O estado do tempo beneficiou sobretudo o crescimento das pastagens e o desenvolvimento das culturas do milho, mas a elevada humidade aumentou a pressão de doenças fúngicas na vinha, contribuindo para quebras estimadas entre 5% e 30%. A cultura da banana manteve-se “dentro do normal” na generalidade das ilhas, embora São Jorge, Santa Maria e Pico tenham sido afectadas por pragas.
Durante o mês de Agosto, à semelhança do mês anterior, as condições meteorológicas verificadas foram “bastante favoráveis” ao crescimento das pastagens, tendo-se registado uma “produção abundante” de erva em todas as ilhas. Consequentemente, as condições alimentares do gado “mantiveram-se boas”, permitindo ainda a ensilagem de uma “quantidade significativa de excedentes”.
Segundo os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), Agosto caracterizou-se por condições meteorológicas relativamente quentes, com temperaturas médias do ar “superiores aos valores normais” para a época em todas as ilhas.
Para além disso, registou-se um elevado número de noites tropicais, caracterizadas pela “persistência” de temperaturas elevadas durante o período nocturno.
Os totais mensais de precipitação situaram-se “próximos do normal” para o mês em questão, tendo o maior desvio positivo ocorrido na ilha do Pico e o maior desvio negativo na ilha de São Miguel.
O SREA explica, de igual modo, que, entre os dias 5 e 6, o arquipélago foi afectado pela passagem de uma depressão meteorológica, que provocou períodos de chuva, vento forte e trovoada. Durante este episódio foram detectadas 666 descargas eléctricas, a maioria das quais nas ilhas do Pico, Faial e São Jorge. Segundo a mesma fonte, apesar das condições meteorológicas adversas associadas à passagem desta depressão, não foram registados prejuízos significativos nas culturas das ilhas mais afectadas.
Em Agosto, o valor da temperatura média do ar variou entre 22,5 ºC na ilha Terceira e 23,7 ºC na ilha do Corvo. A temperatura mínima mais baixa foi de 15,9 ºC, na ilha do Pico, enquanto a máxima mais elevada atingiu os 30,4 ºC, na ilha do Faial.
Quanto à precipitação, o valor mais elevado dos totais mensais foi registado na ilha do Pico, com 75,2 mm, e o valor mais baixo na ilha Graciosa, com 18,0 mm.
Influência “muito positiva”
na cultura do milho
Neste mês, o estado do tempo exerceu uma influência “muito positiva” na cultura do milho, tanto para forragem como para grão. Ambas as culturas apresentaram um muito “bom desenvolvimento vegetativo”, prevendo-se uma produção “superior ao normal” nas ilhas do Faial (+20%), São Jorge e Pico (+10%), bem como na ilha Graciosa no caso do milho forragem (+10%).
Nas restantes ilhas, espera-se uma produção “dentro dos parâmetros considerados normais”.
Comparativamente com o ano anterior, para ambas as culturas do milho, esperam-se “níveis de produção superiores” nas ilhas de São Jorge (+25%), Faial (+20%) e Pico (+10%). Na ilha Graciosa, estima-se que apenas o milho forragem apresente uma produção superior à do ano anterior (+10%), enquanto o milho grão deverá registar uma produção sensivelmente idêntica à de 2025.
Nas restantes ilhas, perspectiva-se, tanto para o milho forragem como para o milho grão, uma produção idêntica à obtida no ano anterior.
Humidade levou a maior pressão
de doenças fúngicas na vinha
A cultura do chá continuou a beneficiar das condições meteorológicas favoráveis, apresentando um bom desenvolvimento vegetativo. Mantém-se a previsão de uma produtividade dentro dos parâmetros considerados normais, semelhante à registada no ano anterior.
A vinha apresentou bom aspecto vegetativo, mas as condições de elevada humidade favoreceram uma maior pressão de doenças fúngicas. Embora estas doenças se encontrem maioritariamente controladas, o seu impacto “deverá reflectir-se na produção final”, mantendo-se, em todas as ilhas, uma previsão de uma produção “inferior ao normal e inferior ao ano anterior”, com quebras estimadas a variar entre 5% e 30%.
De salientar, ainda, que, em algumas zonas, os cachos apresentavam pouca uniformidade no amadurecimento dos bagos, o que “não favorece a realização da colheita”.
Cultura da banana dentro do normal, mas três ilhas afectadas por pragas
A cultura da banana exibiu um desenvolvimento “dentro do normal” na generalidade das ilhas, com excepção de São Jorge (-20%) e Santa Maria e Pico (-5%), devido, sobretudo, ao ataque de pragas.
Em comparação com o ano anterior, prevê-se uma produção sensivelmente igual na generalidade das ilhas, com excepção de São Jorge (-15%) e Pico (-5%).
Neste mês, o estado do tempo teve ainda uma “influência positiva” na cultura da batata do tarde, prevendo-se, em todas as ilhas, uma produção “dentro dos parâmetros considerados normais e semelhante à produção obtida no ano anterior”. JHA
