19 de abril de 2022

Renovações

Renovar é sempre bom desde que seja para melhorar. Renovar só para satisfazer reivindicações, venham elas de onde vierem, acho que é um disparate e só demonstra fragilidade.
Penso que já deu para perceber que estou a referir-me à mais recente “fuga de informação” sobre a nova composição do executivo regional. 
Chamo-lhe fuga de informação porque não foi o governo a anunciar a dita remodelação, mas sim a imprensa; equando questionaram o Presidente do Governo Regional sobre esta matéria, ele disse que primeiro iria informar quem tinha o direito de ser informado em primeiro lugar.
Como todos sabemos, esta remodelação tem sido reivindicada pelos partidos fora da coligação governamental, mas que a apoiam. Neste particular há que reconhecer, com especial relevo, as atabalhoadas intervenções do deputado do CHEGA.
Todavia, não são só os partidos fora da coligação que acham haver gente a mais no governo; todos nós achamos que é muita gente para governar estas cerca de 237.000 almas, a fazer fé nos censos de 2021. Eu até diria que este problema de haver muita gente a mandar é um custo do abuso daquilo que chamam democracia, bem como da falta de preparação política e de sentido de estado da classe política que temos.
Apesar do maior partido do governo (PSD) não ter ganho as eleições e que, por isso mesmo, foi necessário coligar-se, para surpresa de todos, foram catapultados para o poder. Como diria o nosso povo, sem saber ler ou escrever, tendo somente “umas luzes”, das matérias que lhe iriam ser entregues. No actual executivo, muitíssimo poucos são políticos de corpo inteiro.
E digo isto porque, acho que um bom estadista não aproveita o seu cargo para satisfazer apetites de correligionários, nem dos chamados amigos de peito, como aconteceu com este governo, bem como, com todos os outros anteriores a este.
Em minha opinião, um bom estadista dá prioridade à competência e não olha à ficha partidária de cada colaborador exigindo dele, unicamente, lealdade e frontalidade.
Quanto à remodelação que o actual Presidente do Governo Regional irá fazer (quando este trabalho for publicado já fez) só conheço a Drª. Berta Cabral que, quanto a mim, é uma Senhora que por onde passa deixa a sua impressão digital. Foi assim na Câmara Municipal de Ponta Delgada, foi assim no Ministério da Defesa e noutras missões governativas.
Quanto aos outros dois, nomeadamente o Dr. Duarte Freitas e a Senhora Maria João Carreiro não tenho deles conhecimento suficiente para emitir qualquer opinião. Só espero que desempenhem cabalmente, para bem da população, as missões que lhes forem confiadas.
Sobre as saídas, só tenho pena da saída de Mota Borges. Pelo pouco que dele ouvi e vi na televisão, pareceu-me ser uma pessoa frontal e directa. Isto deve-lhe ter causado muitos anticorpos, principalmente por parte de quem está habituado a ajudas governamentais por tudo e por nada.
Mas, já que estou “com a mão na massa”, como diz o nosso povo, não queria deixar de dizer ao senhor Presidente do Governo Regional que esperava um maior emagrecimento deste governo. Retirar, do actual elenco, unicamente uma ou duas secretarias regionais não foi o suficiente. Quanto a mim a “dieta” não foi suficientemente rigorosa para que este governo aliviasse o “peso aos nossos bolsos”.
Que me conste nunca ouvi falar que, na função pública, houvesse  ordenados em atraso. O que dizem acontecer muita vez é o não pagamento de horas extraordinárias, mas também segundo consta, a causa parece ser a deficiente organização dos serviços onde tal acontece. Para pagar tudo isto é preciso dinheiro e quando os cofres estão vazios… vai-se à banca!
Apesar de tudo sou dos que pensam que, as diversas repartições devem preencher os seus quadros de pessoal de modo a que não seja preciso o recurso a horas extra.
Assim haja vontade de mudar o rumo!

P.S. 1 – A  delegada nos Açores da APAVT, Catarina Cymbron, contesta a obrigatoriedade do preenchimento do formulário de localização de passageiros, sem o qual não poderá viajar.
Eu também acho ser um autêntico disparate tal exigência, tanto no modo de apresentação, como na real necessidade de tal documento.
É tempo deste governo dizer que é autónomo, descartando tal exigência nos voos para Portugal.
Será que um Minhoto ou Algarvio é obrigado a apresentar tal formulário quando viaja de avião para Lisboa ou Porto?
P.S. 2 – Texto escrito pela antiga grafia.

17ABRIL2022
Carlos Rezendes Cabral

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Categorias: Opinião

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