A inscrição da equipa sénior para esta época esteve em risco. Em causa a divida de 6 900€ do Clube Operário Desportivo à Associação de Futebol de Angra do Heroísmo pelo não pagamento das quotas, das organizações dos jogos e das multas.
Gilberto Branquinho não gostou do procedimento do presidente da entidade que teve a seu cargo, na época passada, a responsabilidade da prova regional.
Surpresa deve ter sido a divida à Associação de Futebol de Angra do Heroísmo pelo não pagamento das taxas dos jogos e de arbitragem da época passada do Campeonato de Futebol dos Açores na ordem dos 7 mil Euros?
“Associação de Futebol de Angra do Heroísmo foi pouco sensível ao não concordar em retirar parte das multas aplicadas. Deixou a equipa do Operário competir no Campeonato de Futebol dos Açores sem receber atribuindo as multas sobre multas que sancionou o clube. Permite ficarmos com ideia de ter uma forma de rendimento com multas, multas e mais multas. Não concordou em estabelecer um acordo de pagamento com esta comissão. Acabou por ser parceira, uma época inteira, de algo que agora foi ressarcida com uma verba que cresceu na tesouraria.”
O Operário teve mesmo de pagar para inscrever jogadores para a equipa sénior que lhe permite disputar as provas associativas. Como ultrapassou este obstáculo porque o presidente da AF Angra foi intransigente em não conceder pagamentos faseados?
“Simples. Pagamos os 6 900 Euros.”
“Mauricio Toledo ignorou-me”
Não esperava o procedimento do presidente da Associação de Angra, Mauricio Toledo?
“Ele tem a razão do seu lado. Agora não esperava a forma como procedeu connosco. Tentei falar com ele e ignorou-me completamente. Uma grande falta de respeito.”
Por outro lado, tem recebido apoios de alguns elementos da Lagoa. Têm sido colaborantes ou já não é como antigamente, ajudando o clube de forma descomprometida?
“No percurso das nossas vidas nada é como dantes. Começa no berço e na forma como se nasce. Temos de nos adaptar.”
O comportamento da população em relação ao clube alterou-se, havendo um maior distanciamento, menos presença e desinteresse aquando dos jogos. Verificou essa mudança, transversal em outras colectividades dos Açores?
“Sim, é uma realidade. Vamos fazer tudo para que os lagoenses voltem, instituindo o fervor clubista. Não esquecer que o emblema tem a cruz de Cristo… e diz muito.”
“Políticos interessam-se
pelos números”
A sensação para quem está de fora é de que não tem havido o apoio esperado da Câmara da Lagoa. É apenas sensação ou a realidade?
“Os clubes de futebol já são vistos de outra forma pela classe política. A paixão por um estandarte local ter catapultado vezes sem conta a Lagoa já deixou de ser importante. É fruto das políticas actuais. Agora o que interessa são os números de praticantes. Seja em que modalidade for e na actividade que seja executada.”
Ficou com a responsabilidade do futebol sénior. A principal meta era a de conseguir inscrever a equipa no Campeonato de Futebol dos Açores. Pelo que lhe conheço, sendo um homem de lutas e de conquistas, indo quase até ao infinito, ao não alcançar o pretendido foi uma frustração. Considera uma derrota pessoal?
“Não. Sendo uma comissão, julgo que tomamos a posição correcta.”
Dos vários contactos e reuniões que manteve, alguns foram com investidores. Não deu o passo em frente porque percepcionou serem frágeis as promessas e as garantias?
“Exactamente. No futebol tudo é pouco claro. Todavia, as equipas que querem sonhar têm de arriscar.”
O anúncio da desistência do campeonato regional foi em cima da meta. Manteve a esperança até ao último minuto?
“Mantivemos. Esta comissão é composta por gente de causas e resilientes.”
“Apertar o pulso
ao jogador açoriano”
Formar uma equipa sénior para as provas internas da ilha de São Miguel acabou por ser a solução. Pode considerar-se um mal menor?
“Certo. Vamos começar de onde já estivemos. Vamos novamente apertar o pulso do jogador açoreano e perceber o que evoluiu nestes anos todos. Não esquecer que em valores competitivos e mentais, o futebol tem componentes específicos. É também uma oportunidade para verificar o que nos traz a certificação implementada.”
Jadilson Oliveira é o treinador escolhido. É o homem certo para o projecto em curso?
“Tem tudo neste momento para ser a escolha certa. A comissão apostou nele. Estamos em sintonia.”
A adesão de atletas dispostos a integrarem a nova fase da vida do Clube Operário Desportivo tem sido muita, mesmo sabendo da não existência de subsídios. No início surgiram 32 praticantes disponíveis. Houve uma perceptível selecção baixando o número. Surpreendê-lo a adesão?
“A elevada adesão foi uma verdadeira surpresa. Só temos de estar gratos.”
Embora haja membros ligados aos escalões de formação, estão satisfeitos com o aparecimento de jovens para as várias equipas ou na cidade da Lagoa e nas freguesias vizinhas existe uma quebra de praticantes de futebol, fenómeno que atinge outros locais dos Açores nomeadamente a partir dos sub 15 anos?
“A prática desportiva no concelho da Lagoa está muito alargada a outras modalidades. Por outro lado atendendo às condições é tudo muito amador. Não há investimento para propor melhorias de rendimento nos jovens e nos seniores. É o que sinto.”
José Silva
