Rúben Melo, Presidente da Junta de Freguesia da Ribeira Quente e da Associação Maré Viva

Afluência à Ribeira Quente tem sido tanta este ano que já há polícia a controlar o trânsito e para a Festa do Chicharro a afluência tem números nunca antes vistos

Correio dos Açores - Após dois anos sem festa devido à pandemia, qual o prognóstico para este ano?
Rúben Melo (Presidente da Associação Maré Viva) - Não poderia ser melhor. Depois de termos a casa cheia todos os dias, na edição de 2019, pensámos que dificilmente isso voltaria a acontecer tão cedo. No entanto, as coisas estão a correr muito bem a todos os níveis. Podemos garantir, desde já, que teremos grandes enchentes na Ribeira Quente, no mínimo, à semelhança de 2019. Aliás, por causa disso, tivemos que fazer alguns ajustes, nomeadamente na tenda da restauração, que se encontra no limite do recinto, na parte de trás. Tivemos que chegá-la sete metros mais atrás, porque esperamos ainda mais gente este ano do que em 2019.
Este é um ano muito especial, é o ano do reencontro e as pessoas querem celebrá-lo connosco. A espera foi longa, mas felizmente chegou ao dia. As pessoas querem estar connosco, a celebrar a alegria e a grande mística do Chicharro.

As pessoas estão sedentas de festa…
É incrível. Estamos sem mãos a medir. Não temos memória de algo assim, desde a procura pelos ingressos às tendas que se esgotaram em dois dias. A partir do dia em que abrimos o campismo ficou completamente lotado de tendas. Verifica-se, a todos os níveis, uma procura e afluência nunca antes vistas.

Há campismo selvagem? Como controlam isso?
Não temos parque de campismo na Ribeira Quente. Bem que gostaríamos, mas na verdade não temos. Delineámos três zonas para os campistas, onde criámos o mínimo de condições, nomeadamente duches, casas de banho e inclusive pusemos alguns grelhadores para as pessoas usufruírem e fazerem os seus grelhados. Temos colaboradores a passar pelas respectivas zonas, a ver se está tudo bem e se é preciso alguma coisa. Algumas dessas zonas são bastante amplas e, mesmo assim, estão bastante lotadas. Neste momento, dificilmente, se consegue colocar mais uma tenda na Ribeira Quente.

Tiveram preocupações ambientais?
Desde o momento em que reunimos esta nova Associação, tivemos sempre preocupações ambientais. Chegamos inclusive a receber o galardão do selo verde. Além disso, temos o nosso copo oficial do evento, que é um copo reutilizável e temos tido muito cuidado com a limpeza do recinto, evitando mesmo ter qualquer vidro dentro do mesmo.
Temos sensibilizado as pessoas nesse sentido e notamos que, após uma noite com sete, oito, nove ou dez mil pessoas no evento, no dia seguinte, de manhã, quando se vai limpar o recinto, a verdade é que não há muito que limpar. As pessoas estão cada vez mais sensibilizadas para isso e nós estamos satisfeitos, pois consideramos que contribuímos para tal e consequentemente para a sustentabilidade ambiental do festival.

Enquanto Presidente da Junta de Freguesia da Ribeira Quente, que impacto tem a Festa do Chicharro na economia da freguesia?
 Só pela parte económica já valia a pena a realização do Chicharro. No entanto, é também a oportunidade de divulgar e promover as nossas práticas e tradições, de mostrar o nosso potencial e o que temos de melhor, designadamente a nossa praia, a nossa restauração, entre outras. Claro que, na parte económica, há estabelecimentos que se calhar nestes três dias de festival facturam quase o que fazem nos três meses habituais. É mesmo muito importante na questão económica da freguesia, claramente.

É uma forma de chamar mais pessoas à freguesia…
Felizmente, temos tido muita afluência à freguesia, mesmo sem ser na Festa do Chicharro. A afluência é tanta que já tivemos que tomar medidas. Ao fim-de-semana temos policiamento a controlar o trânsito, que funciona só num sentido, em toda a freguesia. De forma a evitar confusão e para que as coisas corram bem, temos policiamento todos os fins-de-semana pelo menos.
A afluência à freguesia é muita, não só à nossa praia, mas também aos restaurantes. Na Ribeira Quente temos restaurantes muito bons e diferenciados, uns para o peixe, outros para a carne e outros para os snacks. É uma freguesia que está, cada vez mais, na moda. Quando vêm a primeira vez, regressam e ficam fãs da freguesia e da forma como a nossa gente recebe as pessoas.

Houve uma diminuição do areal da praia...
Há uns meses, finais de Março e início de Abril, levamos três semanas com vento desfavorável e saiu muita areia da praia. No entanto, a areia nunca saiu daquele pontão, ou seja, pode não estar dentro, mas está na água e, quando vêm os ventos e as marés favoráveis, a areia volta a entrar. Neste momento, temos um areal fenomenal, enorme, por isso essa preocupação já não existe. Na altura, estávamos um pouco preocupados, visto que realmente tinha pouca areia, porém agora temos um areal absolutamente fantástico.  

Que mensagem e recomendações deixa aos festivaleiros?
É importante referir que, tendo em conta que vamos ter grandes enchentes na Ribeira Quente, muita gente mesmo, seria importante que as pessoas entrassem na freguesia e no recinto o mais cedo possível, para se evitarem grandes filas e que se perca os concertos principais da noite. Tentem vir para a freguesia e entrar no recinto, o mais cedo possível, pois se dez mil pessoas decidirem entrar à mesma hora no recinto, é óbvio que a espera vai ser longa.
Além da garantia de que vamos ter enchentes, temos a certeza que vamos ter concertos de enorme qualidade. Todos os dias, a partir das 22h00, temos artistas regionais com muita qualidade, a abrir a noite. Eles também merecem ter público à sua frente e merecem o nosso apoio. Além disso, o facto de estarmos lá dentro significa que não vamos perder patavina do espectáculo principal.  Realço que se todos decidirem entrar dez minutos antes de começar o concerto principal, correm o risco de passar algum tempo na fila.
                

Carlota Pimentel

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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