“Ainda não sentimos a falta de material de óptica”, afirmam os sócios da empresa Centróptico

Paulino Pavão e Maria José Amorim são os sócios do Centróptico, empresa que comemora hoje 35 anos de existência. Actualmente com três lojas na ilha de São Miguel (duas em Ponta Delgada e outra em Vila Franca do Campo), os sócios desta empresa lembram os primeiros tempos de actividade e os motivos que os levaram a avançar para este negócio.
“Trabalhei antes numa outra óptica, também fui bancário e mesmo nessa altura, sempre fiz part-time em óptica e tinha sempre aquele ‘bichinho’ por esta área. Achava a óptica bastante aliciante porque tinha a vertente comercial e a vertente tecnológica e científica”, conta Paulino Pavão. A empresa nasceu com o objectivo de modernizar o sector nos Açores “e especialmente aqui em São Miguel, onde estávamos muito aquém do que se praticava na Europa e no continente”, refere. Desde os primeiros tempos em que “ainda se trabalhava manualmente”, num trabalho que se assemelhava em muito ao de um artesão, “o Centróptico foi dos primeiros a montar máquinas automáticas e penso que foi por isso que tivemos um grande arranque”, realça Paulino Pavão.
O sucesso da empresa e a sua “boa carteira de clientes”, são destacados pelo empresário que releva também o importante papel desempenhado pelos colaboradores do Centróptico.
Referindo-se aos primeiros passos desta empresa, Maria José Amorim recorda que este ramo “era diferente, menos especializado e muito menos informado. Havia muito menos clientes e tudo o que entrasse pela porta era um potencial cliente”. A empresária considera que actualmente, fruto do melhor acesso à informação, “quando um cliente entra aqui com uma receita já vem muito informado, sabe o que há no mercado e que tipo de doenças existem. Hoje em dia com os canais digitais e com a internet as pessoas procuram informação (…) Muitas vezes quase que já sabem o que vão comprar. Dentro disso informamos e mostramos o que existe no mercado, quais as ofertas existentes e informamos o cliente acerca da melhor solução”. Essa ‘autoestrada’ da informação também facilitou a própria modernização da empresa, admitem ambos.
Paulino Pavão lembra ainda que no início “a maioria das pessoas que procuravam as consultas de optometria apareciam com uma miopia alta (…) as pessoas agora têm noção e já se cuidam. Antigamente cheguei a apanhar clientes que já não viam uma pessoa a 2 ou 3 metros de distância”. A este propósito e para exemplificar, Maria José Amorim lembra um caso de há 35 anos atrás “de uma senhora que tinha muitos filhos”.
“Ela foi a uma consulta e apesar de ela reconhecer os filhos, só depois de ter os óculos é que viu as feições dos filhos. Ela veio agradecer e disse que só nessa altura é que ficou a saber a cor dos olhos dos filhos. Hoje em dia já não há nada disso”, conta com um sorriso.
Admitindo que o negócio está “felizmente a correr bem” e que o segredo do sucesso passa pelo “bom trabalho apresentado”, Paulino Pavão avança que apesar dos constrangimentos conhecidos noutras áreas de actividade “ainda não sentimos a falta de material de óptica. Já começam a estar mais caros (…) mas ainda nada preocupante”.
Sobre a crise, Maria José Amorim lembra os primeiros três meses “muito violentos” da pandemia.
“Até estivemos inclusivamente uma semana em que estivemos fechados (…) sentimos que as pessoas ficaram retraídas e estava tudo com medo de sair à rua. Depois disso, as coisas foram normalizando e, no segundo semestre, foi recuperando e as pessoas começaram a lidar melhor com a situação”, realça.    
Questionados sobre a diminuição do poder de compra da população, Maria José Amorim salienta que “temos e sempre tivemos um leque de oferta muito grande para as pessoas com mais necessidade. Só não vendemos se a pessoa não quiser comprar”, enquanto Paulino Pavão até considera que, em 2021, as pessoas apresentaram um bom poder de compra.
“Devido ao confinamento as pessoas não viajaram, não jantaram, não gastaram e por isso aproveitaram na saúde e nos óculos”, justifica.
Já sobre o ano de 2022, o empresário não destaca grandes alterações no volume de negócio dando como explicação o encerramento de algumas ruas no centro da cidade de Ponta Delgada.
“Alguns clientes com menos mobilidade não têm condições para vir aqui à Rua Manuel Inácio Correia, mas não podemos fazer nada quanto a isso”, lamenta.
Relativamente ao futuro, os sócios do Centróptico garantem que o caminho tem de passar obrigatoriamente pelo investimento em maquinaria mais avançada. “Neste sector não se pode parar”, afirma Maria José Amorim antes de destacar que nesse aspecto “a concorrência é de salutar e obriga-nos a estar à frente”. Já Paulino Pavão considera “que temos de nos preocupar connosco”.
“A maior concorrência que podemos ter é mesmo os nossos erros. Por isso, temos de evitar isso ao máximo”, defende.
A terminar, os dois sócios realçam que “nascemos como uma família e todos os nossos funcionários são tratados dessa forma. Somos uma equipa e temos todos de trabalhar para o mesmo”.

 Luís Lobão*

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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