Depois de algumas edições, e depois da equipa do Capelense ter participado na fase final da competição que reúne as melhores equipas a nível nacional, a Liga SOCCA Açores está de volta e promete trazer novidades. Entre novas equipas e melhorias na organização a edição que arranca já este fim-de-semana será uma competição mais atractiva para quem participa. Ao Correio dos Açores, Rafael Sebastião, organizador da Liga SOCCA Açores, refere quais são as melhorias, que equipas entram e saem, que alterações serão feitas e assume: “queremos ter uma equipa de cada concelho a participar num futuro próximo”.
Correio dos Açores – O que podemos esperar da nova edição?
Rafael Sebastião (organizador da Liga SOCCA Açores) – Podemos esperar uma edição mais competitiva, mais organizada e com maior alcance. A Liga SOCCA Açores tem crescido de forma consistente, e esta nova época traz uma melhoria na estrutura competitiva, um maior rigor organizativo, um aumento da qualidade das equipas, mais visibilidade para os atletas e clubes e é a consolidação da SOCCA como alternativa forte ao futebol federado.
Que equipas novas terá e que equipas desistiram de um ano para o outro?
A cada edição há uma renovação natural de participantes.
Normalmente entram equipas de novos concelhos. Por exemplo esta época aumentou o número de equipas da Ribeira Grande, passam a ser 3: Atlético S. Pedro, Bravos do Atlântico e Capitães do Atlântico.
De Ponta Delgada teremos a participação da equipa FC Pastinhos, que continuam na liga e já participam há 3 edições, o CD Santo António que está desde a 1ª edição e o Borussia D’Outro Mundo que participa pela 2a época, sendo uma equipa com raízes nas 7 cidades.
Depois, na edição deste ano teremos três novas Black Pearl, Sem Margens F7, que trazem nas suas camisolas uma mensagem muito importante de combate à violência contra as mulheres e Conteiras FC. São grupos de amigos que se organizam para competir ou clubes que procuram uma alternativa ao modelo federado
Se há uma renovação quer dizer que também saem equipas. Normalmente as equipas que não continuam de uma edição para a outra são equipas com dificuldades de organização interna, projectos que não conseguiram manter regularidade ou então porque os jogadores transitam para outras equipas da SOCCA ou mesmo para outras competições
A SOCCA mantém sempre um núcleo estável de equipas, o que garante continuidade e competitividade.
Como se motiva os jogadores e dirigentes a estar presentes neste campeonato?
A motivação nasce de três pilares:
Ambiente competitivo saudável — jogos intensos, mas com fair play;
Reconhecimento — prémios individuais, destaque mediático e possibilidade de chegar à fase nacional;
Pertencimento — cada equipa sente que faz parte de uma comunidade que cresce e evolui.
Os vários dirigentes e os jogadores percebem que a SOCCA oferece organização, visibilidade e oportunidade, algo que muitas competições informais não conseguem garantir.
O número de equipas tem variado de edição para edição. Como explica este crescimento?
O crescimento explica‑se pela credibilidade acumulada ao longo das edições; pelos regulamentos claros e organização consistente; pela expansão geográfica para mais concelhos; pela experiência positiva dos atletas, que recomendam a liga e pelo modelo acessível, uma vez que é um modelo que tem menos burocracia que o futebol federado
A SOCCA tornou‑se uma competição atractiva, estável e reconhecida, o que naturalmente aumenta o número de participantes.
Desde a 1ª edição o número de equipas varia entre a 8 e 12 equipas. Esta época temos 9 equipas, porque a SOCCA aqui também um papel fundamental para o ressurgimento de jogadores e estimular o regresso a provas federadas, pois a liga tem de ser vista como uma alternativa e complemento ao futebol federado e não uma concorrência, pois muitos jogadores voltam a jogar futebol federado depois de jogarem na liga SOCCA. Por exemplo, o Melhor jogador da liga da época passada, esta época está a jogar no Clube União Micaelense.
Que alterações poderão ser feitas para cativar mais equipas a participar?
Algumas das medidas que temos implementado e que podem reforçar a adesão são: darmos apoio logístico a equipas de concelhos mais distantes, haver Workshops para dirigentes sobre organização de equipas, termos uma melhor comunicação digital (resultados, estatísticas, vídeos) e haver a possibilidade de se fazerem parcerias com juntas e câmaras para facilitar espaços de treino
Este ano estamos a falar com as câmaras municipais todas para dar a conhecer o projecto da SOCCA e o nosso objectivo era ter, pelo menos, uma equipa de cada conselho num futuro próximo.
Já conseguimos promover no concelho de Nordeste e recebemos alguns contactos que poderão resultar numa participação de alguma equipa deste concelho em futuras edições.
Que tipo de jogadores costumam participar no SOCCA?
A liga recebe jogadores de perfis muito variados, que variam entre atletas federados que procuram competição extra, atletas que já foram federados e que querem manter ritmo competitivo, jovens a partir dos 16 anos que usam a SOCCA como porta de entrada, jogadores recreativos que procuram organização e ambiente competitivo e atletas que valorizam o fair play, a comunidade e o espírito de equipa
A diversidade é uma das forças da competição.
Quais são as principais dificuldades em realizar uma edição?
Felizmente não temos tido grandes dificuldades em realizar as edições. Contudo, como em qualquer competição organizada, enfrentamos certas dificuldades. As maiores dificuldades têm sido a gestão de calendário para conciliar horários de todas as equipas; garantir arbitragem suficiente e disponível; manter a disciplina competitiva ao longo de toda a época; tratar da logística dos campos, dos materiais e das condições climatéricas; e a comunicação constante com dirigentes e atletas
Apesar disso, a organização tem conseguido superar todos os desafios com profissionalismo.
Quais são as expectativas para a edição deste ano?
As expectativas são altas. Queremos manter o número de equipas, ter jogos mais equilibrados, que haja crescimento da qualidade técnica, que também possa haver um maior envolvimento dos concelhos e queremos a consolidação da SOCCA como referência regional.
Haverá ainda uma maior divulgação digital, uma vez que esta época para além dos jogos filmados e publicação dos highlights no site da SOCCA Portugal vamos ter simultaneamente jogos transmitidos em directo no nosso novo canal de youtube da SOCCA Açores e directos no Instagram.
A edição promete ser uma das mais fortes de sempre.
Já houve jogadores da edição dos Açores a vencer prémios nacionais. Podemos esperar que as equipas dos Açores cheguem longe na fase nacional?
Claro que sim e passo a explicar o porquê. Os Açores já mostraram que têm talento individual e colectivo capaz de competir ao mais alto nível, tendo equipas mais organizadas, jogadores mais experientes, melhor preparação física e táctica e maior conhecimento do modelo SOCCA
Tivemos este ano na gala nacional realizada pela SOCCA Portugal em Janeiro o Paulo Freitas e o Emanuel Pereira ambos do Capelense a receberem uma Distinção no top 10 nacional, nomeadamente de melhor jogador master, para idades superiores a 35 anos, e treinador do ano, respectivamente.
É perfeitamente realista esperar que uma equipa açoriana chegue longe na fase nacional e lute por resultados expressivos.
O Capelense foi a única campeã de uma edição da SOCCA AÇORES a participar na final Nacional em Julho de 2025, realizada no complexo desportivo do Fontelo, (as equipas campeãs da época passada não tiveram estrutura nem organização a nível de logística para participar na final de 2026) e fez um óptimo trabalho, representando bem os Açores e os atletas açorianos numa prova que junta as melhores equipas a nível nacional.
Esperamos que esta época, que vai começar já este fim-de-semana, possa nos trazer equipas muito bem organizadas e muito melhor preparadas para o campeão poder representar os Açores na final Nacional em Julho de 2027.
Frederico Figueiredo
