Freguesias das Feteiras e Mosteiros preocupadas com atraso na resolução dos problemas estruturais que causaram as cheias do ano passado

Ao início da tarde, encontramos Eliana Araújo, de 38 anos, que ainda mantém bem frescas as memórias sobre o passado 31 de Dezembro, dia em que a lama e a água invadiram a habitação onde morava juntamente com o marido e o filho de 15 anos. Esta habitante das Feteiras abriu-nos as portas da sua casa para dar voz à revolta que sente por ainda nada ter sido feito na recuperação dos estragos. O caso desta habitação, explica-nos, tem como particularidade o facto de ser uma casa de herdeiros, ou seja, embora não lhe pertença ‘no papel’, sempre a habitou já que a restante família emigrou há várias anos e nunca colocou qualquer entrave ao facto de ela a habitar.
No rés do chão, zona onde se situavam os quartos da família, os sinais de humidade bem como as marcas de lama ainda são bem visíveis. O sobrado não apresenta as condições mínimas de segurança e necessita urgentemente de ser substituído, salienta. Eliana Araújo que, entretanto, foi realojada com a restante família numa outra habitação, lamenta que a recuperação da casa ainda não tenha começado e afirma que, apesar de já lhe terem proposto a cedência de outra habitação, pretende, até pela ligação sentimental ao local, manter a casa “onde sempre vivi”.
“Estamos há 8 meses nisto”, lamenta. Eliana Araújo revela que, apesar da falta de condições, pernoita várias vezes neste local e pede que a Secretaria Regional da Habitação resolva a situação. Esta mulher diz não ser possível manter as duas casas e adianta que a família até está na disposição de avançar com as obras de recuperação ‘com as próprias mãos’. Para isso, pede que lhe disponibilizem o dinheiro que “apresentamos as facturas do material”.
Com alguma emoção, Eliana Araújo destaca “a vida desmanchada” pelos acontecimentos de 31 de Dezembro e reforça a revolta que sente pelo atraso na resolução do seu problema.

Obras na Escola deverão estar concluídas, “no mais tardar, na segunda quinzena de Outubro”
A Presidente da Junta de Freguesia das Feteiras confirma, em relação às moradias, a existência de “apenas um caso que não está resolvido”. Zélia Silva admite tratar-se de “uma situação complicada”, já que as “pessoas que lá vivem não são os proprietários da casa”.
Relativamente aos restantes trabalhos, a autarca refere que “já estão a reparar a Escola e houve alguns muros na Ribeira, junto à sede dos Escuteiros, que também já foram arranjados”. Ainda sobre a escola primária da freguesia, Zélia Silva avança que esta não estará pronta “para o arranque do próximo ano lectivo. Segundo o que me transmitiu o senhor Vereador da Câmara Municipal de Ponta Delgada, estão a apontar a conclusão das obras, no mais tardar, para a segunda quinzena de Outubro”.
A Presidente de Junta das Feteiras explica que “nos terrenos lá em cima”, de onde escorreu grande parte da água, “continua tudo na mesma”.
Também “cá em baixo na ribeira já há uma ideia do que se tem de corrigir”, no seguimento do levantamento realizado pela Secretaria Regional do Ambiente, embora Zélia Silva admita que “estas intervenções ainda vão levar alguns anos porque é necessário sentar várias entidades à mesma mesa”.
A autarca alerta para a necessidade urgente de realizar uma intervenção num local junto à escola, “onde a ribeira passa por baixo da rua” e onde ocorreu ‘o entupimento’ da ribeira a 31 de Dezembro.
“Terá de ser aumentado porque o que ali existe é insuficiente no caso de existirem novamente chuvas fora do normal”, afirma Zélia Silva, que salienta a existência “de algum medo” por parte da população que teme a repetição dos acontecimentos do ano passado.
“Provavelmente, neste Inverno, as condições serão as mesmas do que no ano passado”, embora volte a referir que “não se consegue alterar de uma hora para a outra o que levou anos a fazer”.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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