19 de julho de 2022

Opinião

Cuidar de Ponta Delgada é responsabilidade camarária

 Para quem circula pela cidade de Ponta Delgada e não apenas no seu centro histórico, no que à limpeza das ruas diz respeito, pode dar conta de um certo “abandono” a que a maior cidade dos Açores está votada.
Para além da sujeira que são alguns ecopontos, ao longo das ruas vêem-se papéis, embalagens, sacos plásticos e outros, tudo a voar de um lado para o outro quando sopradas pelo vento.
Por outro lado e para compor o ramalhete, são ervas daninhas que “ornamentam” os passeios e alguns telhados de edifícios que parecem abandonados, etc.
Desconheço se esta falta de arrancar as ervas daninhas se deve a alguma política de protecção às abelhas, ou, se é mesmo desleixo camarário! Mas que fica feio, lá isso fica.
Uma cidade que se ufana de ser uma das melhores cidades do país para se viver, não pode, nem deve, ser uma cidade suja, por negligência dos serviços camarários encarregues da manutenção e limpeza urbanas.
Como já escrevi há tempos, nas ruas situadas a norte do “eixo” Rua da Mãe de Deus, Margarida de Chaves, Poças Falcão e por aí fora até ao Bairro da Misericórdia, a sua limpeza deixa muito a desejar.
Todos sabemos que a nossa população não é das mais cuidadosas em evitar atirar o lixo para o chão, colocando-o nas papeleiras existentes, mas, sabendo-se que as coisas são assim, julgo ser motivo mais do que suficiente para os serviços camarários actuarem  de acordo com a necessidade em manter a cidade limpa, nem que, para tal, tenha de admitir mais pessoal para os serviços de limpeza. Está mais do que provado que, o pessoal que existe, não dá conta do recado.  
Quando está em curso uma candidatura da cidade de Ponta Delgada a cidade europeia da cultura (?), manter a cidade suja e com ervas daninhas na esmagadora maioria das suas ruas, é contribuir para um resultado desfavorável.
Mas, não é só na limpeza das ruas que a nossa Câmara Municipal tem de actuar. Julgo que, também no que respeita aos edifícios abandonados a Câmara tem uma palavra a dizer. Tenho consciência que não será fácil, porque pode envolver diversas entidades, ou mesmo várias pessoas singulares, podendo até algumas estar em parte incerta. Todavia, não é motivo para se deixar de actuar porque existem mecanismos legislativos para tais situações, nem que se recorra a motivos de sanidade pública. 
Em matéria de edifícios lembrei-me da nódoa negra de Ponta Delgada que são as famigeradas galerias da Calheta, construídas (há largos anos) pela ASTA, com anuência e apoio do governo socialista, satisfazendo assim a pretensão de um dos seus militantes, que era administrador da dita ASTA. Porém, naquele conjunto existe um edifício que, segundo se disse na altura, pertence ao governo. Apesar de a ASTA já ter demolido parte do mamarracho, aquele que é do governo continua lá a poluir o ambiente.
Pergunto: quando é que o governo resolve demolir aquela excrescência? É que não basta mandar, há que dar o exemplo. Até porque, o actual Presidente do Governo Regional, quando foi autarca de Ponta Delgada, também se empenhou na demolição daquelas estruturas. Agora, sendo Presidente do Governo, maior razão terá para o mandar demolir. 
Para finalizar só tenho que dizer que este alerta não é para responsabilizar este ou aquele em particular. O meu reparo vai sem destinatário definido. Só me importa viver numa cidade limpa e permanentemente cuidada. Outras cidades desta ilha podem dar o exemplo, nomeadamente na recolha de lixo selectivo.
Para quando, em Ponta Delgada, a recolha diferenciada do papel e do vidro?

Carlos Rezendes Cabral
P. S. 1 - Vou de 
férias. Inté!

P. S. 2 -Texto escrito 
pela antiga grafia.

17JULHO2022
 

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Categorias: Opinião

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