Feita parceria europeia entre a universidade açoriana e a indústria farmacêutica para promover avanços na Doença de Machado-Joseph

O consórcio de investigação europeu ESMI, do qual a Universidade dos Açores/Fundação  Gaspar Frutuoso, é parceira, anunciou que iniciou uma colaboração com a empresa farmacêutica francesa Servier Laboratories. Esta colaboração pretende abrir caminho para testar medicamentos e, assim, contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos para a doença.
A Iniciativa Europeia para a doença de Machado-Joseph/ataxia espinocerebelosa do tipo 3  (ESMI), uma rede de centros de investigação sediados em cinco países europeus, assinou recentemente um acordo de cooperação com os Laboratórios Servier, Suresnes (França).
A doença de Machado-Joseph (DMJ), também conhecida como ataxia espinocerebelosa do tipo 3, pertence a um grupo de doenças neurodegenerativas hereditárias, sendo a mais frequentedeste grupo de doenças, a nível mundial, e atingindo nos Açores uma frequência particularmente relevante. Apesar da mutação genética que causa a doença ser conhecida há mais de 25 anos, a doença permanece sem cura, sendo que os tratamentos actualmente existentes apenas aliviam alguns sintomas, mas são incapazes de impedir a sua progressão. Para  permitir o desenvolvimento de ensaios clínicos nesta doença foi criado em 2017 o consórcio ESMI, o qual presentemente acompanha mais de 450 indivíduos, sendo a maioria doentes DMJ.
“Os ensaios clínicos para serem informativos exigem um grande número de doentes. Para a DMJ  isso só pode ser alcançado através de colaborações internacionais, já que a DMJ é uma doença rara”, refere o Dr. Thomas Klockgether, líder do consórcio. De acordo com a Profª Manuela Lima, investigadora da Universidade dos Açores que coordena a participação da região no ESMI “estamos a entrar numa fase em que começam a surgir terapêuticas muito promissoras, pelo que a colaboração ESMI/Servier é da maior importância, uma vez que facilitará a criação das condições necessárias para desenvolver novos ensaios clínicos e testar novos medicamentos.”
Segundo informação disponibilizada, a participação dos Açores na Rede ESMI, um esforço colaborativo que reúne profissionais da Universidade dos Açores, Hospital do Divino Espírito Santo, Hospital do Santo Espírito e Associação Atlântica de Apoio aos doentes de Machado-Joseph recebeu, para o período 2020-2022 o apoio a Secretaria Regional da Cultura, Ciência e Transição Digital, Fundo Regional da Ciência e Tecnologia.
“O ESMI representa uma oportunidade única em criar sinergias importantes com o principal objectivo de desenvolver novos tratamentos para os portadores da mutação da DMJ. Com esta  colaboração, esperamos contribuir significativamente para identificar novos biomarcadores capazes de medir o efeito de novas terapias na progressão da doença e também abrir portas para novos alvos terapêuticos, criando abordagens para os doentes DMJ que actualmente têm tão poucas opções”, David Theron, afirmou o Director do Departamento de Neurociências dos Laboratórios Servier

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Autor: CA

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