Depois da Revolução dos Cravos a 25 de Abril de 1974, Portugal entrou num período muito instável chamado PREC – Processo Revolucionário em Curso.
Houve tensões políticas fortes entre a esquerda e a direita e ocorreram episódios que podem ser classificados como violência política e até terrorismo.
As Forças Populares 25 de Abril eram um grupo de extrema-esquerda activo sobretudo no ano de 1980 e seguintes, ligadas a sectores revolucionários que achavam que o 25 de Abril “não foi longe o suficiente”.
Realizaram assaltos, atentados à bomba e execuções e foram responsáveis por várias mortes, nomeadamente dezassete.
Otelo Saraiva de Carvalho um dos líderes do 25 de Abril esteve associado ao grupo, mais tarde julgado por esse facto.
Do outro lado, havia o Movimento Democrático de Libertação de Portugal, ligado à extrema-direita.
Surgiu no pós-25 de Abril, com apoio de sectores conservadores e anti-comunistas associado a António de Spínola.
Movimento que esteve envolvido em atentados bombistas e acções violentas sobretudo em 1975.
Tinha como objectivo travar o avanço da esquerda revolucionária.
Também foi frequentemente descrito como tendo recorrido ao terrorismo político.
Então houve “terror” após o 25 de Abril?
Sim, embora não no sentido de um regime de terror como numa ditadura.
Aconteceram atentados à bomba e assassinatos políticos.
Tratavam – se de grupos armados clandestinos e com tentativas de golpe e contra-golpe.
Foi um período de quase guerra civil, especialmente entre 1974 e início dos anos 80.
O pós-25 de Abril foi instável e violento em certos momentos, tanto da extrema-esquerda (FP-25) como da extrema-direita (MDLP), recorrendo à violência de terror.
Tratam – se de episódios que actualmente são geralmente classificados como terrorismo político em democracia nascente.
Após a Revolução dos Cravos ocorrida a 25 de Abril de 1974, Portugal viveu um período turbulento, conhecido como Processo Revolucionário em Curso, marcado por forte instabilidade política, confrontos ideológicos e episódios de violência.
Houve “terror” após o 25 de Abril?
Depende do que se entende por “terror”.
Não houve um regime de terror organizado como em ditaduras clássicas, mas existiram episódios de violência política, sobretudo entre 1974 e 1980.
Esses episódios incluíram confrontos entre grupos de esquerda e direita.
Para além das bombas e atentados, ocorreram ocupações de terras e fábricas, assim como tensões dentro das próprias Forças Armadas.
O MDLP foi um grupo clandestino de extrema-direita criado em 1975, ligado ao general António de Spínola, antigo presidente da República pós-revolução.
O MDLP opunha-se ao avanço do comunismo em Portugal e esteve associado a acções violentas, incluindo atentados à bomba e actuava principalmente no norte do país.
Fazia parte de um conjunto de grupos anticomunistas, como o ELP – Exercito de Libertação de Portugal.
Essas acções contribuíram para um clima de medo em certas regiões, embora não constituíssem um “terror generalizado” a nível nacional.
A esquerda revolucionária também pressionava com nacionalizações e ocupações.
A direita reagia, por vezes com meios ilegais e violentos.
O país estava dividido ideologicamente durante a Guerra Fria.
Aconteceram violências políticas e acções que podem ser consideradas terroristas, incluindo por parte do MDLP.
Não se tratou de um período de “terror” sistemático comparável a regimes autoritários.
Foi antes um momento de forte conflito político e social na transição para a democracia.
A organização terrorista FP-25 esteve activa entre 1980 e 1987.
Não aceitaram a institucionalização democrática, do tipo ocidental com a sua democracia representativa.
Repugnavam uma economia de mercado e eleições abertas a partidos de todas as correntes.
Otelo liderou genericamente a respectiva estrutura. Ele que tinha sido o estratega militar do 25 de Abril, sendo oficial inicialmente apoiante do General Spínola.
Ao longo do processo revolucionário radicalizou-se, sobretudo após a sua visita a Cuba e do convívio com Fidel Castro.
“O 25 de Novembro não representou para os militares da extrema – esquerda o fim da História”.
“Para estes extremistas o 25 de Novembro não representava a consolidação democrática, mas sim o regresso ao fascismo”.
“No núcleo da decisão pontificava Otelo Saraiva de Carvalho, embora as suas funções permanecessem ambíguas até hoje”.
“O MDLP conduziu centenas de acções violentas armadas entre Maio de 1975 e Abril de 1977”.
“De destacar o atentado à bomba contra o Padre Max de 33 anos que perdeu a vida quando a viatura em que seguia explodiu”.
“A acção foi levada a cabo pelo grupo da extrema – direita MDLP.
O Padre Max era candidato independente da União Democrática Popular”.
“O MDLP chegou a ser também patrocinado por uma parte da hierarquia da Igreja Católica, liderada pelo Arcebispo de Braga D. Francisco Maria da Silva.
A estrutura do MDLP assentava num gabinete sólido dirigido por Fernando Pacheco de Amorim.
A estrutura militar era liderada pelo Coronel Dias de Lima”.
O terrorismo a seguir ao 25 de abril foi uma realidade, como os factos o comprovam.
Os extremos da esquerda e da direita, ontem como hoje, radicalizam-se e jamais deixaram de recorrer à via do terror.
Viva a Democracia e à Liberdade, protagonizada pelos seus genuínos e fiéis seguidores!
Por: António Benjamim