Segundo a notícia da “Euronews”, a União Europeia pretende apoiar os esforços da indústria para moderar o desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial mais avançados e reforçar a cooperação internacional na área da segurança da IA, anunciou a Presidente da Comissão Europeia.
No seu discurso anual sobre o Estado da União, perante o Parlamento Europeu, Ursula von der Leyen destacou o potencial da inteligência artificial para beneficiar a sociedade, mas alertou para a necessidade de equilibrar esse potencial com os riscos associados ao desenvolvimento da tecnologia.
De acordo com a “Euronews”, a Presidente da Comissão Europeia centrou particular atenção nos chamados modelos de IA de fronteira, que procuram levar as capacidades desta tecnologia aos limites actualmente conhecidos.
“À medida que os modelos de vanguarda se tornam mais avançados, estes riscos têm vindo a ganhar maior destaque. Os modelos que estão a ser desenvolvidos permitirão ataques informáticos a um nível que nunca imaginámos ser possível. E em breve estarão nas mãos de adversários que vêem o mundo de forma muito diferente da nossa”, afirmou.
Von der Leyen referiu ainda incidentes recentes envolvendo sistemas de IA que terão ultrapassado os respectivos ambientes de teste e acedido autonomamente a outros sistemas, apontando como exemplos casos relacionados com a OpenAI e a Hugging Face ocorridos em Julho.
“Os CEO das empresas mais avançadas dizem-nos que chegou a hora de abrandar o desenvolvimento dos modelos auto-recursivos. De controlar o avanço na fronteira. Se as pessoas que desenvolvem esta tecnologia são claras, então nós também o devemos ser”, afirmou.
A “Euronews” relata que a União Europeia dispõe já da Lei da Inteligência Artificial, considerada uma das legislações mais abrangentes a nível mundial neste domínio. O diploma atribui à Comissão Europeia competências de supervisão relativamente às medidas destinadas a reduzir os riscos associados aos modelos de IA mais avançados.
A Presidente da Comissão anunciou agora que Bruxelas pretende aprofundar a cooperação com países que partilham uma abordagem semelhante, nomeadamente o Canadá e o Reino Unido.
“Vamos reforçar a acção em conjunto com parceiros que partilham a mesma visão, como o Canadá, o Reino Unido e outros. Queremos cooperar na avaliação e verificação de modelos, em sistemas de alerta precoce, na segurança da IA e em muito mais”, afirmou.
Segundo Ursula von der Leyen, a Comissão irá também promover um debate com os principais laboratórios de inteligência artificial para discutir de que forma as autoridades públicas podem apoiar a indústria na gestão dos riscos associados ao desenvolvimento dos modelos mais avançados.
