Pandemia, guerra e inflação podem impedir Grupo SATA de atingir metas para 2022

O Relatório Consolidado de 2021, que se refere ao desempenho financeiro, social e ambiental do Grupo SATA, adianta que o resultado líquido de 2021 atingiu 57.420 milhares de euros negativos. Em 2020, relembra o Grupo, este valor foi de 88 milhares de euros negativos e, em 2019, atingiu os 53 milhares de euros negativos.
De acordo com a informação divulgada, este é um valor que, embora negativo, “reflecte a recuperação da actividade, nomeadamente na segunda metade do ano, comparativamente ao ano de 2020”, ano fortemente impactado pela Covid-19 em todos os sectores.
Esta “melhoria da actividade”, conforme refere o relatório analisado, “foi fortemente afectada pelo impacto dos resultados financeiros negativos”, adianta a SATA, referindo que “os resultados financeiros situaram-se em -29,5 milhões de euros (vs. -15,9 milhões de euros em 2020), um agravamento de 13,6 milhões de euros, resultante essencialmente dos juros de empréstimos incorridos pela necessidade de financiamento e de liquidez com que se deparou a empresa durante o triénio em análise”.
A SATA refere ainda que “para a deterioração do resultado líquido também está a contribuir o impacto negativo de 5,5 milhões de euros relacionado com diferenças de câmbio líquidas”.
Já o valor de dívida líquida, em 2021, registou “um aumento de 60 milhões de euros face ao registado em 2020, devido essencialmente ao incremento na rubrica de empréstimos obtidos, que aumentou 54 milhões de euros em 2021, resultado do apoio adicional, aprovado pela Comissão Europeia, de 122,5 milhões de euros à SATA2, com o objectivo de dotar a companhia de recursos suficientes para fazer face às suas necessidades urgentes e imediatas de liquidez”.
Por outro lado, com a implementação da Tarifa Açores, no final de Maio de 2021, a SATA aponta no seu relatório que tem a receber 1.141 milhares de euros por parte do Governo Regional dos Açores, relativamente a uma dívida de 31 de Dezembro de 2021 referente a esta nova tarifa.
Em acréscimo, falando de valores caucionados, a empresa adianta que tem “um saldo a receber de depósitos de garantia em 31 de dezembro de 2021, no montante de 5.151.151 (milhões de) euros”, valor superior a 2020, que compreendem os depósitos de caução entregues pela SATA como garantia dos contratos de locação de aeronaves.
Da Associação de Turismo dos Açores (ATA), a empresa de aviação tem a receber o montante de 1.136.580 euros, que diz respeito ao “valor pendente a receber de incentivos obtidos daquela instituição para algumas rotas realizadas pela SATA na Europa, em anos anteriores, nomeadamente para Suécia, Dinamarca e Inglaterra, para o qual foi reconhecida uma perda por imparidade total”.
Por conta da concessão, encontram-se registados 189.248 euros que serão recebidos através da Direcção regional de Planeamento e Fundos Estruturais (DRPFE), “relativos a serviços de construção e melhoramento dos aeródromos regionais”, um valor que, de acordo com a informação adiantada pelo relatório, “ascendia a 229.424 euros em 2020”.
Por outro lado, adianta a mesma informação, “relativos a serviços de construção e melhoramento dos aeródromos regionais encontra-se registado um valor a pagar à SRTTE no montante de 6.453.125 euros”, valor este que era inferior em 2020, totalizado em 4.091.783 euros.

Boa recuperação no número
de passageiros

Noutros domínios, ao longo do ano de 2021, houve uma boa recuperação do número de passageiros transportados. Isto é, após a redução de cerca de 1.065.000 passageiros desembarcados no final de 2020, representando um decréscimo de 62,5%, em comparação com o ano de 2019, a companhia adianta que em 2021 desembarcaram nos Açores cerca de 1.181.896 passageiros, mais 85% do que o valor registado em igual período de 2020”, adianta o relatório. Destes, 37.219 foram transportados por intermédio da Azores Airlines, e foram efectuados um total de 311 voos charter.
Já no que diz respeito ao número de voos, em 2021 foram registados 20.230 voos, contratando com os 14.511 voos registados em 2020 para os 42 destinos que foram mantidos pelo grupo, com uma taxa de ocupação de 66% em 2021 e de 50% em 2020, números que contrastam com os 80% de ocupação registados em 2019.
Estes números foram alcançados, adianta o relatório, tendo em conta o levantamento das restrições à mobilidade no segundo trimestre de 2021, o que tornou possível “verificar uma recuperação no movimento de passageiros em aeroportos, todavia, ainda aquém dos valores que precederam a pandemia”.
“De um modo geral, todas as ilhas registaram um crescimento no número de passageiros desembarcados face a 2020, sendo os mais acentuados nas ilhas Terceira (99,3%), Faial (94,3%) e Pico (90,2%), tendo São Jorge (72,8%), Graciosa (59,7%) e Santa Maria (57,1%) registado as subidas mais baixas. No que respeita à sua origem, desembarcaram nos Açores, em 2021, 62.150 passageiros de voos internacionais, um aumento de 96% face aos valores de 2020, mas ainda 65% abaixo dos 178.237 passageiros desembarcados registados em 2019”, refere o relatório publicado pela SATA.

Preocupações e desafios

Tendo em conta a actividade sísmica registada na ilha de São Jorge e os alertas vulcânicos entretanto emitidos, a SATA acredita que a sua actividade seria comprometida em caso de uma possibilidade real de erupção vulcânica, tanto na SATA Air Açores como na SATA Internacional, já que as “nuvens de cinzas expelidas pelo vulcão podem obrigar ao encerramento de espaço aéreo e aeroportos, pelo menos no Grupo Central”.
Verificando-se este cenário de erupção vulcânica, adianta ainda a mesma informação, estima-se “um impacto significativo no sector turístico da ilha/ ilhas do Grupo Central, com abrandamento da actividade do Grupo SATA, gerando eventualmente a necessidade de reprogramação e desvio de voos para outras ilhas”, resultando também um “decréscimo exponencial do número de visitantes”, o que afectará directamente as empresas e a economia dependentes da receita gerada pelo turismo.
Tendo em conta este contexto de incerteza, associado também à Covid-19 e à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o Conselho de Administração da SATA considera que estes são “cenários pessimistas que podem criar dúvidas sobre a capacidade do Grupo conseguir alcançar os resultados estimados em 2022”.
Por outro lado, adianta o documento, considerando a injecção de capital no Grupo SATA, “não vê o Conselho de Administração preocupação no normal funcionamento da sua operação e no reembolso das suas dívidas, quer a fornecedores, quer à banca, pelo que a continuidade das operações e liquidez do Grupo se encontra assegurada, tendo por base o financiamento das necessidades de tesouraria estimadas, a esta data, para o prazo de doze meses”.

 

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