A comunidade da freguesia de Nossa Senhora dos Remédios, Lomba do Loução, Povoação, realizou ontem uma manifestação no Salão de São José, em frente à igreja paroquial da freguesia.
Fonte próxima da manifestação afirmou ao nosso jornal que a mesma “é feita porque estamos a falar de uma Ouvidoria que vem estando fragilizada há algum tempo. Neste momento o Ouvidor da Povoação também não tem tido as atitudes mais correctas para com as suas paróquias, e neste caso, para além da Paróquia da Nossa Senhora dos Remédios, também as Paróquias do Faial da Terra e Água Retorta, têm se sentido abandonadas por esta Ouvidoria, e a realidade é que muitos de nós encontramos afecto e apoio no Padre Fábio”.
De acordo com a mesma fonte, “o Padre Fábio, muitas vezes, resolveu situações ou assuntos que seriam da responsabilidade do actual Ouvidor. A saída de um Padre, cujo nome não vou referir, deixou a população muito fragilizada. Foi um Padre que, na minha opinião e na opinião de praticamente toda a Paróquia, não conseguiu executar o seu trabalho pastoral. Também criou muita instabilidade nas pessoas e teve atitudes que penso ser condenáveis. Após a saída deste Padre, a freguesia, que já se encontrava fragilizada, pensou encontrar alívio no próximo Parco”.
“Contudo, nos últimos três anos esta estabilidade nunca chegou. Eram Padres e Diáconos a entrar e a sair, a freguesia sendo uma localidade de cariz mais sénior, empenhava-se em fazer sessões de boas-vindas, mas também celebrações de partida. Estamos a falar de algo que era constante. Quando o Diácono, na altura, Fábio Silveira, chega à nossa freguesia, falando numa parte mais pessoal, transformou-se num amigo. É alguém que não se preocupou apenas em dizer a Missa, mas em reconstituir a comunidade. Foi por este lado que o Padre Fábio tem tanto sucesso no seu trabalho e causou um grande impacto na nossa freguesia. Ele conseguiu reunir o que se havia dissipado, mesmo apesar de ser muito jovem. É um Padre que pode ser aproveitado em qualquer Paróquia, uma vez que sabemos todos o estado em que se encontra a nossa Religião, mas a falta de Padres não pode ser justificação para tudo”.
Questionada se a comunidade irá aceitar o novo Padre, a fonte foi peremptória: “Claro que sim! Iremos acolhê-lo como sempre fizemos e será bem recebido como todos os outros o foram. Mas esta manifestação não é sobre a mudança de Padre”.
Acho que cabe ao Bispo de Angra ter um momento de reflexão. Não estamos a inquirir a sua decisão, mas estamos a inquirir a forma como as coisas foram feitas. Foram feitos vários ofícios, várias redacções e foram realizadas inúmeras tentativas de reunião com o Bispo, tanto por parte da Câmara Municipal, como da Junta de Freguesia e até em nome individual, mas sempre sem resposta.
A falta de respostas e
a manifestação pacífica
A fonte confirmou que já sabiam que o Padre Fábio iria para outra Paróquia. “O comunicado feito e lido pelo Padre Fábio foi feito no início de Julho e, desde então, que estamos a tentar fazer estas tentativas de reunião com o Bispo. Na minha humilde opinião, o Bispo deveria ter respondido a algumas destas tentativas, deveria ter se dirigido à nossa Paróquia porque sabia que a população estava aflita e num momento de aflição não nos soube ouvir nem dar a mão. A realidade é que nos sentimos abandonados e é este o motivo que mais nos revolta”.
Inquirida sobre porque fazem a manifestação, a fonte afirmou que “a manifestação é de cariz pacifico e é contra a saída do Padre Fábio, contra a falta de presença do Bispo na nossa Ouvidoria, contra a Ouvidoria da Povoação que, para muitos de nós, neste momento, não se encontra bem representada. Há uma falta de firmeza na nossa Ouvidoria e esperemos ter um comunicado oficial e digno por parte do nosso Bispo. Apesar de sermos uma terra pequenina, fazemos parte do todo”.
A meu ver, prosseguiu a fonte, “o Bispo já deveria ter tido esta maturidade de se dirigir à freguesia e não o quis fazer. O Faial da Terra, em Setembro, celebrou 500 anos da história e devoção da Igreja da Nossa Senhora da Graça e, contando com a presença da nossa figura mais alta a nível religioso, o mesmo não compareceu, mandou um representante seu, e decidiu ir às festas do Senhor Santo Cristo em Brampton. Dirigiu as festas aos nossos emigrantes, nada tenho contra os emigrantes e muito os aprecio, mas estamos a falar de 500 anos de história. Nem nesta altura ele tece coragem de se dirigir a nós. É um sentimento de revolta e de abandono”.
A resposta da Diocese de Angra
Em comunicado, que transcrevemos abaixo, a Diocese de Angra já se pronunciou sobre a saída do Padre Fábio Silveira.
“A Diocese de Angra agradece as manifestações de estima e apreço pelo trabalho realizado pelo padre Fábio Silveira na ouvidoria da Povoação, em particular nas comunidades a que mais se dedicou. Esse reconhecimento é, também, um sinal de que o seu ministério foi vivido com dedicação e ao serviço do Evangelho e das comunidades.
A Diocese espera que a mesma estima, acolhimento e espírito de comunhão sejam manifestados ao novo pároco, padre Silvano Vasconcelos, que chega para continuar, com todos, a missão pastoral da Igreja nesta comunidade e nas demais para as que foi nomeado, em espírito de corresponsabilidade.
Importa recordar que os sacerdotes são ordenados para servir onde, em cada momento, são mais necessários, integrando as nomeações no projecto pastoral da Diocese, que procura sempre responder às necessidades das comunidades e servir o Reino de Deus. Do ponto de vista organizativo e pastoral, é prática nas dioceses que a primeira nomeação de um sacerdote não seja realizada na comunidade onde este desenvolveu o seu estágio pastoral enquanto diácono.
O estágio existe para proporcionar experiências diversificadas que o preparem para a sua primeira nomeação que, para o padre Fábio Silveira, acontecerá com a sua ida para a Ouvidoria das Flores.
A Diocese compreende o desejo das comunidades que ele serviu como já exprimiu na carta lida nas Eucaristias dos dias 11 e 12 de Julho e agradece a todos a forma como têm acolhido e acompanhado os seus sacerdotes.
Que este momento seja vivido com serenidade e confiança em Cristo, o Bom Pastor que prometeu dar sempre pastores à Sua Igreja. Que seja também uma oportunidade para pedir vocações sacerdotais numa altura em que o número de novos padres diminui.
Domingo próximo tomará posse o novo pároco que as comunidades bem conhecem e que aí fez igualmente um belíssimo trabalho num ano de passagem. Irá servir as comunidades por um período de seis anos”.
