Segundo a notícia da “Euronews”, encher o depósito de um automóvel nunca foi tão caro, em média, na União Europeia, segundo dados da Comissão Europeia que remontam a mais de duas décadas. Aos preços médios mais recentes, abastecer um depósito de 50 litros custa cerca de 103 euros com gasolina e 108 euros com gasóleo.
Os preços de venda ao público dos combustíveis dispararam desde o início do conflito no Médio Oriente, agravando as pressões inflacionistas. A inflação da energia na zona euro subiu para 14,3% em Agosto, face aos 10,3% registados em Julho, segundo o Banco Central Europeu (BCE).
De acordo com a “Euronews”, a 14 de Setembro, um litro de gasolina custava, em média ponderada, 2,063 euros na União Europeia, enquanto o gasóleo atingia 2,159 euros por litro. Ambos os valores são os mais elevados da série da Comissão Europeia, iniciada em 2005.
O anterior máximo da gasolina tinha sido registado em 2022, enquanto o gasóleo apenas se tinha aproximado do actual nível em Abril deste ano.
Os preços apresentam diferenças significativas entre os Estados-membros. A gasolina é mais barata em Malta, a 1,34 euros por litro, e mais cara na Dinamarca, a 2,56 euros. No caso do gasóleo, os valores variam entre 1,21 euros por litro em Malta e 2,51 euros na Finlândia.
Os dados constam do mais recente Boletim Semanal do Petróleo da Comissão Europeia, publicado a 17 de Setembro com base nos preços reportados para 14 de Setembro. Os valores incluem impostos.
Crude e refinação
pressionam preços
Segundo a “Euronews”, os preços dos combustíveis têm vindo a subir há meses, desde que a guerra com o Irão eclodiu no final de Fevereiro e perturbou os fluxos de energia através do Estreito de Ormuz.
A referência internacional Brent para o crude ultrapassou os 126 dólares por barril no auge do conflito e, na Sexta-feira, negociava acima dos 104 dólares por barril para entrega no mês seguinte. Antes da guerra, o Brent custava cerca de 72 dólares.
Os fornecimentos de crude à Europa enfrentam novas perturbações depois de a empresa saudita Aramco ter informado pelo menos duas refinarias europeias de que, em Outubro, não receberiam petróleo ao abrigo de contratos de longo prazo.
A decisão surge na sequência de um ataque ao principal oleoduto do reino para o Mar Vermelho, segundo a Bloomberg, que cita fontes conhecedoras da decisão e afirma que esta se aplica a todos os compradores europeus.
Mas o preço internacional do crude não é o único factor que está a pressionar os preços da gasolina e do gasóleo. Os custos e as margens de refinação também aumentaram de forma significativa.
As margens de refinação correspondem à diferença entre o custo do petróleo bruto e o preço dos produtos refinados, como a gasolina e o gasóleo.
Especialistas do BCE disseram à Euronews Business que as margens da gasolina já terão atingido o seu máximo, enquanto as margens do gasóleo deverão atingir o ponto mais elevado em Outubro.
“Olhando em frente, com base nos futuros de gasóleo refinado da LSEG em 16 de Setembro, espera-se que a margem do gasóleo atinja o pico em Outubro. Com base nos futuros de gasolina refinada da LSEG em 16 de Setembro, as margens da gasolina atingiram o pico em Agosto”, afirmaram os especialistas à “Euronews Business”.
Desde o início de 2026, o preço médio ponderado da gasolina na União Europeia aumentou cerca de 29%, enquanto o gasóleo subiu quase 40%.
Impostos representam
parte significativa do preço
A “Euronews” relata que a subida dos preços do crude tem também contribuído para o aumento da inflação energética na zona euro e no conjunto da União Europeia.
Segundo um blogue do BCE publicado em Julho, os aumentos do preço do petróleo bruto tendem a repercutir-se integralmente nos preços dos combustíveis antes de impostos num prazo de um a dois meses. Os governos podem, contudo, atenuar temporariamente esse impacto através de medidas como a redução dos impostos sobre os combustíveis.
Nas contas do BCE relativas a Julho, o petróleo bruto representava menos de um quarto do preço pago nas bombas na zona euro. O restante correspondia a custos e margens de refinação e distribuição, impostos especiais sobre o consumo e IVA, o que ajuda a explicar as diferenças significativas entre os países.
Os mesmos dados indicavam que, em Julho, os impostos especiais sobre o consumo e o IVA representavam, em conjunto, cerca de 44% do preço do gasóleo na zona euro e 52% do preço da gasolina.
Os especialistas do BCE consideram que as margens de refinação estão actualmente a contribuir de forma significativa para o preço do gasóleo.
“Nesta fase, estimámos que, na terceira semana de setembro, as margens de refinação contribuíram, respetivamente, com 0,41 € por litro (19% do preço nas bombas) e 0,17 € por litro (8%) para os preços de venda ao público do gasóleo e da gasolina na zona euro”, afirmaram.
A “Euronews” refere que o BCE alertou, no seu comunicado de política monetária publicado a 10 de Setembro, para a possibilidade de novas subidas dos preços da energia.
“Novas perturbações no abastecimento de energia podem fazer com que os preços da energia subam ainda mais e durante mais tempo do que actualmente se prevê”, indicou o banco central.
Os especialistas do BCE consideram que o fim do conflito no Médio Oriente, a normalização dos fluxos de energia e a recuperação da actividade de refinação seriam determinantes para uma descida dos preços dos combustíveis.
“Para que os preços da gasolina e do gasóleo recuem, o factor-chave seria o fim da guerra no Médio Oriente, a normalização dos fluxos através do Estreito de Ormuz e a recuperação da actividade de refinação à escala global, permitindo reconstruir as reservas de petróleo”, explicaram.
A “Euronews” afirma que uma normalização destas condições poderia provocar uma descida rápida dos preços do petróleo bruto e dos combustíveis vendidos ao público. No entanto, perturbações na capacidade de refinação russa poderão manter as margens elevadas mesmo que o conflito no Médio Oriente seja resolvido.
