Rede apanhada em investigação da PJ com a colaboração da GNR

Mulher foi detida em Ponta Delgada com 15 quilos de haxixe que transportava numa mala preta

Três homens e uma mulher sentaram-se ontem no banco dos réus da sala de audiências de julgamentos colectivos do Tribunal Judicial da Comarca dos Açores, que o Ministério Público lhes imputou a coautoria de um crime de tráfico de estupefacientes.
Dois dos arguidos, incluindo a mulher, são naturais da região de Lisboa e o terceiro indivíduo é de São Miguel.
Um dos arguidos já tinha sido condenado em outro processo por factos idênticos.
Segundo a acusação, a operação foi concertada de maneira a que a mulher encarregar-se-ia de transportar o produto estupefaciente do continente para São Miguel, ficando o elemento desta ilha encarregue de vir a ser contactado tendo em vista à sua posterior distribuição.
Pelo serviço, a mulher receberia 2.500 Euros e demais despesas, entre elas, a estadia e a alimentação, nesta ilha.
Entretanto, no dia 28 de Junho de 2018, a Polícia Judiciária interpolou a mulher que se fazia acompanhar de uma mala preta com rodas e que tinha a intenção de viajar para Ponta Delgada. Essa mala continua no seu interior 15 embalagens com várias placas de haxixe suficientes para milhares de doses individuais.
E porque foi ainda apreendido um motociclo, dinheiro, equipamento de comunicações e informáticos, além de outros relevantes elementos probatórios, o Ministério Público quer ainda que os bens apreendidos sejam declarados a favor do Estado.
Um dos arguidos não quis falar, mas sempre disse que o seu conterrâneo não tinha nada a ver com tudo aquilo.
Mas vamos por partes. Durante o julgamento, ficamos a saber que a mulher recebera indicações para ir buscar a mala preta com rodas que estaria dentro de um Audi A3 estacionado. Já com a mala, apanhou um táxi rumo ao aeroporto.
O outro arguido, querendo demonstrar a sua inocência em todo este processo foi confrontando pelo colectivo por que razão, então o seu telemóvel registou a sua presença junto àquele veículo e depois inclusivamente no aeroporto. Não soube responder, mantendo a versão de nada ter a ver com isso. O telemóvel deste arguido serviria para o outro arguido contactar a mulher.

Mulher receberia 2.500 euros pelo transporte

Depois foi a vez, da mulher explicar que tudo foi combinado durante um almoço. A proposta saiu da parte do arguido que não quis falar, “ao princípio disse-lhe que teria de pensar, mas acabou por aceitar fazer o transporte”. No demais, sabia que iria transportar haxixe para Ponta Delgada e por este serviço iria receber 2.500 euros, sem contudo saber ao certo a quantidade.
Entretanto, na caixa do correio encontrou dinheiro, as chaves de um carro e um bilhete com indicações que teria de comprar uma passagem aérea rumo a Ponta Delgada para determinadas datas.
Mais tarde, e depois de ter ido ao Audi A3 buscar a mala dirigiu-se para o aeroporto, quando foi interpelada pela Polícia Judiciária.
Ao chegar a Ponta Delgada tinha indicação para esperar no Hotel para ser contactada e que depois teria de se deslocar a uma Igreja para entregar a mala.

Guardar a mala e receber montante 
correspondente a 1 kg

O arguido natural de São Miguel, disse que a entrega seria feita junto à Igreja Paroquial da Fajã de Cima. Tinha instruções para guardar a mala, ganhando com isso o valor correspondente a 1 Kg.
Tinha um negócio há pouco tempo e queria demonstrar ao seu progenitor que já sabia cuidar de si.
Confrontado com o dinheiro que lhe foi apreendido (cerca de 3.600 euros), disse que seria para pagar dois empregados, fornecedores, água, luz e gás. Meteu-se ingenuamente neste esquema disse estar arrependido.
Um inspector da Polícia Judiciária, que já esteve em Ponta Delgada e que agora está colocado em Vila Real falou depois por videoconferência para explicar que, após recolha de informação foi identificado um grupo que mantinha indícios de tráfico.

Equipa cinotécnica da GNR

A investigação contou com a colaboração da GNR, através da sua equipa cinotécnica que sinalizou uma mala que poderia conter produto estupefaciente. “A mulher foi abordada por nós e disse que tinha produto na mala”, contou.
Em Ponta Delgada, do aeroporto para o hotel a mulher seguiu de táxi na companhia deste inspector, assim como do hotel para a Igreja Paroquial da Fajã de Cima.
Entretanto, em articulação com o Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada da PJ tinha o conhecimento de que um elemento desta cidade estava próximo de vir a ser detido e que estaria envolvido noutras diligências, no âmbito de um processo anterior. É aqui que se percebe que o elemento em questão é aquele que já havia sido condenado a uma pena de prisão superior a oito anos por factos idênticos.
Este elemento da Polícia Judiciária testemunhou ainda que a colaboração da mulher foi determinante para a investigação, respondendo deste modo a uma questão formulada pela sua representante legal.
As detenções foram realizadas em São Miguel e em Lisboa.
A leitura do acórdão deste processo ficou agendado para se concretizar dentro em breve.

 

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