Câmara de Vila França e CTT lançam emissão filatélica comemorativa dos 500 anos das romarias quaresmais

Os CTT – Correios de Portugal, em parceria com a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, apresentaram a emissão filatélica comemorativa dos 500 anos das romarias quaresmais micaelenses – Romeiros de São Miguel – 500 Anos do Terramoto –, no Santuário de Nossa Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo.
A ocasião contou com a presença do ex-Presidente da Assembleia da República e Cidadão Honorário de Vila Franca do Campo, João Bosco Mota Amaral, do Presidente da Câmara Municipal, Ricardo Rodrigues, da Vice-presidente, Graça Melo, da Presidente da Assembleia Municipal, Eugénia Leal, do Presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, Luís Gomes, da Directora dos Correios dos Açores, Fátima Albergaria, do ouvidor da Ouvidoria de Vila Franca do Campo, padre José Borges, do Presidente do Movimento de Romeiros de São Miguel, João Leite, e do professor e historiador, Teixeira Dias.
De acordo com uma nota emitida pela autarquia vilafranquense, Ricardo Rodrigues referiu ser com honra e alegria que a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo apresenta a emissão filatélica comemorativa dos 500 anos das romarias de São Miguel. Recordou que foi devido ao terramoto (“Subversão”) de Vila Franca do Campo, ocorrido em 1522, que surgiu a tradição das romarias, tendo em conta que, na altura, muitos acreditavam que o fenómeno tinha sido um “castigo de Deus” e virando-se para a religiosidade para não continuarem a ser punidos. Agradeceu a iniciativa promovida pelos CTT - na pessoa da sua Directora, Fátima Albergaria e do chefe do balcão de Vila Franca do Campo, Alexandre Amaral – e recordou que a tradição dos romeiros de São Miguel, que perdura até hoje, é uma marca indelével da religiosidade açoriana, sobretudo micaelense, mas não só. Recordou, também, a parceria que os romeiros fizeram com os Cavaleiros de Santiago (um outro tipo de romaria), pelo que se pode observar, também, um obelisco representativo daquela parceria.
O autarca realçou que para os vilafranquenses é um orgulho saber que esta forte tradição micaelense surgiu em Vila Franca do Campo, naturalmente associada ao facto de, na altura, Vila Franca do Campo ser a capital da ilha.
O professor e historiador, Teixeira Dias, por seu turno, e citado, mostrou-se bastante satisfeito com o trabalho final e afirmou acreditar que se tratava de uma homenagem sincera ao terramoto de 1522, não acreditando que fosse um “castigo” e referindo, inclusive, ter encontrado duas citações onde é possível constatar que, já naquele período, nem todos aceitavam que o fenómeno estava associado a uma punição divina, tal como uma citação de 1531 e onde o dramaturgo Gil Vicente prega um sermão aos Frades de Santarém por estes terem dito que o terramoto ocorrido tinha sido uma consequência por terem admitido os “cristãos novos”, e pedindo-os que “ganhassem juízo”, explicando que se tratava de um fenómeno natural, ou, por uma carta inédita de 1570, redigida por um jesuíta, e que escreve (a propósito de uma erupção ocorrida em Ribeira Grande) “vi cosas naturales”, para se referir ao “fogo” que terminava no mar, etc. Mais disse que, apesar de tudo, viria a aparecer frei Afonso de Toledo, que prognosticou e profetizou o evento, e que este havia afirmado que sabia que, andando pela ilha, observava que existiam possibilidades de derrocadas em alguns locais e ia pedindo cautela às pessoas para quando aqueles eventos ocorressem, mas que, quando ocorreu em Vila Franca do Campo, alterou por completo o seu discurso e começou a incentivar a religiosidade, pedindo às pessoas que fossem pedir penitência, em determinados dias, à Capela de Nossa Senhora do Rosário e que deu origem ao actual Convento dos Frades.
A Directora dos Correios dos Açores, Fátima Albergaria, agradeceu, em nome da Filatelia, o apoio incondicional da Câmara Municipal, da ajuda e contribuição do professor Teixeira Dias e de Alexandre Amaral, responsável pela iniciativa e proposta inicial, bem como pelo espólio fotográfico pessoal fornecido e seleccionado para a concepção gráfica dos selos, na sua maior parte.
Antes da obliteração oficial do selo por parte do Presidente da Câmara Municipal, Fátima Albergaria, também citada, informou que a colecção é composta por três selos que irão circular a nível nacional, europeu e extra-europeu, sendo que cada selo tem uma tiragem de setenta e cinco mil unidades, a que acresce o bloco comemorativo com a imagem do Santuário de Nossa Senhora da Paz e uma pagela com conteúdo da responsabilidade do professor Teixeira Dias.

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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