26 de junho de 2022

A ingenuidade e a incompetência

 1- O mundo está a assumir contornos deveras preocupantes. Parece estar a desenhar-se um conflito mundial de grandes dimensões e de consequências imprevisíveis para a humanidade. De forma diferente, os políticos estão a cometer erros do passado, desta feita devido à ingenuidade com que exercem a governação.  
2- A guerra que sucede à pandemia em 2022 poderá transformar-se na III guerra mundial, com a Rússia a liderá-la, tal como nos últimos dias tem sido apregoado pelos sequazes de Putin perante a bonomia dos países conhecidos como economias emergentes, mas não só.
3- Igual comportamento teve o Ocidente, que deixou a Europa de joelhos perante a Rússia, facto que era conhecido pela Alemanha, tal como foi revelado pela ex-Chanceler alemã, Angela Merkel, dizendo que já sabia há muito tempo que Putin “queria destruir a Europa”.
4- Então o que fez a Alemanha para travar tamanho desejo de Putin? Nada.
5- Mas, perante as ameaças da Rússia, persiste a ingenuidade dos mais altos responsáveis políticos, e desta vez é o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que anuncia candidamente que a Rússia não deve ser excluída da Conferência dos Oceanos porque “tem de contribuir para as soluções”.
6- Mas Guterres não sabe que as soluções da Rússia são o veneno que mata os que ousam esmagar as suas ambições imperiais?
7- E, ainda por cima, depois de um dos seus sequazes ter avisado, esta Sexta-feira, que Londres, no Reino Unido, será a primeira cidade a ser bombardeada no caso de ocorrer um novo conflito mundial. Então, o Secretário-geral das Nações Unidas pode ficar indiferente aos sinais que vêm da Rússia, e bondosamente deixa o inimigo partilhar a amizade e o objectivo que faz juntar quem pensa no futuro da humanidade?  
8- Mas há outros sinais preocupantes que pairam no mundo, consequência de medidas tomadas pelos governos ou pela falta delas, que poderão degenerar na revolta popular, a começar pelos Estados Unidos da América devido ao anquilosado regime federal que mantém, e com o sistema judicial que tem, a provocar rupturas quase insanáveis entre Estados Federados. Uma situação que não se deve copiar.
9- Embora numa escala menor, dentro de portas, estamos confrontados com forças sociais, que ao fim de quarenta e seis anos de Autonomia estão a reinventar os Distritos Autónomos que foram abolidos em 1975, depois da grande revolta popular a favor da Autonomia.
10- Serve de esteio aos que assim pensam e assim agem, o próprio Governo, por acção ou omissão.
11- O que se passa com a promoção dos Açores como destino turístico é disso exemplo. Desde sempre foi entendido que a promoção turística devia ser feita como região, embora destacando as potencialidades de cada Ilha, dentro do princípio que valemos pelo todo e não por cada parcela por si.
12- Com o crescimento do fluxo turístico, foi decidida a constituição da ATA, que englobou vários associados, entre os quais a SATA e o Governo, que vieram depois a desvincular-se da Associação, encontrando-se esta actualmente em gestão corrente, por  não ter havido candidatos à nova Direcção.
13- O Governo foi instado a voltar à ATA, e em Maio anunciou a sua disponibilidade para tal regresso, sendo para o efeito necessário alterar os Estatutos daquela entidade, coisa que não foi ainda feita, embora não seja difícil de fazer, arrastando-se assim o “desgoverno” que vai na promoção turística dos Açores, com cada qual a puxar para o seu lado, e o Governo a ver a “banda passar” e contribuindo, desse modo, indirectamente e certamente involuntariamente, para acções de promoção Distrital, quando tal programa deve ser preparado e executado por uma entidade que tenha a competência e o conhecimento para promover o destino Açores depois de aprovado pelos Associados, e não à peça, como está desenhado.
14- Governar é agir a tempo de evitar conflitos na sociedade e sobretudo resolver de forma célere os compromissos que politicamente se assumem perante os cidadãos.
15- Nesta edição do Jornal merece destaque a lista das 51 empresas que foram aprovadas para beneficiarem dos Fundos consignados nas Agendas Mobilizadoras. Nessa lista estão incluídas várias empresas e projectos dos Açores, que devem ser apreciados. Afinal não se perdeu tudo


                              

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Categorias: Editorial

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