21 de novembro de 2021

Recados com Amor...

Meus Queridos! Os holofotes da comunicação social nacional, depois de terem esgotado o folhetim sobre o chumbo do Orçamento de Estado e a dissolução da Assembleia da República pelo Presidente Marcelo, com a convocação de novas eleições para 30 de Janeiro, parece que se mudaram com armas e bagagens para os Açores dando palco desmesurado a um partido que dá suporte parlamentar ao Governo dos Açores, mas que enferma de uma permanente tempestade partidária que se assemelha por vezes às birras dos meninos de escola… que pela teimosia própria das crianças… perdem a ideia até onde podem ir com as suas exigências para manterem o “brinquedo” que lhes caiu no regaço… Seja como for, os próximos dias vão ser escaldantes na Assembleia Legislativa dos Açores e pode acontecer que se não houver tino… muitos vão de lá sair chamuscados pelo fogacho que atearam sobre o Plano e Orçamento para 2022… A minha prima Maria da Praia diz que vai estar atenta e espera firmeza do meu querido Presidente Bolieiro na defesa dos açorianos e dos eleitores que levaram à mudança de ciclo político na Região, mesmo que para pôr ordem na casa seja preciso ir para eleições já!...


Meus queridos! Até parece que é para desviar atenções de outras coisas, mas o certo é que está aí outra vez uma grande agitação à volta do que é que vai acontecer com a já baptizada por quinta vaga da Covid. Com ela à vista… já ressuscitaram os comentadores e comentadeiras nas televisões e começa, de novo, a instalar-se uma onda de medo na sociedade. Lá para os lados da pérola do Atlântico, o charmoso Presidente Albuquerque já anunciou um novo estado de contingência e apertou todas as regras. Por aqui ainda estamos à espera a ver onde param as modas. O que eu sei dizer é que isto já parece um acordeão que abre e fecha o fole ao som da música… O que sempre devia ter havido era a certeza que o bicho nunca morreu e que o medo não leva a lado nenhum, mas é preciso que nunca ninguém desarme nos cuidados individuais que deve ter… Muitos foram com muita sede ao pote, e esqueceram-se que muita gente junta é um perigo e o bicho não gosta mesmo de multidões… Os que diziam que confinamentos nunca mais… agora já se calam, e os que esconjuraram as máscaras até já as defendem outra vez. Por mim, ricos, e sabendo que ninguém está livre, vou continuar a fazer a minha vida, mas sempre como quem vai para o calhau… olho na faca, olho na lapa! O Inverno é longo.

Ricos! Hoje é Domingo de Cristo Rei, que costuma ser celebrado como o segundo dia maior do ano no culto do Senhor Santo Cristo. Na falta da sua festa, sempre pensei que este seria um dia ideal para lembrar e festejar o verdadeiro Rei da devoção popular. Vou descer daqui da minha rua Gonçalo Bezerra para ir até Ponta Delgada fazer uma oração e participar numa das eucaristias. Não sei se a Imagem do Senhor já está na sua capela do coro-baixo, ou se ainda está no meio do espaço, naquele baldaquino que lhe dá proximidade dos devotos, e tira toda a secular mística… ao mesmo tempo que expõe a já muito degradada imagem a perigos maiores de deterioração, por via da humidade e dos ares encanados. Cá para mim, já seria tempo de ir pensando em recolocar a imagem do Senhor no seu altar, porque a normalidade das coisas também devia chegar ali. Ou será que sem freiras não é mesmo possível?

Meus queridos! Muito gostei de ler na passada semana a reportagem que saiu no Atlântico Expresso e que dava conta da dificuldade que os agricultores com castanheiros têm, lá para os lados da ilha de Jesus, até para a apanha da castanha. A propósito da reportagem, contou-me a minha prima Maria da Praia que na Terra Chã, um velhote com meia dúzia de castanheiros convidou a vizinhança para ir com ele juntar castanhas e que as dava a quem as quisesse ir juntar. Só dois vizinhos apareceram. Os outros todos fugiram, porque mesmo dado, aquilo dói as costas e tem ouriços para abrir que picam as mãos… O mesmo se passa noutros lados, onde as pessoas até querem dado, mas é se for posto em casa. Por isso mesmo ,é cada vez mais verdade que a terra não é para todos e o trabalho muito menos… Culpa tem quem habitua uma geração a ter tudo com pouco ou nenhum suor…

Meus Queridos! Mas há sempre o outro lado da moeda, e nesse caso muitos larápios, que movidos pela droga, não se cansam de andarem de madrugada ou ao entardecer a assaltar os laranjais na minha vizinha vila de Rabo de Peixe… limpando tudo o que é laranjas, mandarinas, limões galegos… e daqui a pouco as tangerinas que são preciosas no Natal… A minha amiga Angélica, que tem sido uma das vítimas, diz que essa gentalha não rouba para comer, mas sim para comprar a droga que consomem todos os dias, … e o pior é que há quem compra o produto roubado para vender depois… Angélica fica furiosa e diz que para isso não há fiscalização económica nem policial que zele pelos desamparados contribuintes… Éo que temos!

Ricos! A minha prima Teresinha recebeu, no princípio da semana, um telefonema do Centro de Saúde a perguntar se queria receber a terceira dose da vacina contra a Covid porque já passava seis meses que tinha levado a segunda dose. Claro que ela disse logo que sim porque não é negacionista e acrescentou que estava mesmo à espera, porque a sua médica de família lhe tinha dito que no mesmo dia levava a terceira dose e a vacina da gripe que já devia ter levado em Outubro passado… mas que nunca foi chamada… E logo o simpático funcionário, com voz compungida, atalhou dizendo que ia levar agora só a vacina da Covid, porque a da gripe está esgotada e não se sabe a data em que chegam mais… À minha prima caiu-lhe a alma aos pés, porque há muitos anos e com os seus achaques leva sempre aquela vacina e ouviu repetidamente os anúncios e declarações que foram feitos dando conta que este ano não ia ser como no ano passado… e ninguém ficaria por vacinar. Afinal está mesmo a falhar. Ou seja, como se dizia naquele tempo, quando não é do malho é da malhadeira…

Meus Queridos! E já que estou a falar de saúde, tenho que repetir, apesar de não ser uma saudosista,… tenho, porém,  saudades do tempo em que para tirar um sinal incomodativo ou um simples “cravo”, daqueles que doem ao contacto com qualquer coisa, bastava ir ao Centro de Saúde que lá havia sempre um médico para essas micro-cirurgias. Agora entopem o hospital e até fazem crescer as estatísticas das listas de espera. Um vizinho da minha prima Angelina, coitado, que lhe viu crescer um sinal no pescoço, teve de marcar consulta, esperar que o médico de família que lhe passasse uma guia, para entregar no hospital e só passados meses foi chamado para uma consulta de pequena cirurgia… consulta que foi adiada mais uma vez… e depois à segunda o médico lá disse que tivesse paciência mas que só daqui a um ano ou dois seria chamado porque está tudo atrasado…. O pobre doente, a quem aquele sinal incomoda bastante para dormir, ainda perguntou se havia alguma alternativa para abreviar e a resposta foi pronta, que podia ir para uma clínica ou para o Hospital da Lagoa… Pois! Por isso é que dá saudades do tempo em que os centros de saúde eram mesmo centros de saúde e não meros consultórios… Quando é que se acaba com tanta burocracia que faz com que o doente ande de “Pilatos” para “Caifás” a penar e sem ser atendido, enquanto o Serviço de Saúde está “afogado” numa organização que precisa de uma revolução para aligeirar procedimentos e melhor servir os utentes!

Ricos: Depois da grande tempestade que se abateu sobre a Paróquia do Senhor Bom Jesus, na vila de Rabo de Peixe, a minha comadre Amelinha disse-me que voltou a bonança e a vida paroquial prossegue sob a coordenação do Ouvidor da Ribeira Grande, padre. Vítor Medeiros, com a ajuda do padre José Octávio Cidadão, emigrante aposentado que passa largas temporadas naquela sua vila natal. Segundo me contou a minha Amelinha, os vários movimentos eclesiais da Paróquia prosseguem o seu trabalho sem grande alarido e até já se realizou, com grande solenidade, a cerimónia em honra de Santa Cecília, a padroeira da Banda Filarmónica Lira do Norte. Diz ela que vários são os sacerdotes da ilha de S. Miguel que se dispuseram a cooperar com o Ouvidor, no sentido de se assegurar todos os serviços litúrgicos, possibilitando a normalização da vida religiosa numa comunidade de cerca de nove almas. Depois da tempestade, a população foi chamada a uma união de esforços de todo os cristãos praticantes para que o bom nome da Paróquia do Senhor Bom Jesus seja preservado. Amelinha espera agora que o próximo Bispo de Angra e “adjacências” escolha com celeridade o novo pároco, porque uma população maioritariamente jovem, necessita de um acompanhamento de proximidade que só a religião consegue congregar!

Meus queridos! Eu sei que falar disso agora pode parecer um despropósito no meio da turbulência das águas em semana de discussão de coisas tão importantes na política em que me não quero meter. Mas só para o assunto não cair de podre, estou com a minha prima da Rua do Poço que muito gostaria de saber como está o processo de requalificação, não sei se é assim que se diz, e de continuação das obras de devolução do espaço da Calheta ao público. Ficou prometido, e está escrito, pela minha querida Secretária das Obras Públicas que o mais tardar no final de Setembro e depois de recebidas as sugestões da Ordem dos Arquitectos, iria ser apresentado publicamente o projecto definitivo para a área. Até agora, nada e o ano está a terminar. A minha prima teme e com razão que estejam mesmo à espera que o assunto volte ao esquecimento que parece que é o que querem. É que, da actual Câmara também não se ouve um gemido sequer… Quem quebra o enguiço?

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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