7 de agosto de 2022

Recados com amor...

Meus Queridos! A minha comadre Florinda foi como é seu costume às compras da semana ao mercado em Ponta Delgada, que deixou de ser da Graça para virar em desgraça… Diz ela que levou o dobro do tempo que costuma levar para comprar as hortaliças e a fruta para a semana, porque os comerciantes estavam todos irados contra o Presidente da Câmara, dizendo cobras e lagartos… e afirmando que ele sabia desde o mês de Janeiro de 2022… que era preciso corrigir o projecto de prevenção de incêndios que tinha sido feito pelos técnicos da própria Câmara, e só oito meses depois é que vem suspender a obra do mercado para corrigir o que no entender dos próprios comerciantes já devia ter sido corrigido… Entre os comerciantes diz minha comadre Florinda que havia quem defendesse que era preciso a Câmara pagar os prejuízos com a paragem das obras… que os comerciantes estão a registar na sua actividade comercial… enquanto isso, outros diziam que já no inicio do ano havia uma vontade da Câmara suspender a obra porque havia quem não gostava do projecto que estava já em avançado estado de construção… Florinda diz que o Mercado da Graça e as suas obras… sempre tiveram “osso de defunto”, porque a primeira obra de cobertura do mercado… no tempo em que era Presidente Manuel Arruda e o projecto da autoria de um considerado arquitecto que trabalhava no município…foi uma dor de cabeça porque cada um ditava a sua sentença… e lá tiveram que reajustar a cobertura do mercado que teve de ser feita em dois andamentos… Isto é a sina do Mercado da Graça desde sempre. A minha comadre Florinda diz que na década de sessenta o Presidente da Câmara, Jorge Palhinha Moura…. Quis pintar uma lápide na fachada do talho que hoje é a venda do “Rei dos Queijos” …. Chamou então O mestre Faknin como era conhecido… e incumbiu-o de pintar o painel com uma vistosa vaca. Mestre Faknin perguntou: a vaca é com corrente ou sem corrente… e o Presidente Palhinha Moura disse que era sem corrente… A lápide mereceu cerimónia de inauguração pelo Presidente do Município… Uns dias depois veio uma chuvada e a vaca desapareceu… O presidente Palhinha soube do caso e muito zangado mandou chamar o mestre para que ele dissesse para onde tinha ido a vaca … e a resposta pronta do mestre Faknin foi: … Eu perguntei se o Senhor Presidente queria a vaca com corrente ou sem corrente… e o senhor disse que era sem corrente… foi o que se fez e a vaca como não tinha corrente fugiu! … Hoje o Mercado da Graça virou uma telenovela de mau gosto que pode sair caro aos argumentistas!

Meus queridos! A edição do passado Domingo, do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, andou de mão em mão para os lados da Freguesia de São Pedro, com as entrevistas do Presidente da Junta de Freguesia, José Leal, e do meu querido e sempre atento engenheiro Paulo Bermonte que puseram o dedo na ferida dos graves problemas da freguesia e de outras zonas da cidade e da ilha, a que se junta o contundente editorial do meu querido director Américo Viveiros que deve ter feito corar muitos responsáveis que não podem fingir que nada têm a ver com os problemas… E aí estão já resultados com a detenção de dois homens no Bairro das Laranjeiras por tráfico de droga… e se continuar a pressão policial e dos cidadãos, outras se seguirão… Resta é que a Justiça, leia-se os tribunais, não continuem a estragar o trabalho das polícias… Já basta o exemplo, lá para os lados do rectângulo, do “rei dos catalisadores” que já foi detido 5 vezes a roubar gasolina e catalisadores dos popós… e 5 vezes foi mandado em liberdade pelos juízes… Nisto de segurança, se não for toda a gente a remar para o mesmo lado, dentro de dias a desgraça será incontrolável…

Ricos! Eu sei que a ideologia do género veio para ficar e tornou-se uma causa mais política do que social e também um grande negócio para muitos e muitas que fazem vida disso, como se a luta pelos direitos das minorias se tivesse transformado num caminho de tornar anormal o que é do senso comum, em nome de falso sentido de inclusão. Mas isto já é lutar contra moinhos de vento e não vale a pena gastar tanta cera com o santo… mas não deixa de ser risível alguns exageros que vamos vendo para aí, mesmo em documentos oficiais ou em comunicados de organismos públicos, como este que vi há dias e que falava da prisão de “um casal de sexos opostos”… ou então num inquérito em que se pergunta o nome e, no quadrado de indicação de sexo, lá vêm o “masculino, feminino ou outro”…tudo isso em plena campanha que corre desde há muito sobre o simplex… e que afinal sai-nos na rifa o complex… Não nos vêm depois com modernices da treta… porque para treta já basta o bombardeamento que nos cai nas redes sociais ou nos programas televisivos com as chamadas “influencers” que ganham a vida a pintar de cor de rosa o mundo onde abunda a pobreza e a fome!

   Meus queridos! Já não é a primeira vez neste Verão que escrevo aqui nos meus recadinhos sobre a vergonha em que estão transformadas muitas das nossas estradas regionais e municipais, por essa ilha fora, além dos caminhos locais “enfeitados” pelo lixo que nas bermas e com alguns gatos que vão aparecendo mortos... É caso para perguntar por onde andam os trabalhadores das Juntas de Freguesia, dos Municípios e das Obras Públicas? O que outrora eram bonitos jardins, hoje são matagais e ainda por cima com a seca que tem feito, as ervas morrem e espalham as sementes por tudo quanto é sítio. Parece que pura e simplesmente deixou de haver pessoal de limpeza nas estradas ou aquele que está por lá não é devidamente acompanhado por gente que lhes incuta diligência e respeito pelo trabalho que deviam fazer. Anda toda a gente a queixar-se do fim de alguns programas operacionais, mas a verdade é que poucos querem trabalho que seja mais que emprego… Sem ser saudosista, sou levada a ter saudades dos tempos em que os cantoneiros eram conhecidos e respeitados… E não venham dizer que era escravidão, porque é com este chavão que nos vão enganando…
Meus queridos! Recebi um convite da minha prima da Rua do Poço para estar presente neste Domingo a mais uma Feira das Traquitanas que decorre sempre que há bom tempo no primeiro Domingo de cada mês e que hoje comemora 15 anos desde que foi fundada pelo então presidente de Junta, o meu querido Francisco Guedes que teve a ideia e que rapidamente entrou nos hábitos da cidade arrastando muitas centenas de pessoas que ali convivem e fazem as suas trocas, às vezes com oportunidades únicas. E, com o calor que tem feito por aí, um passeio pela velha Alameda Duque de Bragança é sempre bem apetecido. Por isso mesmo um ternurento beijinho a quantos todos os meses organizam e dão vida às Traquitanas…
Ricos! Quando estes meus recadinhos foram publicados já terá terminado a grande noite da festa branca em Ponta Delgada. Algumas das minhas amigas de peito insistiram comigo para eu ir, mas ainda não consegui desfazer-me do meu vestido azul - bandeira para o trocar por um branco e já com a minha idade não me estou a ver vestida de pasteleira ou de coisa semelhante, embora em criança até gostasse bastante de ver as filarmónicas que então se vestiam de branco… mas até isso foi acabando. Mas com certeza que nos recadinhos da próxima semana irei dar conta daquilo que me contarem as minhas amigas… E já sei que não vai faltar gente para contar os copos e o resto que vai ficar pelo chão… Más-línguas!

Ricos: Desde inauguração com a presença de Berta Cabral das obras de requalificação da zona balnear dos Poços, que todos os anos a minha amiga de infância Francelina gosta de ir ali dar um mergulho e aproveitar para se refrescar dos calores do verão, bem como usufruir do iodo do mar, porque assim todo o organismo fica a funcionar melhor, ou seja os pulmões, os músculos e ossos tornam-se mais saudáveis. Este ano, ela teve uma bela surpresa com o projecto de levar a leitura àquele espaço. Francelina ficou muito agradada porque são muitos livros, revistas e jornais diários, mormente o “Correio dos Açores” que generosamente me acolhe no seu seio… os banhistas podem requisitar o que pretendem ler enquanto desfrutam das espreitadelas do sol. Por isso, ela pediu-me para elogiar a iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada e a Junta de Freguesia de S. Vicente Ferreira para que ela sirva de exemplo a outras Câmaras Municipais, porque nunca é demais promover a leitura…. Que ajuda a preservar a saúde de espírito e até também do corpo… Boas leituras para este período de férias e de festanças!

Meus queridos! Li um dia destes que “números do Serviço Regional de Saúde indicam que, tendo por referência os dados do final do ano de 2020, tinham médico de família em São Miguel 133.984 utentes, existindo 12.167 utentes sem médico de família, e 804 sem médico de família por opção dos próprios utentes”. Como sou uma mulher que aprendeu a fazer contas na escola, mesmo sem precisar de calculadora, bastou somar estes números para ver que isto totaliza 146 955 almas. Ora, dizem os censos de 2021 que a ilha do Arcanjo tem 137 220 habitantes. Como é que foram buscar quase mais dez mil para aquelas contas? Ou a ilha cresceu depois dos censos, ou os registos dos serviços de saúde estão muito desactualizados… Pois é!

Ricos! Passados três anos depois de ter sido feita uma queixa contra o meu querido edil - mor da velha capital de São Miguel, Ricardo Rodrigues e alguns membros da sua antiga vereação devido ao processo de adjudicação de um famigerado restaurante, vem agora o Ministério Publico formalizar a acusação contra os elementos adjudicantes em nome do Município da Vila Franca… e os adjudicatários entre os quais havia uma relação de parentesco… Não sei se havia outros concorrentes ao projecto… e caso houvesse quais eram os valores de uma e de outra proposta para saber…. se houve algum favor a beneficiar uma parte em detrimento da outra… Já se sabe que os partidos lá vieram pedir a crucifixão imediata dos acusados sem terem sido ainda julgados… sendo certo que ainda se aguarda o desfecho de outros processos pendentes há anos e que envolvem também responsáveis de outras forças partidárias… e a minha prima Maria da Vila diz que espera para ver se eles tiverem a mesma sorte do Presidente da Vila… virão dizer que os tempos da política não são os tempos da Justiça, num exercício de “cintura” que fica muito mal a quem gosta é de “enforcar” na praça pública quem ainda não foi julgado… Por isso é que eu digo que nada como o tempo para serenar as coisas, embora não se deve esquecer quantos foram condenados na praça pública perante muitos silêncios cúmplices… Como dizia minha santa avó, “atrás de tempo, tempo vem”…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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