Apenas cinco apresentam valores acima da média nacional e três municípios não apresentaram informações

Onze municípios dos Açores com rendimento bruto declarado abaixo da média nacional de 12.568 euros em 2020

Em 2020, o rendimento bruto declarado por residentes atingiu 100 984 milhões de euros em Portugal, o que se traduziu num valor mediano de 12 568 euros por agregado fiscal, um aumento de 0,6% face ao ano anterior.
A nível regional, o valor mediano do rendimento bruto declarado por agregado fiscal foi mais elevado na Área Metropolitana de Lisboa (14 332€), a única região a superar o valor nacional.
Por outro lado, a região do Algarve registou o menor valor mediano por agregado fiscal (11 150€).
Em 2020, 72 municípios apresentaram valores medianos do rendimento bruto declarado por agregado fiscal superiores ao nacional, mais três municípios que em 2019. O retrato municipal deste indicador destacava, com valores mais elevados, os municípios da Área Metropolitana de Lisboa – destacando-se Oeiras, que apresentou o valor mais elevado do país (18 456€) –, municípios da Região de Coimbra (7 dos 19 municípios), da Lezíria do Tejo (5 em 11 municípios), do Alentejo Central (4 dos 12 municípios com informação disponível), do Médio Tejo (4 em 13), da Região Autónoma dos Açores (4 dos 16 municípios com informação disponível) e da Área Metropolitana do Porto (4 dos 17 municípios), e, no Interior continental, municípios sede de distrito.
Em 2020, o valor mediano do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo foi de 9 665€ em Portugal, o que corresponde a um aumento de 1,3% face ao ano anterior. A Área Metropolitana de Lisboa (11 321€), a Região de Coimbra (9 916€), a Região de Leiria (9 891€), o Alentejo Central (9 795€) e a Região de Aveiro (9 710€) foram as sub-regiões que apresentaram os rendimentos medianos mais elevados, superiores à referência nacional. Por outro lado, as sub-regiões do Alto Tâmega (7 816€), Tâmega e Sousa (8 028€) e do Douro (8 488€) apresentaram os rendimentos medianos mais baixos, inferiores a 8 500€ por sujeito passivo. O retrato municipal do valor mediano do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo apresenta uma imagem territorial semelhante ao mesmo indicador por agregado fiscal, destacando-se 68 municípios com valores acima da referência nacional.São estes os 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, e, no Norte do país, quatro municípios contíguos da Área Metropolitana do Porto – Porto (11 182€), Maia (10 812€), Matosinhos (10 503€) e Vila Nova de Gaia (9 707€) – e, ainda os municípios de Bragança (10 119€), Braga (10 003€) e Vila Real (9 740€).
 Na região Centro, destacavam-se 21 municípios com valores acima da média do país, localizados maioritariamente na Região de Coimbra (6 municípios), Médio Tejo (4), Oeste (3) e Região de Leiria (3).
No Alentejo, salientam-se os municípios de Santarém, Cartaxo, Benavente e Azambuja (Lezíria do Tejo), e, mais a sul, a faixa de municípios contíguos de Sines, Santiago do Cacém (no Alentejo Litoral), Beja, Castro Verde e Aljustrel (no Baixo Alentejo) e, ainda os municípios de Campo Maior e Portalegre, no Alto Alentejo, e de Évora e Vendas Novas, no Alentejo Central.
Na região do Algarve, apenas o município de Faro registava valores acima da referência nacional.
Nas regiões autónomas, os municípios de Ponta Delgada, Horta, Angra do Heroísmo, Vila do Porto e Vila Praia da Vitória, na Região Autónoma das Açores, e Porto Santo, Funchal e Santa Cruz, na Região Autónoma da Madeira, registaram também valores de rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo acima do valor nacional.

Grande disparidade na distribuição de riqueza nos Açores


Em 2020, os 20% dos sujeitos passivos com rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado mais baixo registaram valores até 5 775€, o que correspondia a cerca de 60% do valor mediano (9 665€) e a 35% do valor do rendimento do percentil 80 (16 399€). Ao nível sub-regional, o valor do percentil 20 do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo variava entre 4 385€ no Alto Tâmega e 6 697€ na Área Metropolitana de Lisboa. No lado oposto da distribuição de rendimentos, o valor do percentil 80 era também mais elevado na Área Metropolitana de Lisboa (20 011€) mas o valor mais baixo era na sub-região do Tâmega e Sousa (11 514€).
Em 2020, em 46 municípios, localizados maioritariamente nas áreas metropolitanas de Lisboa (17 em 18 municípios) e do Porto (Maia, Porto e Matosinhos), na Região de Coimbra (Coimbra, Condeixa-a-Nova e Figueira da Foz), e nas regiões autónomas dos Açores (Horta, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo) e da Madeira (Porto Santo, Funchal e Santa Cruz) o valor do percentil 20 e do percentil 80 do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo superavam a referência nacional.
O padrão mais comum destes indicadores evidenciava 190 municípios com valores abaixo da referência nacional no percentil 20 e no percentil 80 do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo. Destacavam-se também 58 municípios em que o valor do percentil 20 foi superior ao valor nacional e o percentil 80 inferior à referência nacional indiciando situações de menor disparidade de rendimento entre os sujeitos passivos.
Em 2020, o coeficiente de Gini do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo era de 36,4% em Portugal, evidenciando uma ligeira redução na desigualdade da distribuição do rendimento face a 2019 (36,5%). As áreas metropolitanas de Lisboa (37,6%) e do Porto (36,5%), as regiões autónomas dos Açores (37,5%) e da Madeira (36,9%), e as sub-regiões contíguas do Alto Tâmega (37,5%), do Douro (37,1%) e de Terras de Trás-os-Montes (36,9%) apresentaram coeficientes de Gini superiores ao valor nacional, sugerindo uma maior desigualdade na distribuição do rendimento. Por outro lado, o Alentejo Central (31,7%) apresentou o menor nível de concentração do rendimento entre as 25 sub-regiões NUTS III do país. A análise do padrão municipal do coeficiente de Gini evidencia, com valores superiores à referência nacional, a Região Autónoma dos Açores (7 dos 16 municípios com informação disponível), o Algarve (5 dos 15 municípios com informação disponível) e a região Norte (15 dos 85 municípios com informação disponível). Para além destas regiões, verificaram-se também valores de coeficiente de Gini superiores ao nacional em municípios da Área Metropolitana de Lisboa (Lisboa, Cascais, Oeiras e Alcochete), da Região Autónoma da Madeira (Calheta, Funchal e Ponta do Sol) e da região Centro (Coimbra e Murtosa). Note-se que nenhum município do Alentejo registou uma assimetria do rendimento superior ao valor nacional, à luz do coeficiente de Gini.
Em 2020, dos 36 municípios com coeficientes de Gini superiores ao valor nacional, 13 registaram também valores medianos de rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo superiores à referência nacional: Lisboa, Vila do Porto, Porto, Cascais, Ponta Delgada, Oeiras, Funchal, Alcochete, Vila Real, Matosinhos, Faro, Coimbra e Angra do Heroísmo. 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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