Decorrem campanhas de esterilização e identificação animal gratuitas para os munícipes

“A solução para o problema do abandono dos animais passa por identificá-los, responsabilizar os donos e controlar a natalidade, através da esterilização”, diz o veterinário Virgílio Oliveira

Correio dos Açores - Nesta altura do ano, nomeadamente no Verão, as pessoas abandonam mais cães e gatos tendo em conta que vão de férias?
Virgílio Oliveira (médico veterinário municipal) – Actualmente, continua a haver muita gente a querer deixar animais. Importa salientar que, dada a obrigatoriedade de identificação animal que já decorre há alguns anos, a maior parte dos animais está identificada electronicamente, sendo muito menos frequente o abandono destes na via pública, visto que o animal tem um chip, sabe-se quem é o dono e vamos contactá-lo. Portanto, o abandono clássico encontra-se minimizado. Porém, existem muitas pessoas a querer deixar os animais no canil, porque vão de férias e por outras razões.

Os animais são deixados no canil apenas no período das férias?
Somos um centro de recolha oficial, pelo que não fazemos hotel de cães e gatos. Para tal, as pessoas têm de recorrer às entidades que o fazem. Há muita gente que tenta deixar os animais e, neste momento, não aceitamos, pois estamos lotados. Estamos a aceitar apenas situações especiais e casos específicos.

De momento, quantos animais têm no canil?  
À data de hoje, temos 137 cães e 54 gatos. Como estamos cheios, não aceitamos a situação tradicional da pessoa que se dirige ao canil para entregar o seu animal, por já não o querer simplesmente.

Não aceitam porque não têm condições para receber mais animais?
Não aceitamos, porque temos falta de espaço. Em 2018, deixámos de abater animais e temos animais no canil já há dois ou três anos. Ora, esses animais vão ocupando espaço e não podemos aceitar mais devido à falta de lugar.

Quais as principais dificuldades que enfrentam no Canil de Ponta Delgada?
A falta de espaço é a nossa principal dificuldade. Temos alimento e água à disposição dos animais, além de que estes estão todos desparasitados, vacinados e esterilizados. Aliás, temos uma campanha de esterilização gratuita para os munícipes.

Quantos animais tiraram da rua este ano?
Este ano, apenas no concelho de Ponta Delgada, foram abandonados 464 animais. Além disso, temos um protocolo com Vila Franca do Campo e com a Povoação, de onde nos vêm trazer animais também. Destes dois concelhos contabilizam-se mais 192 animais, perfazendo um total de 656 animais abandonados até à data.

Há pouca procura de animais para adopção?
Fazemos um sacrifício para tentar doar animais. Temos alguns voluntários que os canalizam, maioritariamente, para fora da ilha. Ou seja, o nosso canal de adopção principal é fora dos Açores, nomeadamente para Portugal continental e para o estrangeiro, em especial países do Norte da Europa.

Que critérios têm em consideração no adoptante?
Não temos critérios. Neste momento, queremos é dá-los para adopção. Não seleccionamos, pois não temos condições para escolher os adoptantes. Tomara que nos apareçam pessoas que queiram adoptar. Tendo em conta a necessidade que temos de adopção de animais, não podemos fazer selecção de adoptantes.

Houve alguma história que vos tenha marcado em particular?
São tantas que é difícil de eleger. Mas, recentemente, fomos buscar uma gatinha a uma igreja na Covoada, dedicada a Nossa Senhora da Ajuda, e ela estava deitada aos pés da Santa.
       
Como se pode resolver o problema do abandono de animais?
A solução para o problema do abandono dos animais passa por identificar os animais, responsabilizar os detentores e controlar a natalidade, através da esterilização.
Temos um programa gratuito de esterilização e de identificação animal em vigor até ao final do ano, por marcação. As pessoas só têm de agendar e, de preferência, respeitar o dia marcado. Infelizmente, temos muita gente que marca e não comparece. Há muita falta de civismo nesta problemática do abandono animal.  
A identificação animal realiza-se às sextas-feiras, das 9h30 às 12h30. A campanha é gratuita para todos os animais e pessoas, após fazerem a marcação. Para as castrações, é necessária uma declaração da Junta de Freguesia a atestar impossibilidade económica para fins de castração do animal e nós esterilizamos os animais que a pessoa tiver. Para obter a declaração, a pessoa tem de se dirigir à sua Junta de Freguesia e solicitar uma declaração que ateste que não tem possibilidades económicas para fins de castração animal.  

Recebem donativos? Os interessados em ajudar como podem fazê-lo?
Recebemos donativos de algumas pessoas, todavia não é algo significativo. A maior necessidade que temos é a adopção e a sua promoção. Temos uma rede de voluntários, que nos faz o favor de levar os gatos e cães bebés para as suas casas nas primeiras fases da vida, que os alimenta e cuida deles. Findo este tempo, regressam ao canil e nós arranjamos um adoptante. Os cães e gatos bebés são fáceis de adoptar, já os animais de grande porte, agressivos e com uma certa idade, é mais difícil.  

Aceitam devoluções de animais adoptados?  
Adoptar animais e querer devolvê-los é algo comum. Não somos totalmente permeáveis a esse regresso. Aceitamos a devolução, dependendo da situação. Se a pessoa quiser devolver só porque sim, não aceitamos. Porém, aceitamos o animal de volta se este não se der com um membro da família ou outros animais que a pessoa já tenha em casa, ou se não se consegue dominar o animal, por exemplo. Existem casos de pessoas que levam os animais à experiência, por um mês ou dois, e depois chegam à conclusão que não se adaptam um ao outro. Aí aceitamos.

Há algo mais que queira acrescentar?
Gostaria de apelar às pessoas, para que haja um maior civismo por parte da população, que esterilizem e identifiquem os seus animais.

Carlota Pimentel *

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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