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Aerograma – Guerra de Angola … Heróis Para Sempre

No dia da “Raça”- 10 de Junho de 2026- irá ser comemorado desde os Açores até à “última fronteira” na distante e “tão perto” California.
Anos sessenta do século passado.
A invasão da India Portuguesa tinha acontecido há um ano.
O Portugal Imperial, do Minho a Timor, iniciava o seu estertor.
Para Angola e em força. Eram as ordens do Presidente Salazar.
Cantava-se “Angola é nossa … é nossa”. E rufavam os tambores, não às ordens dum qualquer general, mas dum antigo Lente de Universidade de Coimbra.
No quartel dos Arrifes três jovens “prontos” preparavam-se para passarem à “peluda”, como se diz na gíria, isto é, iam para a disponibilidade e voltar à “vida civil”, onde os esperavam o amanho das terras ou o caminho da emigração, como acontecia com centenas dos patrícios Açoreanos.
Mas estavam prontos, sim prontos para Angola e em força, que o Professor de Santa Comba Dão, “ não era de por água a pintos”.
Que o digam as outras centenas de cidadãos da Pátria amada, que enchiam os calabouços da polícia política que o defendia, sim porque o Estado era ele, o Professor pobre, sim, e modesto, mas era ele que mandava. Ponto final. Sem parágrafo.
Eis os Heróis anónimos, mas para um rapaz de onze anos, eles os seus primos, por afinidade ou pelo sangue, eram os maiores, com medalhas ou sem medalhas, todos nados e criados na sua Água Retorta:
– Ângelo de Aguiar;
– Manuel Redondo Cabral;
– Venâncio de Melo.
Eles de fardas cinzentas, que sua avó, tia de um deles, ajudava também a ficarem “prontas”.
Regressaram de amarelo vestidos. Depois de “tudo” ainda tiveram tempo para trazerem umas cânforas, que os poucos angolares, para mais não davam. Calhou-lhe uma “lapiseira”.
O Venâncio e o Ângelo, já partiram para a eternidade.
Mas deixa lá está, Amigo, um dia destes, ele pessoalmente te entregará “em mão” este aerograma com estas mal “alinhadas linhas”.
Ainda, não há muitos anos, numa vinda do Canadá, para onde emigrou à procura de melhor vida, o seu primo Ângelo, com uma lágrima, falava-lhe do “Salga”, morto ao seu lado, na picada, que o capim encobria.
Chegou altura de pedir perdão a todos aqueles, não só os da sua geração, como a todos, desde Angola, Vietname, Guiné etc.
Nos chamados ”teatros de guerra” (curiosa alegoria), que quase suplicam para não abordarem a “Guerra”, tal são as memórias horrendas de “infernos na terra”, por eles vividos.
Por isso uma gratidão enorme aos Escritores, que o Mundo já consagrou, como o João de Melo ou o António Lobo Antunes.
Curiosidade, ou talvez não, um Enfermeiro e outro Médico. Ambos com missões em Angola.
É com o Manuel Redondo Cabral que tem mantido mais conversa, uma vez que é em Água Retorta que reside, depois de também já ter sido emigrante, como os outros dois companheiros de “campanha”.
“Picado” por ele, e por vezes por uma mal disfarçada lágrima, temperada com o sal que só “ela” transporta, lá voltem, “volta e meia” à “picada”, que de voltas tinha muitas, mas eram nas curvas, que a morte “emboscada” os espreitava.
A “ Pedra Verde”, Nambuangongo, o “ lendário “ Tenente – Coronel Maçanita, que recorda como um grande condutor de homens.
Os corpos caídos dos camaradas, os canhangulos e as catanadas surgidas a poucos metros, os gritos, a fome, as fardas encharcadas até aos ossos, os aerogramas inacabados, as sepulturas improvisadas ali mesmo, as preces mais sentidas do que ditas…
Este aerograma, também é para ti, caro LUIS, que a 10 de Junho do longínquo ano de 1580, morrias.
Depois de deambulares pelas estreitas vielas de Lisboa, apenas com a Pátria no teu coração.
Mestre da Língua, aqui fica o perdão por tão mal a tratar, nestes tão desajeitados rabiscos.
Licença para te citar, com esta sublime e imortal frase, homenagear todos os Heróis de Sempre.
Luís Vaz Camões, certo que não te importas de incluir neste número “infinito” de heróis, estes seus patrícios, cujos nomes atrás destacados.
“ Aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”.
Por: António Benjamim

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