Conclusão de reunião internacional com a participação do OKEANOS

Sobrepesca pode afectar a capacidade de reprodução de alguns peixes e para evitar o pior tem de haver maior controlo sobre quem pesca

Elasmobrânquios (Tubarões e raias) são amplamente reconhecidos como recursos pesqueiros frágeis, susceptíveis ao declínio das populações e sobrepesca, quando comparados com a maioria dos peixes ósseos (teleósteos), devido às suas características de história de vida (baixa fecundidade, maturidade tardia e crescimento lento) e degradação do habitat.
Investigadores do Grupo de Investigação em Avaliação de Recursos Pesqueiros da Universidade dos Açores, participaram recentemente de uma reunião internacional onde foram avaliados 31 stocks de peixes elasmobrânquios no Oceano Atlântico Norte e Nordeste. O encontro que este ano ocorreu em formato híbrido, contou com a participação de mais de 20 investigadores, de 10 países diferentes em representação de várias instituições de investigação internacionais, incluindo os investigadores Régis Santos (Doutor) e o Estudante de Doutoramento Wendell Medeiros-Leal, que fazem parte do Grupo de Investigação em Avaliação de Recursos Pesqueiros (Azores Fisheries Research Group) do Instituto OKEANOS da Universidade dos Açores.
O Grupo de Trabalho de peixes elasmobrânquios (WGEF) do Comité de Aconselhamento do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES/CIEM) reuniu-se no Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) em Lisboa. O WGEF é responsável pela avaliação do estado de exploração de 55 unidades populacionais de tubarões e raias (tamanho do estoque, tamanho do estoque reprodutor e mortalidade por pesca) e pelo aconselhamento científico de apoio à tomada de decisão na gestão stocks de peixes e pescarias desde o Ártico até aos Açores. Na reunião do WGEF 2022 foram avaliados 31 diferentes stocks, 30 da área do ICES e 1 com distribuição que se estende para fora da área do ICES.
Wendell Medeiros-Leal, do Instituto Okeanos da Universidade dos Açores, membro do grupo de investigação, comenta: Os recursos pesqueiros não são ilimitados e a sobrepesca pode afectar a capacidade de reprodução das unidades populacionais. Caso não haja controlo sobre quem pesca o quê, algumas populações de peixes podem desaparecer ou as suas capturas podem deixar de ser economicamente viáveis. De modo a evitar que cenários indesejáveis como estes aconteçam, é referido na nota enviada às redacções, o WGEF tem trabalhado seguindo um modelo de ciência para gestão, no qual a recolha dos dados e as avaliações científicas vêm em primeiro lugar, depois a regulamentação da pescaria e por fim a aplicação das políticas da pesca. Neste sentido, é essencial que a recolha dos dados e o modelo de ciência para gestão seja feita de forma continua, afim de garantir a sustentabilidade das unidades populacionais e das pescarias.
O WGEF também tem colaborado com o aconselhamento científico para stocks de elasmobrânquios com ampla distribuição geográfica que se estendem para além da área do ICES,trabalhando em sinergia com Organizações Regionais de Gestão das Pescas (Regional Fisheries Management Orgnizations, FMOs), nomeadamente Comissão Geral de Pescas do Mediterrâneo (General Fisheries Commission for the Mediterranean, GFCM) e Comissão Internacional para a Conservação de Atuns do Atlântico (International Commission for the Conservation of Atlantic Tuna, ICCAT).
A reunião deste ano também contou com a participação de membros da ICCAT com o objectivo de preparar uma futura reunião conjunta entre o ICES e a ICCAT para avaliação do tubarão-sardo (Lamna nasus) e compilação de dados de biologia e pescaria dos tubarões raposos (Alopias sp) do Atlântico.
                                  
N.C. *

 

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Autor: CA

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