva, na ilha de São Miguel, Maria João Carreiro enalteceu o formato e os objectivos deste projecto-piloto, que combina preparação, acompanhamento individual, desenvolvimento de competências, contacto com diferentes contextos profissionais e apoio na construção do percurso que se seguirá ao projecto.
“O ‘VAIVÉM’ representa aquilo que deve estar no centro das políticas públicas: dar oportunidades concretas a quem, por diferentes razões, ficou afastado da escola, da formação ou do mercado de trabalho”, frisou a Secretária Regional da Juventude, Habitação e Emprego, para defender que “os jovens devem entender que o seu ponto de partida não determina o seu ponto de chegada”.
Integram este projecto de promoção da empregabilidade 15 jovens de Cascais, cuja mobilidade em São Miguel arrancou na passada Quarta-feira, e se estende até ao próximo dia 9 de Novembro, e 14 jovens de São Miguel, cuja mobilidade para Cascais decorrerá entre 1 de Outubro e 30 de Novembro.
“O ‘VAIVÉM’ procura chegar a esses jovens de forma próxima e personalizada”, enalteceu Maria João Carreiro, salientado que esta é uma oportunidade não apenas para os jovens participantes reforçarem as suas competências essenciais à empregabilidade e reforçarem a sua capacidade de adaptação, mas também para as empresas e entidades envolvidas nas diferentes fases do projecto.
Segundo a governante, a dimensão piloto do “VAIVÉM” permite ainda testar, em escala limitada, uma metodologia inspirada em experiências europeias e recolher informação sobre a sua adequação à realidade regional e ao território, com jovens açorianos que tendem a não aceder aos programas convencionais de mobilidade, formação ou aproximação ao mercado de trabalho.
Foi com este entendimento que a Região decidiu apoiar os três projectos com intervenção nos Açores apresentados no âmbito da iniciativa Gulbenkian EMPREGAR, complementando as medidas regionais já existentes e numa lógica de aproximar as políticas públicas regionais dos jovens que mais necessitam de apoio, diversificar as respostas e avaliar os resultados alcançados.
A Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego, através da Direcção Regional de Qualificação Profissional e Emprego, apoia o “VAIVÉM” com 55,5 mil euros, através de contrato-programa com a APPJ para financiamento das despesas elegíveis da componente executada.
Pedro Gomes, Presidente da APPJ, começou por explicar como seria o dia de ontem aos jovens, uma vez que teriam três momentos importantes. “O dia de hoje será dedicado a estes jovens. Temos este momento de reunião, depois temos um momento de conversa com o Director Regional, que está aqui presente, e depois teremos um momento de actividades e dinâmicas entre os dois grupos”.
“A APPj, tem quase 20 anos de saber, de conhecimento e de acompanhamento a jovens. O nosso barro são as histórias dos jovens, que ajudamos a moldar a sua própria história”, sublinhou.
Para Pedro Gomes, “o VaiVém desafia os jovens a saírem da sua zona de conforto, e isto é importante. Também os desafia a terem mais experiências, para ficarem mais ricos e ganharem mais estratégias, alargando a sua zona de conforto. Agradeço à TESE e à Secretaria por terem acreditado em nós para a realização deste projecto. É preciso ter muita coragem, como estes jovens têm, para sair da sua zona de conforto e ir para um lugar onde não conhecem e não têm raízes. Acredito que este dia será muito gratificante para eles”.
Expectativas altas
no desenvolvimento de capacidades
Cristina Horta, coordenadora do projecto VaiVém em São Miguel, explicou, em primeiro lugar, em que consiste realmente o projecto VaiVém. “Este é um projecto de mobilidade que permite que os jovens de São Miguel e de Cascais vão residir e ter uma experiência de estágio de dois meses para outra zona, ou seja, os jovens de São Miguel vão para Cascais durante dois meses ter esta experiência de mobilidade e depois os jovens de Cascais vêm para São Miguel para ter esta mesma experiência”.
De acordo com a coordenadora: “isto é mais do que um projecto de mobilidade. O coração e o chamariz para esta experiência é mesmo a questão do intercâmbio. Mas o projecto é muito mais que isso, ele promove muitas competências de empregabilidade, mas promove também muitas competências pessoais e sociais”.
Cristina Horta sublinhou ainda que este projecto não é só sobre mobilidade. “Este projecto é composto por três fases: a primeira que é a fase da preparação, onde apoiamos os jovens neste desenvolvimento de competências e em construir ferramentas que lhes permitem viver a segunda fase, a de mobilidade, de uma forma mais sustentável e com maior confiança. Temos depois a fase dois, a de mobilidade, que é a alma do projecto e depois temos a fase pós-mobilidade onde os jovens vão reflectir sobre as experiências que adquiriram e as aprendizagens e vão tentar projectar quais são os próximos passos para o seu futuro”.
“Todos os jovens que chegaram ontem, já têm uma integração nas empresas. Este foi um processo que fomos fazendo ao longo de dois meses, mas as iniciativas de estágios foram bem recebidas por parte das empresas e conseguimos boas parcerias para integrar estes jovens.
Temos jovens que vão fazer estágio no apoio à infância, nos ATL’s da Câmara de Ponta Delgada, depois temos alguns jovens que apostaram na área de marketing e relações públicas, um na área da terceira idade, e na área de publicidade. Alguns jovens não vão trabalhar nas áreas em que demonstraram interesse maior, pois há empresas que não os podem os podem receber nesta altura.
Este projecto tem muito o alinhamento de arranjarmos empresas consoante os três interesses principais dos jovens, a nível profissional. Quando o primeiro tem algum constrangimento, nós passamos para o restante do top 3”, disse.
Segundo a coordenadora, “os jovens de São Miguel vão para Cascais no dia 1 de Outubro e regressam no dia 30 de Novembro. Estão a acabar agora a fase de preparação e depois vão embarcar nesta aventura no próximo dia 1 de Outubro. O projecto engloba jovens dos 18 aos 30 anos, que estavam numa situação de desocupação ou que estavam a terminar as suas qualificações escolares, e neste sentido tínhamos alguns casos que estavam a acabar os seus cursos profissionais e que iriam ficar desempregados a partir de Julho, que foi quando se iniciou o projecto”.
Carmen Gonçalves, coordenadora do VaiVém na TESE, sublinha que os jovens de Cascais estão muito entusiasmado com a possibilidade de passar dois meses cá. “Acima de tudo há muito entusiasmo. Ontem foi o inicio dessa aventura, desta grande etapa que é a mobilidade, e portanto, para além do muito entusiasmo, há muita expectativa em relação ao estágio propriamente dito, que é o motivo que nos trás cá. Também há muito entusiasmo em conhecer a ilha, as paisagens e o outro grupo de participantes. Acima de tudo há muito boa energia e um entusiasmo muito grande para começar a viver esta experiência”.
No final destes dois meses, prosseguiu, “a expectativa é que estes jovens tenham desenvolvido mais competências pessoais e sociais, tenham maior experiência profissional no mercado de trabalho e depois, no final do projecto, já tenham maior consciência e definição daquilo que é o seu objectivo profissional, ou seja, que já saibam qual é o caminho que querem seguir: se é trabalhar, se estudar ou até fazer as duas coisas ao mesmo tempo e em que áreas. A expectativa é que alterem a sua situação profissional em comparação com a situação à qual chegaram ao projecto”.
Questionada sobre em que situação se encontravam os jovens, Carmen Gonçalves afirmou que “estes jovens estavam numa situação NEET, ou seja, não se encontravam nem a trabalhar, nem a estudar ou em formação. O projecto tem como objectivo fazer a mudança desta situação e que estes jovens passem a integrar o mercado de trabalho”.
“Foi fácil convence-los a vir, especialmente porque candidatou-se quem quis. Todos estes jovens estão aqui voluntariamente, porque daquilo que leram na nossa divulgação fez-lhes sentido e estão connosco desde o momento da candidatura, desde Maio ou Junho”, disse.
Quando inquirida sobre a possibilidade de se realizarem mais programas destes, a coordenadora mostrou cautela. “Acima de tudo vamos aguardar pelos resultados deste projecto. Claro que há vontade de replicar, continuamos a acreditar muito nesta metodologia de mobilidade, enquanto metodologia muito propícia ao desenvolvimento de competências, mas vamos aguardar pelos resultados. Temos muita motivação e vontade para continuarmos”.
Expectativas grandes
para o estágio em Cascais
Cintia Arruda, de 25 anos, faz parte do grupo de jovens açorianos que irá fazer o seu estágio em Cascais e está com muito boas expectativas quanto ao seu estágio. “Espero que as expectativas continuem a ser boas, tal como têm vindo a ser até agora e que se estendam até ao final do projecto. Neste momento estou desempregada, e vou para Cascais fazer este estágio de dois meses. Vou estagiar na área de biblioteca e espero que corra tudo bem”.
Já Derlei Santos, de 23 anos, sublinha que “neste momento estou empregado, mas é temporariamente até ir fazer o programa do projecto VaiVém. Irei fazer o estágio de massagem e estética. É a minha área de estudo, e como é uma área de que gosto bastante, optei por fazer o estágio mesmo nesta área”.
O jovem espera “que consiga ganhar experiência em Cascais e que possa aprender cada vez. Vou com a expectativa de aprender coisas novas e, também, poder conhecer pessoas novas, para além de poder divulgar o trabalho que tenho feito. Senão fosse este projecto, quando acabasse o trabalho que tenho, iria ingressar no Estagiar T. Mas antes, optaria para Lisboa para fazer o lançamento do meu segundo livro”.
O calor que se faz sentir e
a vontade em explorar a ilha
Madalena Cardinali, de 18 anos, começou por enaltecer as diferenças que existem entre São Miguel e Cascais. “Chegamos ontem (quarta-feira) à ilha e está muito calor. É tudo muito a subir e em rampa, em Cascais é tudo mais recto. Eu já tinha estado cá, a minha mãe gosta muito de São Miguel, mas também não tivemos muito tempo para explorar. Vamos ficar cá dois meses.
Eu ainda não tenho o estágio definido, mas a área onde gostava de trabalhar era a de Turismo, uma vez que tirei o curso tecnico-profissional de Turismo, em Lisboa, por isso vai ser a área que eu pretendo seguir”.
“A ideia que tinha era de tentar ser guia em alguma empresa, para tentar conhecer mais e trabalhar na área que gosto. Quero ser comissária de bordo, mas no aeroporto era mais difícil e como tenho interesse em todas as áreas de turismo, espero trabalhar numa delas. Sempre trabalhei enquanto estudava, e depois de aparecer o projecto sai do meu emprego, mesmo só para poder fazer parte do VaiVem. Quando voltar irei iniciar o curso de comissária de bordo e seguir esta área”, disse.
Madalena sublinha ainda o entusiasmo que os jovens de Cascais demonstram em estar cá. “Ainda não tive muita oportunidade de conviver com as pessoas que fazem parte do grupo de São Miguel, mas, do grupo de Cascais, uns estão a querer conhecer-se melhor, outros também aproveitaram para viajar pois nunca tinham saído de Lisboa. Eu gostava de ter feito Erasmus na escola, mas, infelizmente, não consegui. Acho que será uma experiência boa embora seja a trabalhar e não a estudar. Vejo toda a gente muito animada”.
Para Leonel Correia, de 19 anos de idade, esta “é uma oportunidade que apareceu num momento muito complicado da minha vida. Acho que me ajudou bastante e, talvez depois do projecto, possa fazer a formação que quero fazer, mas ainda estou indeciso. Quero acabar os estudo em outra área para ter equivalência ao 12º ano, mas neste Verão ainda estava à procura de me encontrar e acho que o projecto veio no momento certo. Quero acabar advocacia e aqui vou trabalhar com idosos e fazer trabalhos com crianças”.
“Já tenho estágio e vou trabalhar num lar. Foi o melhor que me podia acontecer. Prefiro trabalhar mais com idosos do que com crianças, por isso vamos ver como corre”, afirmou.
Leonel espera ter a oportunidade de conhecer e explorar melhor a ilha. “É a primeira vez que estou cá. Gostei do que vi, apesar da aterragem ter sido muito turbulenta (risos). Está muito calor e a maior dificuldade foi quando fomos passear ter muitas rampas. Fizemos uma boa caminhada, o cheiro é muito diferente do de Cascais, foi algo que sentimos logo quando chegamos e é tudo muito verde. Estou com muito boas sensações, e acho que vai correr muito bem. Estaremos cá durante dois meses, portanto ainda temos tempo para explorar a ilha toda.”
Frederico Figueiredo
