Pedro Tavares, da Unileite, no Dia do Leite

Preço do leite tem que aumentar nas prateleiras

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Leite, “alimento versátil na sua transformação, utilização e consumo” que contribui para o quer para o bom desenvolvimento das crianças quer para uma alimentação saudável ao longo da vida, sendo “naturalmente rico em proteínas, em hidratos de carbono, vitaminas e minerais”, conforme salienta o Presidente da LactAçores – União de Cooperativas de Lacticínios dos Açores.
Sendo também o Dia da Criança, Pedro Tavares adianta que entre os produtos da LactAçores, é precisamente o leite UHT, em pacotes pequenos, que tem mais adesão junto dos mais novos, uma vez que são frequentemente utilizados para pequenos-almoços ou nas escolas, sendo um alimento que, para além “de saudável e bastante nutritivo” conta com “produções à base de pastagem que conferem sabores e características ao leite que são muito benéficas para a saúde”.
Dentro da estratégia de valorização do produto, dado que ao longo dos últimos anos os produtos lácteos “perderam algum valor”, e dado que o litro de leite está “a um preço muito inferior quando em comparação com um qualquer refrigerante”, Pedro Tavares defende que esta é uma situação que deve ser alterada: “Temos que inverter essa situação. O litro de leite está muito barato e temos vindo a valorizar no produto final ao consumidor porque os factores de produção têm aumentado muito. Além dos factores de produção, que já se vinham a agravar há alguns anos com a abolição das quotas, com o embargo à Rússia, com a Covid-19 e com a guerra, os factores de produção têm aumentado muito, e isso tem feito com que os produtores derivem as suas produções de leite e passem a produzir carne, que reduzam as suas produções porque não está a ser sustentável”, explica Pedro Tavares, defendendo por isso que o preço do litro de leite aumente vários cêntimos, de forma gradual, para que o seu impacto não seja sentido tão repentinamente.
Pedro Tavares adianta que, tendo em conta os trabalhos desenvolvidos em conjunto com a Universidade dos Açores, dentro de três meses a Lactaçores irá “lançar uma manteiga diferente” no mercado, havendo também uma “série de outros produtos a serem testados” para terem o seu próprio lugar no mercado, nomeadamente “novos formatos e novas curas”, no que ao queijo diz respeito.
Em relação aos maiores desafios impostos, neste momento, ao sector leiteiro, está, para além dos factores de produção, o desafio da inovação e da diferenciação, bem como “a procura de novos mercados e o reforço da notoriedade”, acrescenta o Presidente da LactAçores, salientando que a qualidade dos produtos não está em causa. Quanto aos incentivos do Governo Regional dos Açores para reduzir a produção de leite no arquipélago, Pedro Tavares acredita que este deve ser encarado “de forma positiva” porque actualmente há “produção em excesso” que para muitos produtores é prejudicial. Porém, alerta que esta deve ser uma estratégia contínua e até que se atinja a sustentabilidade.
“Tem que haver uma estratégia futura. Não vamos reduzir em 2022 para aumentar em 2023, temos que encarar essa redução como uma oportunidade para termos uma produção o mais sustentável possível, o mais equilibrada e o menos dependente do exterior possível, porque todos sabemos que o preço dos cereais tem aumentado, e muito, e que ainda poderão aumentar mais e isso é muito mau”, diz. Por esse motivo, conclui, os Açores não podem “ficar só dependentes da produção de leite”, sendo necessário assegurar outras alternativas devido à “volatilidade do mercado”, dando como exemplo a altura em que o cultivo da beterraba era uma opção nos Açores, com a existência da Sinaga, num momento em que “se chegou a uma situação em que não temos nada para além da produção de leite e da produção de carne”.
 

 

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