Cozido vegano feito nas caldeiras da Ribeira Grande conquista turistas e locais

Tendo em conta o número crescente de pessoas que visitam a ilha de São Miguel que seguem uma alimentação essencialmente vegetariana ou vegana, Caroline Sprod, proprietária do Solar Branco e co-fundadora da Ocean Azores Foundation, decidiu criar uma alternativa diferente na ilha, oferecendo aos visitantes que a procuram a oportunidade de experimentarem um cozido vegano.
Nos dias em que há reservas, que devem ser feitas com alguma antecedência, o dia começa cedo para Caroline Sprod, já que nas primeiras horas da manhã tem que estar nas caldeiras da Ribeira Grande para colocar o cozido especial debaixo do solo, onde irá cozer lentamente durante as dez horas seguintes.
A ideia surgiu depois de a empresária e o marido chegarem à ilha de São Miguel, ao experimentarem o cozido feito a partir “dos fornos lentos da natureza”, conforme explica Caroline Sprod.
“Para mim é importante comer as comidas acertadas e comer as coisas da época. Muitas das pessoas que vêm cá não gostam de comer carne e sentem que não têm muitas opções no que diz respeito à dieta vegana. Quando chegámos cá, fomos com amigos às caldeiras da Ribeira Grande fazer o cozido. Preparámo-lo em casa, levámo-lo lá e comemos depois de umas horas. Gostei muito da experiência e da possibilidade de usar a caldeira para fazer comida, mas para mim foi um prato com muita carne e queria saber que outros pratos poderia fazer ali, porque todas as pessoas fazem a mesma coisa embora aquele seja como um forno lento da natureza”, explicou.
A partir desta experiência, começou a cozinhar outros pratos nas caldeiras, não só veganos, mas experimentou também cozinhar com outros tipos de carne. Porém, reparou que muitos turistas são veganos e vegetarianos e percebeu que esta seria uma forma de chegar também a estas pessoas: “Queria fazer um prato com ingredientes da ilha e da época, mas vegano”, permitindo assim que as pessoas passem pela experiência do cozido sem terem que optar pela versão tradicional.
Este manjar substitui as carnes e enchidos típicas do cozido à portuguesa pelos legumes frescos da época, como batata, abóboras, courgetes e cenouras, obtidos a partir da sua própria plantação e, também, junto dos produtores locais, explica a empresária. Para além destes ingredientes, junta também ao cozido algumas leguminosas que enriquecem a refeição, tais como feijão, que são cozinhados num molho de tomate cuja receita não pode ser partilhada (o segredo é a alma do negócio), e ainda algumas ervas aromáticas que lhe dão também um toque especial.
O turista, por norma, junta-se a Caroline Sprod apenas no final da experiência, altura em que pode observar de perto o retirar da comida do solo sempre quente, sendo esta uma experiência única para aqueles que têm a oportunidade de a aproveitar.
Até o Solar Branco entrar em obras, era dada a possibilidade de os turistas irem até ao Livramento para desfrutarem da refeição graças ao pequeno espaço destinado à produção de eventos que existe na casa que estão a transformar em alojamento, o que hoje não é possível, mas há também a opção de o cliente poder levar consigo a comida para o alojamento onde está. No futuro, sobretudo a partir da Primavera, esperam poder retomar com a actividade.
Para além dos turistas, que são a maioria dos clientes a procurar esta oferta diferenciada na ilha de São Miguel, há também açorianos curiosos em experimentar o cozido vegano, “porque há cada vez mais açorianos que são vegetarianos ou veganos ou que têm curiosidade em experimentar a comida, ou que apenas querem comer menos carne e provar outra coisa”, conta Caroline Sprod.


 

 

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