19 de junho de 2022

É tempo de tomar decisões!

1 - Nos últimos tempos os sinais do dia-a-dia são deveras preocupantes, com os mercados a vaticinarem a aproximação de uma nova crise das dívidas soberanas devido à crescente inflação e ao fim das compras de dívida pelo Banco Central Europeu, com a consequente subida das taxas de juro, medidas aliás que vinham há meses a ser preparadas pelo BCE.
2 - Os holofotes voltam a estar focados para os países mais endividados da União e na primeira linha estão a Itália, a Espanha e Portugal. Na última semana voltou a sentir-se, embora de forma ainda relativamente suave, o ambiente enervante da crise de 2009, que ditou a queda do XVII Governo chefiado pelo Primeiro-ministro José Sócrates e o cocktail do passado parece ter regressado e está já em cima da mesa da União Europeia.
3 - Como não bastassem as incertezas que se colocam à zona euro, o Banco de Portugal acaba de pôr mais uma acha para a fogueira, ao anunciar que se prevê subidas da prestação do crédito à habitação e, duma assentada, prepara condições mais restritivas para a concessão de crédito à habitação, para quem tiver idade superior a 30 anos.
4 - O   XXIII  Governo chefiado por António Costa tomou posse há 79 dias, mas parece já um Governo em fim de mandato. Internamente, está confrontado com uma situação inimaginável no Serviço Nacional de Saúde, com hospitais a encerrar serviços de urgência por falta de médicos e de condições financeiras que permitam aos profissionais retomar a função, como um dever sagrado para com os doentes.
5 - Em política externa esteve bem ao reactivar o acordo secular entre Portugal e o Reino Unido, mas, por outro lado, peca quanto à dúvida que alimentou sobre a aprovação da declaração de adesão da Ucrânia à União Europeia, dúvida que deixou de ter depois da audição com os partidos políticos com assento parlamentar.
6 - O Mapa-mundo está em reformulação e a União Europeia tem de ser no Ocidente o motor, e não o atrelado, dessa reconfiguração. Desde o início da guerra na Ucrânia aqui defendemos que, dadas as circunstâncias, a União Europeia devia abrir uma excepção e admitir de imediato na UE aquele importante país da Europa.
7 - Sabemos bem das condições edafoclimáticas que a Região tem para produzir e crescer na produção agrícola, mas para isso, além da vontade dos dirigentes e dos estudos que são feitos, é indispensável ter mão-de-obra disponível e preparada para trabalhar na agricultura, o que pressupõe mais formação profissional, mais interligação com a Universidade dos Açores e depois estabelecer-se acordos com as cadeias de distribuição para garantir o escoamento da produção que deve ser concertada entre partes.  
8 - Na Feira da Agricultura em Santana, o Presidente da Associação Agrícola dos Açores, perante os mais altos responsáveis políticos da Região, declarou, e bem, que: “É uma utopia pensar que somos capazes de produzir para auto-abastecimento cereais e alimentos nos Açores”. Isto é o realismo que precisamos ter em todas os sectores na Região, sem esquecer que é indispensável possuirmos um tecido empresarial robusto que evite a criação de oligopólios que dividam entre si o mercado, com prejuízos incalculáveis para os cidadãos, para o país e para a Região.
9 - É obrigação de quem governa procurar fomentar o investimento e ir através dos serviços incumbidos dessa função, à “caça de investidores” com projectos credíveis e adequados à nossa realidade.
10 - Fala-se muito dos fundos da Europa e do impacto que eles terão no crescimento da economia, mas pouco se fala do que se espera desses fundos para dinamizar o sector industrial, que é um pilar importante em qualquer economia, seja ela pequena ou grande.
11 - É importante saber em que sectores irão incidir tais fundos, sem esquecer que é obrigação conter a massificação da Região, pois o Turismo tem duas faces da moeda e, para bem gerir a repartição dos fundos da UE, é preciso ter calculados os custos e os benefícios do sector terciário.
12 - Perante o cenário de incerteza com que o mundo está confrontado, o momento é propício ao crescimento desmesurado dos lucros, criando mais riqueza a quem já é rico e tornando mais pobre quem já vive na pobreza. Uma injustiça que importa combater!
 

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Categorias: Editorial

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