Regresso de vários milhares de pessoas às Festas do Nordeste permite desenvolvimento da economia local, afirma o Presidente da autarquia

Depois de dois anos de pausa, forçados pela pandemia, começaram ontem as Festas do Nordeste, organizadas pela autarquia, que combinam as festas religiosas do concelho com o festival de três dias, festividades estas que terminam no feriado municipal, na próxima Segunda-feira.
O palco deste festival foi ontem inaugurado pela artista Blaya e pelo açoriano DJ Soulsky, que encerrou o primeiro dia do regresso desta festa. Hoje, Sexta-feira, subirá ao palco nordestense o artista Quim Barreiros, seguindo-se a artista luso canadiana Jéssica Amaro, No-Maka e AZ Kiker. Já no Sábado, o cabeça de cartaz será Pedro Abrunhosa, seguindo-se P*ta da Loucura e Diogo Amaral, a encerrar o palco do festival.
Em acréscimo, o Centro Desportivo e Recreativo do Nordeste conta com um programa de lazer destinado para os jovens que passarão este fim-de-semana no concelho, dividido entre a piscina da Boca da Ribeira e o campo de areia próximo do recinto das festas. Para aqueles que optem por acampar no concelho, a autarquia destaca que há uma zona de campismo gratuita, com duches sanitários, rede wi-fi e postos destinados ao carregamento de telemóveis.
No que diz respeito à entrada no recinto dos concertos, a autarquia adianta também que esta volta a ser gratuita, algo que se manterá até haver possibilidade para tal: “Estas são as nossas festas religiosas e, por isso, existe um compromisso da nossa parte em mantê-las gratuitas porque entendemos que o município não teria capacidade para estar a fazer a festa religiosa e depois fazer o festival à parte. Mas, para além da importância que a parte profana tem, damos também muita importância à nossa missa de festa, à nossa procissão e também ao dia da comemoração do concelho”.
Com toda esta animação e demais condições reunidas neste evento, o Presidente da Câmara Municipal do Nordeste afirma que este fim-de-semana é esperada uma grande enchente, que se começou a fazer sentir ontem, uma vez que as pessoas continuam “carentes de festa”, depois de dois anos sem acesso a eventos culturais deste género, sendo esperadas, ao longo dos três dias de festival, mais de 10 mil pessoas no Nordeste.
Este número de visitantes, que inclui turistas e emigrantes, traz consigo um impacto positivo para o concelho, conforme explica o António Miguel Soares, que se fazem sentir, sobretudo, através dos serviços ali oferecidos: “Neste preciso momento, o alojamento local, o hotel, e todo o espaço em turismo rural está completamente cheio. Nota-se na restauração um movimento para além do normal, acima das nossas expectativas, e as festas em si vão colaborar com os vendedores sazonais, fazendo com que estas pessoas consigam arrecadar algum dinheiro para, no Inverno, poderem manter os postos de trabalho”.
No que diz respeito à sustentabilidade ambiental, o Presidente da autarquia realça que todos os esforços têm sido feitos no sentido “de cumprir com tudo o que é recomendado”, referindo ainda que, pela primeira vez, optou-se pelos copos reutilizáveis nesta festa que podem ser higienizados no local. “Foi tudo feito com muito carinho e com muito cuidado para que as pessoas se sintam bem no espaço e para desfrutarem das nossas festas com a maior qualidade possível”, adianta ainda.
Para além do palco principal do festival, há ainda um segundo palco dedicado às tradições, espaço onde são privilegiadas as instituições do concelho, como as filarmónicas, grupos folclóricos ou cantadores do concelho, sendo esta uma forma de “colaborar com as instituições, valorizá-las e incentivar que voltem à normalidade”.

Nordeste comemora 508 anos com
desejo de combater desertificação
No rescaldo do festival, na próxima Segunda-feira, o concelho do Nordeste comemora também o seu 508.º aniversário, que será assinalado com uma sessão solene que contará com Paulo Portas como orador, tendo este, “desde a primeira hora”, aceitado o convite para estar presente neste dia importante para o município.
Em acréscimo, conforme conta António Miguel Soares, nesta sessão solene serão também homenageados dois nordestenses “que muito deram ao concelho e que tiveram sucesso profissional e empresarial nas suas vidas”, nomeadamente António Raposo e José Maria Gaspar da Rocha.
Após esta cerimónia, residentes e visitantes do concelho do Nordeste poderão reunir-se na Rua António Alves de Oliveira, onde serão servidas as tradicionais sopas do Divino Espírito Santo, contando ainda com a actuação de dois grupos folclóricos do concelho que irão “animar o final da tarde” e, assim, marcar o encerramento das festas do concelho.
Tendo este marco importante em conta, o Presidente da autarquia destaca algumas das metas que são importantes para o concelho no futuro, nomeadamente todos os esforços encetados para “inverter a tendência de desertificação” que existe no Nordeste.
Neste domínio, afirma que existem já “diversos regulamentos aprovados para ajudar a fixar pessoas no concelho”, e destaca também que têm vindo a ser realizadas algumas reuniões com o Governo Regional dos Açores, no sentido de fazer com que “haja mais investimento no concelho”, de forma que ali se fixem “mais serviços e mais comércio”.
Para isso, a Câmara Municipal do Nordeste tem também vindo a trabalhar na aquisição de terrenos que serão utilizados para a ampliação do parque industrial, na esperança de, assim, atrair “novos empresários e outras empresas, de forma a melhorar o emprego que há no Nordeste”.
Apesar de este ser um processo demorado, o autarca considera que o concelho tem sido ouvido em relação às suas necessidades, relembrando, por exemplo, a “enorme importância” colocada no projecto de requalificação da Foz da Ribeira do Guilherme, que está “praticamente pronto”, acreditando-se, por isso, que “finalmente será desta vez” que será concretizado.
“Entendemos que é um projecto que tem que ser visto no todo da ilha de São Miguel e no todo dos Açores, porque este é o único concelho que acaba por não ter uma zona balnear condigna e creio que será uma grande alavanca, para além do parque industrial, para começar a fixar mais pessoas e para mexer com a economia local através de novos investimentos ao nível do turismo e de novo comércio”, diz.
                    

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